slide-icon

Tottenham encara o abismo após estas decisões catastróficas

Não era para ser assim. Nem no domingo, nem nesta temporada. O Tottenham Hotspur está em queda livre, despencando sem paraquedas e torcendo para que o West Ham amorteça a aterrissagem. O risco de rebaixamento é real.

Dizia-se que a campanha de 2025-26 seria a temporada em que o Spurs realmente daria o salto. O título da Liga Europa era visto como a plataforma para novos sucessos. Finalmente haviam vencido. Mas a que custo? Ange Postecoglou saiu, e Thomas Frank chegou. Uma mão firme no comando, ou assim parecia.

Mérito do dinamarquês: o início foi promissor. O Tottenham fez jogo duro contra o campeão da Liga dos Campeões, o PSG, na Supercopa e ficou a minutos de conquistar seu segundo troféu europeu em três meses. Também venceu Manchester City e West Ham com autoridade nas primeiras semanas e começou bem sua campanha na Liga dos Campeões ao bater o Villarreal por 1 a 0 diante de sua torcida.

No entanto, tudo começou a desandar no início de novembro. O desempenho do Spurs em casa já vinha sendo questionado. A única vitória na liga nos quatro primeiros jogos no Tottenham Hotspur Stadium foi logo na primeira rodada da temporada, contra o Burnley. Foi preciso um gol de empate tardio de João Palhinha contra o lanterna Wolves para evitar derrotas nos três jogos seguintes.

Tentando reagir, Frank pediu apoio da torcida no duelo contra o Chelsea, mas o Tottenham fez uma de suas piores atuações da temporada e aumentou as dúvidas sobre Thomas Frank.

doc-content image

Abrir imagem na galeria

Xavi Simons, Cristian Romero e Pape Matar Sarr aparecem abatidos após o Spurs perder em casa para o Forest (AFP via Getty Images)

Depois daquele dérbi londrino nada memorável, o Spurs só entrou em queda.

Desde o início de novembro, o Tottenham venceu o mesmo número de equipes alemãs e inglesas. Isso seria até perdoável se os Spurs disputassem a Bundesliga.

Frank foi demitido no mês passado, sem surpresa. Em seu lugar chegou Igor Tudor, o homem das missões de resgate. Especialista em assumir interinamente, ele já salvou a Udinese duas vezes e levou Lazio e Juventus às competições europeias com arrancadas finais de temporada. Os torcedores ainda não viram o melhor de Tudor. A verdade é que provavelmente nunca verão.

doc-content image

Abrir imagem na galeria

Tottenham-Tudor de luto (AP)

A derrota por 3 a 0 para o Nottingham Forest, no domingo, foi a quinta do Spurs em sete jogos sob seu comando. A equipe já perdeu para Arsenal, Fulham, Crystal Palace e agora para o Forest em um confronto direto contra o rebaixamento. A única vitória foi por 3 a 2 sobre o Atlético de Madrid na Liga dos Campeões. Ainda assim, o Spurs perdeu o duelo em dois jogos por 7 a 5 no agregado. Ganhou a batalha, mas perdeu a guerra.

Com sete jogos por disputar, o Spurs está à beira do abismo. O domingo deveria marcar a virada. Na semana passada, a equipe arrancou um empate dramático contra o Liverpool, e a vitória em casa sobre o Atlético veio na sequência como um importante impulso moral.

Mas, como o Tottenham tem descoberto repetidamente nesta temporada, a Premier League e a Liga dos Campeões são realidades bem diferentes. A equipe londrina venceu os cinco jogos europeus em casa nesta temporada, mas triunfou apenas duas vezes diante de sua torcida na elite inglesa. Apenas o Sheffield Wednesday, sob administração judicial e punido com duas deduções de pontos, tem campanha caseira pior do que a dos Spurs nas quatro principais divisões do futebol inglês.

doc-content image

Abrir imagem na galeria

(Getty)

Na verdade, o Tottenham deve ter recebido bem a pausa para jogos internacionais, nem que seja para aliviar a intensidade implacável da temporada. É uma oportunidade para avaliar a situação delicada em que o clube se encontra. Anos de investimento insuficiente, cortes de custos e má gestão finalmente estão cobrando seu preço no Spurs. A saída de Daniel Levy deveria inaugurar uma nova era sob o comando da família Lewis. Mas certas coisas não mudam. A ENIC esgotou sua paciência com a torcida.

As nomeações de Vinai Venkatesham e Johan Lange já geravam dúvidas no papel. Na prática, podem ter sido as piores da história do clube. E, com Tudor improvável de assumir a tempo da viagem a Sunderland no próximo mês, a pergunta que todos fazem é: o que vem a seguir para o Tottenham?

É uma pergunta que poucos, ou ninguém, conseguem responder: se Tudor sair, quem assume? E como resolver a atual crise do clube? A derrota para o Forest ampliou para 13 jogos a sequência sem vitórias do Spurs na liga, a pior em 91 anos, segundo a Squawka. Há algum ponto positivo para o clube?

doc-content image

Abrir imagem na galeria

(Getty)

O Tottenham ainda aguarda o retorno de jogadores importantes lesionados. Mohammed Kudus deve voltar após a pausa internacional. Os Spurs sentiram falta da sua explosão pelos lados do campo. Mesmo sem atuar desde o empate por 1 a 1 com o Sunderland, em janeiro, o ganês ainda é o quarto jogador com mais dribles certos (52) na Premier League nesta temporada.

Rodrigo Bentancur ao menos dará alguma experiência ao meio-campo quando se recuperar de uma lesão no tendão da coxa. Dito isso, há pouco em que se apoiar aqui.

Este é, sem dúvida, um Tottenham em sérias dificuldades. “Toda vez que vi uma luz no fim do túnel, geralmente era um trem vindo na direção contrária”, disse Postecoglou ao falar sobre a crise de lesões dos Spurs na temporada passada.

Ao menos o australiano tinha esperança. Para os torcedores do Spurs, não há nenhuma. O túnel mergulhou na escuridão e está levando a potência do norte de Londres direto para a Championship.

ArsenalNottingham ForestChampions LeaguePremier LeagueTottenham HotspurManchester CityWest HamChelsea