Punição do Chelsea sugere que o Manchester City tem pouco com que se preocupar em relação às suas 115 acusações
O Chelsea dominou as manchetes nesta semana por vários motivos.
Eles estão em destaque não apenas pela humilhante eliminação na Liga dos Campeões da UEFA para o Paris Saint-Germain, mas também pelo veredito contundente da Premier League sobre suas violações das regras.
O clube de Stamford Bridge foi considerado culpado por mais de 30 infrações, envolvendo pelo menos £47 milhões em pagamentos fora da contabilidade ligados a grandes negociações de estrelas como Eden Hazard, Willian, David Luiz e Nemanja Matic.
A Premier League aplicou ao Chelsea uma multa de £10 milhões e uma proibição de transferências suspensa.
Essas irregularidades não foram casos isolados, mas violações deliberadas cometidas ao longo de oito anos sob o antigo proprietário Roman Abramovich.
No entanto, a liga adotou uma postura branda, em grande parte porque a nova gestão do Chelsea, liderada pela Clearlake, reportou os problemas por iniciativa própria e cooperou plenamente com a investigação.
Na prática, a multa de £10 milhões é pouco mais do que um pequeno contratempo, sobretudo porque o consórcio Clearlake já reservou £150 milhões para cobrir passivos da era Abramovich.
A muito comentada proibição de transferências é, na prática, inócua e só será acionada se o Chelsea cometer novas infrações nos próximos dois anos.
Essa abordagem contrasta fortemente com as punições mais severas da liga a clubes como Leicester City, Nottingham Forest e Everton, que perderam pontos por violações das regras de lucratividade e sustentabilidade.
Como era de se esperar, este veredicto aumentará o otimismo no Manchester City, que ainda aguarda o desfecho do caso envolvendo 115 supostas infrações financeiras.
O City continua a negar veementemente qualquer irregularidade e contesta com firmeza as acusações, numa postura bem diferente da do Chelsea, em grande parte devido à manutenção do mesmo grupo proprietário.
Com esse precedente estabelecido, a equipe jurídica do City deve ficar cada vez mais confiante de que multas financeiras, e não sanções esportivas severas, podem ser o desfecho mais provável mesmo no pior cenário.
Isso reforçaria a determinação deles de contestar qualquer possível perda de pontos ou medida de retirada do título.
Esse desfecho abriria um precedente profundamente preocupante para o esporte, podendo deixar muitos clubes com a sensação de injustiça e desequilíbrio.
Chelsea e Manchester City acumularam enorme sucesso na última década, mas, se esse êxito foi impulsionado por violações das regras financeiras, consequências sérias devem seguir-se.
A integridade do futebol exige que os clubes não possam simplesmente tratar infrações como algo resolvido com multas que mal afetam suas finanças.