Wolves 2-0 Aston Villa: Wanderers superam a pior marca histórica de pontos com vitória merecida sobre os rivais
Lanterna da liga, o Wolves evitou uma marca indesejada ao ultrapassar o pior total de pontos da história da Premier League, estabelecido pelo Derby County, após uma vitória convincente por 2 a 0 sobre o rival Aston Villa, no Molineux.
João Gomes marcou com um remate potente pouco depois da hora de jogo, após uns primeiros 45 minutos cautelosos em que o Aston Villa desperdiçou várias oportunidades de abrir o marcador com Ollie Watkins e o defesa-central Pau Torres.
José Sá fez uma grande defesa no segundo tempo para travar Ian Maatson, antes de Rodrigo Gomes confirmar o resultado no último minuto dos acréscimos, com os anfitriões a segurarem a vantagem para chegarem aos 13 pontos, superando o recorde de 11 pontos dos Rams em 2007/08, e negarem à equipa de Unai Emery a primeira vitória no terreno dos Wanderers em cinco anos.
O Wolves escapou não uma, mas duas vezes nos primeiros 10 minutos, depois de Morgan Rogers desviar um passe de Matty Cash entre as pernas de Santiago Bueno e deixar Ollie Watkins em boa posição.
O zagueiro Yerson Mosquera bloqueou o chute do atacante, finalizado com o lado externo do pé, mas a jogada quase perdeu importância quando Pau Torres, completamente livre, cabeceou um escanteio muito longe do gol.
Foi então a vez dos anfitriões desperdiçarem uma grande oportunidade. Numa cobrança de falta alçada para a área do Aston Villa, Mosquera desviou de cabeça para o outro lado do gol, mas o colega de defesa Toti concluiu de primeira por cima.
O jogo parecia uma partida de basquete, e o Villa voltou a ameaçar logo em seguida no outro lado do campo, com um voleio potente de Douglas Luiz — após cruzamento de Matty Cash — defendido por José Sá.
O Villa chegou com frequência a posições muito promissoras no terço final, mas não conseguiu criar chances claras para Watkins, cada vez mais isolado, enquanto o Wolves também teve dificuldades para avançar.
Ambas as equipes criaram poucas chances no segundo tempo, e Unai Emery foi obrigado a mexer por volta dos 60 minutos, lançando Leon Bailey e Ross Barkley na tentativa de dar o impulso tão necessário.
A tarefa tornou-se rapidamente difícil quando Gomes abriu o jogo para o extremo direito Jackson Tchatchoua, que cruzou da direita para Adam Armstrong, cujo amortecimento foi finalizado com força pelo jogador que iniciou a jogada.
Sá foi obrigado a afastar o remate de Ian Maatsen, de dentro da área, depois de Ross Barkley ter colocado a bola para o ala neerlandês, quando o tempo se esgotava para o Villa criar mais oportunidades.
O suplente Tolu Arokodare arrancava em contra-ataque momentos antes de serem anunciados sete minutos de acréscimos, para o desagrado do sempre efusivo Emrey à beira do relvado, antes de ver o remate de Gomes de longa distância ser bloqueado.
Maatsen esteve muito perto de empatar novamente, já nos acréscimos, mas Sá se manteve firme e fez uma defesa brilhante antes de Mosquera afastar no rebote, sob o rugido das arquibancadas.
A euforia tomou conta quando Rodrigo Gomes selou uma derrota pesada para o Villa, depois de Arokodare lançar mais um contra-ataque e servir André, cujo remate bloqueado acabou por sobrar para o ala português.
A derrota deixa o Aston Villa em risco de cair na tabela, já que o Manchester United pode igualar os Villans com 51 pontos se conquistar os três pontos em casa contra o Crystal Palace no domingo.
O destino do Wolves pode já estar selado, ainda a 16 pontos da salvação na Premier League, mas a equipa encontra consolo ao lutar por mais uma surpresa e ultrapassar o recorde negativo de 11 pontos do Derby County.
Grande parte — senão toda — a discussão em torno do Wolves antes do duelo com o Villa voltou inevitavelmente à velha pergunta que existe desde 2008: eles terminariam com menos pontos do que aquele Derby?
A resposta, agora, é um não definitivo.
Os 10 pontos somados pelo Wanderers igualaram o total do Derby após 28 jogos há quase duas décadas e, tal como na infeliz situação dos Rams, parecia que o tempo estava se esgotando para Rob Edwards e sua equipe evitarem o estabelecimento de um novo recorde difícil de ser superado — se é que essa é a palavra certa.
Eles deveriam mesmo estar onde estão? Não, segundo os pontos esperados. Por esse critério, o Wolves estaria apenas em 18º lugar e empatado com West Ham e Tottenham com 30 pontos, em vez de 16 atrás do Nottingham Forest de Vítor Pereira. Na realidade, porém, ocupa a lanterna, com um défice de 7,6 golos em relação ao esperado.
O Aston Villa pode ter dominado a maior parte do tempo, mas não esteve no seu melhor numa primeira parte de parada e resposta. O Wolves simplesmente não conseguiu surpreendê-los. Embora não seja um goleador nato, Toti pelo menos tinha de obrigar o número um da Argentina, Emi Martínez, a fazer uma defesa com o seu voleio amortecido.
O co-comentarista da Sky Sports, Don Goodman, resumiu tudo no pós-jogo: “Eu ficaria surpreso se o Wolves criasse algo melhor do que isso hoje à noite.” Apesar de muitos esperarem que a previsão se confirmasse, ela acabou não se concretizando.
Têm, de longe, o pior ataque e a pior defesa da primeira divisão, mas conseguiram surpreender duas vezes ao vencer o líder Arsenal e os seus rivais locais, deixando os adeptos a pensar em quão diferente poderia ter sido a época com o nível de resistência e, sobretudo, a eficácia demonstrada esta noite.