Três formas como Carrick fez Amorim parecer mal, enquanto o doloroso negócio duplo do Man Utd agora pode ser evitado
Michael Carrick teve um início perfeito no comando do Manchester United, e algumas de suas decisões têm deixado o antecessor Ruben Amorim em má posição.
Carrick comanda o United até o fim da temporada após a demissão de Amorim em janeiro. Até agora, o técnico interino venceu os quatro jogos que disputou. Mas, para além dos resultados, algumas decisões com jogadores que poderiam ter saído ou que chegaram recentemente ao clube indicam que ele lidou melhor com certos casos do que Amorim.
Ficou claro que Amorim não estava a conduzir o United aos resultados esperados de um clube com essa dimensão. Agora, o que Carrick tem feito até aqui só reforça isso.
Analisamos mais de perto três decisões tomadas por Carrick até aqui que, francamente, deixaram Amorim em evidência negativa — com duas delas podendo evitar algumas saídas desnecessárias no mercado de transferências.
Uma das principais histórias dos últimos meses da passagem de Amorim foi sua recusa insistente em dar minutos adequados a Kobbie Mainoo.
Isso levou o meio-campista, revelado pela base do United, a querer deixar o clube na janela de transferências de janeiro, ciente de que seu lugar na seleção inglesa para a Copa do Mundo neste verão poderia estar em risco.
O United sempre foi contra a saída de Mainoo, mas a demissão de Amorim lhe deu um novo começo. Desde então, Carrick rapidamente o recolocou em um papel mais importante no meio-campo.
De fato, Mainoo não perdeu um minuto sequer desde a chegada de Carrick, e suas atuações — com duas assistências em quatro jogos — não deram a impressão de que essas foram suas primeiras partidas como titular na liga nesta temporada.
Amorim foi categórico ao dizer que não há um papel claro para Mainoo se tornar titular regular em seu sistema e rebateu a mídia pela suposta obsessão com o jogador.
Mas agora está claro que ele já tinha no elenco um trunfo valioso e não soube aproveitá-lo ao máximo.
Amorim poderia ter ajustado a sua tática para encaixar Mainoo, mas não considerou que valesse a pena. Felizmente para o United, o jogador de 20 anos está a recuperar o rumo e parece no caminho certo para sair por cima.
Do ponto de vista do clube, haverá satisfação por ter mantido a posição e não ter deixado Mainoo sair quando ele despertou interesse no mês passado.
O contrato dele expira no fim da próxima temporada, mas o United tem a opção de estender a permanência até 2028 e, como revelou recentemente Graeme Bailey, do TEAMtalk, pretende acelerar as conversas por um acordo de longo prazo.
Além de Mainoo, outro meio-campista talentoso que não se encaixava tão bem no esquema preferido de Amorim era Fernandes.
E, considerando que o capitão do clube ainda é amplamente visto como o seu melhor jogador, fica a dúvida sobre por que Amorim não encontrou uma forma de tirar mais do seu compatriota.
No esquema 3-4-2-1 ao qual Amorim se manteve rigidamente fiel, Fernandes ficou limitado ao atuar como parte da dupla de meio-campo mais recuada.
Desde que Carrick voltou ao 4-2-3-1, Fernandes reassumiu o papel mais familiar de camisa 10, como meia-atacante central. Desde então, não houve um jogo sequer em que Fernandes não tenha participado com gol ou assistência.
Fernandes está na mesma situação contratual de Mainoo: seu vínculo vai até o fim da próxima temporada, com opção de extensão para a campanha 2027-28.
A permanência de Fernandes segue em aberto, com a Saudi Pro League há tempos o identificando como uma contratação de destaque.
Uma sequência de jogos em sua posição mais eficaz e a prova de que ainda tem o necessário para render ali, diante da possível chegada de uma nova comissão no verão, podem influenciar qualquer decisão sobre seu futuro.
Mbeumo chegou ao United no verão para ocupar uma das duas vagas no meio-campo ofensivo no esquema 3-4-2-1 de Amorim, normalmente começando pelo lado direito.
Mas, desde o retorno da Copa Africana de Nações e após se juntar ao time de Carrick, Mbeumo passou a atuar mais adiantado e por dentro, assumindo a função de atacante.
Depois, ele marcou contra o Manchester City e o Arsenal, além do Tottenham (embora nesse jogo tenha atuado como ponta).
Mbeumo tem sido a melhor contratação de verão do United, mas mostrou que oferece mais ao seu jogo ao conseguir atuar de forma mais centralizada.
Resta saber se esse será o seu papel a longo prazo. Mas, com Benjamin Sesko, outra contratação do verão e reforço para o comando do ataque, ainda sem engrenar, Mbeumo pode dar ao United uma ameaça maior na frente.