De Hoddle a Carrick: o afastamento de Alexander-Arnold da seleção da Inglaterra reflete décadas de estrelas mal aproveitadas
Trent Alexander-Arnold foi a principal ausência na mais recente convocação da Inglaterra, com o lateral-direito do Real Madrid fora dos planos mais uma vez.
Apesar de uma carreira vitoriosa em clubes, Alexander-Arnold ainda não conseguiu afastar a narrativa de que seu desempenho defensivo deixa a desejar. Isso criou uma situação incomum: um dos jogadores mais talentosos de sua geração acabou ficando à margem na seleção da Inglaterra.
Não é a primeira vez que a Inglaterra dá poucas oportunidades e desperdiça talentos de elite.
As 53 partidas pela Inglaterra podem parecer um número considerável, mas ficam aquém quando comparadas ao talento natural de Glenn Hoddle. Hoddle foi um talento fora da curva, que a Inglaterra não conseguiu aproveitar ao máximo nos grandes palcos.
Ele disputou apenas 212 minutos entre a Euro de 1980 e a Copa do Mundo de 1982, assistindo do banco à eliminação da Inglaterra em ambos os torneios.
Neste último, empates sem gols com Alemanha e Espanha condenaram a Inglaterra a uma eliminação precoce, em jogos travados nos quais a criatividade de Hoddle poderia ter feito a diferença.
Outro talento fora do padrão, cujo estilo irreverente não lhe valeu a confiança da seleção inglesa. Le Tissier brilhou na Premier League em toda a sua carreira no Southampton, salvando repetidamente os Saints do rebaixamento.
Ele marcou mais de 20 gols na liga em três temporadas diferentes da elite, mas fez apenas oito jogos pela seleção da Inglaterra.
Para efeito de comparação, isso é menos do que Rickie Lambert (11). Sem falar no excelente retrospecto de Le Tissier em pênaltis: 47 gols em 48 cobranças. Como a Inglaterra teria se beneficiado de tanta frieza nas eliminações nos pênaltis na Euro 96 e na Copa do Mundo de 1998.
A Inglaterra teve fartura de opções como centroavante ao longo dos anos 1990, mas as 15 convocações de Andy Cole pela seleção ficaram aquém. Cole liderou a Premier League em gols e assistências pelo Newcastle antes de conquistar cinco títulos da liga e uma tríplice coroa com o Manchester United.
Apenas Alan Shearer (204) marcou mais gols sem ser de pênalti na Premier League do que Cole (186), mas a avaliação injusta do ex-técnico da Inglaterra Glenn Hoddle — de que Cole “precisa de quatro ou cinco chances para marcar” — ficou marcada.
Michael Carrick conquistou um troféu após o outro no Manchester United, mas teve poucas oportunidades pela seleção da Inglaterra.
O meio-campista somou apenas 34 partidas pela seleção inglesa em uma carreira internacional de 14 anos. Só 22 delas foram como titular, e apenas uma em um grande torneio internacional.
É verdade que Steven Gerrard, Frank Lampard e Paul Scholes ofereciam uma concorrência considerável, mas a Inglaterra sofreu por forçar esse trio no mesmo time.
A calma de Carrick, com estilo continental, poderia ter tirado o melhor de outros numa época em que a Inglaterra muitas vezes tinha dificuldades para manter a posse de bola.