Thibaut Courtois ataca a imprensa: ‘O Real Madrid não é um jardim de infância, ninguém armou para Xabi Alonso’
O goleiro do Real Madrid, Thibaut Courtois, respondeu longamente a várias narrativas da imprensa após a excelente vitória sobre o Manchester City na noite de quarta-feira. O belga fez questão de refutar a ideia de que seus companheiros eram indisciplinados e tinham mais poder do que o técnico.
Courtois teve mais uma grande noite contra o City, com uma defesa crucial em Nico O’Reilly, além de dar a assistência para Fede Valverde marcar o gol de abertura.
“Eles sabem que eu tenho um bom chute de longa distância. Obviamente, não sou o Ter Stegen, mas tenho um bom chute de longe; trabalhámos isso, sobretudo contra equipas que deixam muito espaço nas costas. E, com uma bola de qualidade como as da Liga dos Campeões, esses passes acabam por sair”, disse à Cadena SER após o jogo.
Courtois também fez questão de responder a várias narrativas da imprensa, afirmando que grande parte da especulação em torno do clube nos últimos meses não passa disso.
“Nós não lemos o que vocês dizem (risos). Estou em casa e analiso o que preciso analisar com o Llopis [Luis Llopis, treinador de guarda-redes]. Algumas coisas acabam por chegar até nós — não estamos em Marte —, mas não estamos sempre a olhar para o que vocês escrevem. Vocês dizem coisas que acham que são verdadeiras, quando não são. Obviamente, ninguém vai sair para dizer o contrário, mas já li coisas que… meu Deus (risos)! É o vosso trabalho e eu respeito isso”, comentou mais tarde ao Diario AS.
O vestiário do Real Madrid tem sido retratado como um grupo de estrelas que precisa ser tratado como tal pelo treinador, seja ele quem for, sob risco de rebelião. Courtois afirmou que ele e os seus companheiros seguem à risca as instruções do técnico.
“Vocês acham que isto é um jardim de infância e que fazemos o que queremos. Não é assim. Respeitamos os treinadores, a comissão técnica, todos. Muitas críticas são injustas. Outras são válidas, e tudo bem. Às vezes jogamos mal: contra o Celta, o Getafe… Somos parcialmente culpados e eu aceito isso. Mas hoje foi um passo em frente como equipa, e temos de lembrar disso. Se lutarmos uns pelos outros, as coisas vão funcionar.”
“Sinto que, no meu primeiro ano, estávamos muito pior do que agora e não havia esse clima tóxico. É preciso haver mais respeito pelo vestiário. Dizer coisas como que temos mais poder do que o treinador ou que não queríamos jogar em Albacete é inaceitável. Somos profissionais e fazemos sempre o que o treinador manda. Isso não existe aqui; isto é o Real Madrid.”
Depois de a chegada de Álvaro Arbeloa produzir resultados semelhantes no início, a responsabilidade passou a recair sobre os jogadores do Real Madrid. No entanto, surgiram repetidos relatos de que o plantel não se dava bem com o antecessor Alonso, considerando que a sua abordagem recorria em excesso à análise de vídeo.
“Não acho que seja esse o caso. Ninguém armou nada contra o Xabi. Dizer que não gostamos das táticas, que não gostamos dos vídeos… Eu trabalhei com o Antonio Conte, e você passava uma hora ali (vendo vídeos). E eu não me importava, porque somos profissionais. É o meu trabalho. Uma coisa é jogar com os amigos. Aí é normal não querer assistir a um vídeo de meia hora. Mas se eu tiver de ver um vídeo, eu vejo.”
“Nós nos preparamos para os jogos. Falei com a NFL no verão, e eles estão assistindo a vídeos o tempo todo. Nosso profissionalismo foi questionado. Os primeiros meses com Xabi foram muito bons. Depois passamos por um período difícil, não conseguíamos encontrar o ritmo, mas quem manda não somos nós, é o treinador, e temos de respeitar isso.”
Tem sido uma temporada complicada no Bernabéu, com duas trocas de treinador em apenas sete meses. A quatro pontos do Barcelona na La Liga, a vitória sobre o City foi uma das poucas ocasiões recentes em que o Los Blancos apresentou uma atuação coesa. Com Arbeloa a tornar-se o terceiro técnico a tentar extrair o melhor do atual elenco, com resultados mistos, mudar de treinador já não parece uma solução definitiva.