Um novo começo ou um adeus emocionante? Futuro de Pep Guardiola no Man City segue indefinido
Pep Guardiola pode ter dado uma dimensão mais cerebral à gestão no futebol, mas fez uma confissão: “Ainda não sou inteligência artificial”, disse o técnico do Manchester City. “Sou um ser humano e posso comemorar.” No caso de Guardiola, a emoção da vitória na final da Copa da Liga ficou evidente no cartão que recebeu por sair da área técnica. Dada a sua imprevisibilidade, reproduzir seu processo de pensamento pode estar além até da IA.
Para o catalão, vencer o Arsenal em Wembley foi daquelas surpresas que só o futebol explica. “Nem eu apostaria £1 na vitória de hoje”, disse.
Guardiola acumulou muitos triunfos ao longo dos anos, mas poucos contrariando as probabilidades. Normalmente, venceu com o favoritismo ao seu lado. As duas finais anteriores em Wembley terminaram em surpresa, com o City derrotado por Manchester United e Crystal Palace em finais consecutivas da FA Cup. Desta vez, porém, o treinador ficou do lado vencedor da zebra.

Abrir imagem na galeria
Pep Guardiola e sua filha Maria comemoraram a vitória no gramado de Wembley (AFP via Getty Images)
Durante grande parte de sua passagem por Manchester, havia a expectativa quase automática de que qualquer troféu conquistado abriria caminho para outros, muitas vezes rapidamente. Agora, isso já não é tão claro.
Guardiola tem a resposta de sempre: ainda lhe resta um ano de contrato. O jejum de seis anos sem títulos do Arsenal — à exceção da Community Shield — mostra como a maioria das equipas, até as boas, pode ter dificuldades para conquistar troféus; em parte, claro, porque os comandados de Guardiola costumam levá-los.
Agora fica a questão: este é o fim de um ciclo ou um novo começo? O maior rival de Guardiola, Jürgen Klopp, despediu-se com uma Copa da Liga que teve um significado especial por ter sido conquistada de forma improvável.

Abrir imagem na galeria
A última Copa da Liga de Jürgen Klopp com o Liverpool foi ainda mais especial (Getty Images)
Pode haver outra comparação; com a ressalva de que, como Klopp certamente apontaria, Guardiola conquistou muito mais do que ele. Uma teoria é que ele gostaria de se despedir com um dos dois grandes troféus, mas o City já está fora da Liga dos Campeões e aparece nove pontos atrás do Arsenal na Premier League.
Mas há momentos em que Guardiola parece genuinamente entusiasmado com o potencial do terceiro time que vem montando. Ele acredita que a equipe não está longe do ideal, e essa sensação pode lhe dar mais motivos para permanecer. “O time tem algo por baixo que eu sinto que pode florescer, e vencer ajuda a acelerar um pouco o processo”, explicou.
Se esta é uma equipa que vai permanecer unida e continuar a vencer, isso já é outra questão. No fim da varanda de Wembley, em atitude pensativa enquanto via os seus jogadores festejarem em euforia, é provável que tenha sentido um prazer especial ao ver Bernardo Silva erguer o seu primeiro troféu como capitão. Talvez também o último, já que o português fica sem contrato no verão e evita responder sobre o seu futuro.

Abrir imagem na galeria
Guardiola tem muito em que pensar após seu mais recente título da Copa da Liga Inglesa
Por razões diferentes, Guardiola destacou dois jogadores. Nathan Aké entrou após a lesão muscular de Rúben Dias, mas um dos defensores mais confiáveis do treinador é agora, provavelmente, apenas a quinta opção na zaga. O futuro já chegou: ao lado dele, Abdukodir Khusanov, numa parceria entre juventude e experiência, faz tudo em velocidade impressionante.
Enquanto isso, uma tripla defesa logo no início de James Trafford impediu que o forte começo do Arsenal — quando, nas palavras de Guardiola, os Gunners “sufocaram” o City — resultasse em gol. Trafford voltou ao Etihad no último verão sem imaginar que o City contrataria Gianluigi Donnarumma dois meses depois. Ao menos, o goleiro reserva já garantiu alguns títulos em sua segunda passagem pelo clube, mas deve sair em breve: é bom demais para passar outra temporada no banco.
A reconstrução do City está adiantada em algumas áreas, incompleta em outras e pode ficar ainda mais complexa com prováveis saídas. Em algum momento, o clube pode enfim contratar um lateral-direito, embora Matheus Nunes tenha deixado sua marca com uma assistência em Wembley. Resta saber se Nico O’Reilly será lateral-esquerdo a longo prazo; por enquanto, ele fica com o invejável status de herói da final da copa.
Entre os 13 reforços das últimas três janelas de transferências, Rayan Cherki e Khusanov podem revelar-se os dois melhores. O francês mostrou em Wembley qualidade de alto nível como camisa 10, precisamente quando o Arsenal, sem Martin Odegaard e Eberechi Eze, sentiu falta de um jogador com esse perfil. Guardiola gastou muito, mas Cherki, por 31 milhões de libras, é uma pechincha.

Abrir imagem na galeria
Rayan Cherki pode se revelar a melhor contratação recente de Guardiola (Action Images via Reuters)
Resta saber se a fórmula de Wembley será o novo plano de Guardiola, com dois pontas velozes, Jeremy Doku e Antoine Semenyo. Em alguns momentos, de forma incomum para uma equipe de Guardiola, o time parece em desvantagem no meio-campo; esse foi um dos problemas no Bernabéu.
Seria uma ajuda se Rodri recuperasse a forma dominante que exibia antes da lesão no ligamento cruzado. Mas está longe de ser certo que isso aconteça. Já é uma aposta mais segura que Erling Haaland, após apenas cinco gols em 20 jogos, volte a ser prolífico.
Eles podem ser peças-chave de um terceiro grande time de Guardiola — ou talvez ele nem exista. Isso pode ser a base para novos títulos ou apenas uma vitória isolada de uma equipe em transição. Como quase tudo no City, tudo depende de Guardiola ficar ou sair. E, se ele sair, a IA não poderá substituí-lo.