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OLIVER HOLT: Por que temo o que está por vir no veredicto sobre as 115 acusações contra o Manchester City após a punição pateticamente branda ao Chelsea

Os atuais proprietários do Chelsea merecem crédito por denunciarem voluntariamente os anos de irregularidades financeiras que descobriram ter ocorrido no clube entre 2011 e 2018, durante a era de Roman Abramovich.

Mas não vamos fingir que a punição aplicada ao clube pela Premier League na segunda-feira — que inclui uma proibição de nove meses para contratações na base e uma suspensão de veto a transferências do time principal — seja algo além de uma leve advertência diante de sua riqueza e de sua posição entre a elite.

Uma multa de 10,75 milhões de libras pode até ser recorde na Premier League, mas não significa nada diante da enorme riqueza de um clube como o Chelsea. É uma gota no oceano das suas receitas, dos seus ganhos e do seu prestígio. Trata-se de uma punição vergonhosamente branda.

Se continuar nesse ritmo, o zagueiro do Chelsea Wesley Fofana terá acumulado esse valor em multas por excesso de velocidade dentro de alguns anos.

A sanção imposta ao Chelsea levanta questões relevantes sobre até que ponto a passagem do tempo deve apagar infrações no futebol moderno. O período investigado já é distante o suficiente para parecer história antiga a alguns adeptos do jogo.

A Premier League não segue o princípio de que os pecados dos pais devem recair sobre os filhos, e também não parece haver disposição para punição retroativa.

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Não finjamos que a punição aplicada ao clube pela Premier League na segunda-feira foi algo além de um leve puxão de orelha diante de sua riqueza e de sua posição entre a elite

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Isso contrasta fortemente com as especulações sobre o que aconteceria ao Manchester City caso o clube fosse considerado culpado das várias acusações feitas contra ele, que contesta com veemência, por supostas infrações cometidas em um período semelhante.

No debate sobre o caso em andamento do City, muito se falou em duras perdas de pontos e em colocar asteriscos nos títulos conquistados caso a decisão seja desfavorável ao clube. Nada disso foi sugerido nesta decisão da Premier League.

Isso pode ser porque a Premier League tem feito questão de destacar que o Chelsea não teria violado as suas regras financeiras nas temporadas em questão, mesmo que os £47 milhões em pagamentos secretos a agentes não licenciados e a terceiros tivessem sido registados.

Isso, no entanto, não responde à questão de saber se o Chelsea teria conseguido contratar Eden Hazard, Samuel Eto'o, Willian, Ramires, David Luiz, Andre Schurrle e Nemanja Matic sem esses pagamentos ilícitos. Esses jogadores, em diferentes graus, foram importantes para os sucessos futuros.

Muitos torcedores rivais consideram que os títulos do Chelsea em 2014-15, sob o comando de José Mourinho, e em 2016-17, com Antonio Conte, deveriam vir com um asterisco nos livros de história

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A justificativa da Premier League para a punição ao Chelsea não considera se o clube poderia ter bancado contratações como as de Ramires (à esquerda) e David Luiz

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Muitos torcedores rivais acreditarão que os títulos do Chelsea em 2014-15, sob o comando de José Mourinho, e em 2016-17, com Antonio Conte, deveriam de fato levar asteriscos nos livros de história, e que o clube foi tratado com excessiva brandura por infrações anteriores.

O caso do City, analisado por uma comissão independente, ainda aguarda desfecho, e a reação à absolvição do Chelsea servirá como um indicador útil do sentimento público na Premier League enquanto continuam as deliberações sobre o caso do City.

A decisão sobre o Chelsea reforçará a sensação de que, qualquer que seja o desfecho do caso do City, qualquer punição, se o clube for considerado culpado, acabará sendo um arranjo que permitirá tanto ao clube quanto à liga alegarem que saíram vindicados.

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