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Tottenham 1-3 Crystal Palace: Spurs dão uma aula de autodestruição e afundam ainda mais na crise de rebaixamento, escreve Matt Barlow – Igor Tudor tornou os londrinos do norte ainda mais caóticos e seus dias podem estar contados

Em tempos de Tudor, vão exigir que mais cabeças rolem. Com apenas três jogos no comando, o técnico interino parece ter tornado o Tottenham ainda mais caótico do que antes.

Três jogos, três derrotas. Depois de perder para rivais do norte e do oeste de Londres, foi a vez do sul, com o Crystal Palace empurrando o Spurs ainda mais para a briga contra o rebaixamento.

A equipe de Oliver Glasner agradeceu os três pontos, mas pouco precisou trabalhar: o time da casa ofereceu uma aula de autodestruição.

Ao intervalo, era difícil acreditar que o Spurs tivesse aberto o placar aos 34 minutos. Dominic Solanke marcou após um cruzamento rasteiro de Archie Gray, pouco depois de escapar de uma revisão do VAR, e o barulho foi ensurdecedor no Tottenham Hotspur Stadium.

Quatro minutos depois, Micky van de Ven foi expulso por puxar Ismaila Sarr quando ele saía cara a cara com o goleiro. Sarr converteu o pênalti e o pânico se instalou.

O treinador interino Igor Tudor apenas observou da linha lateral, com um olhar perdido, aparentemente sem entender no que se tinha metido. Tudo indica que há muito pouco que possa fazer para travar esta queda.

A temporada do Tottenham continua em declínio após derrota por 3 a 1 para o Crystal Palace na quinta-feira

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A passagem de Igor Tudor pelo comando do Spurs registra três derrotas em três jogos e um time ainda mais desorganizado

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Micky van de Ven (centro) foi expulso no primeiro tempo pelo Spurs após falta em Ismaila Sarr

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A questão é: há alguém capaz de resolver? Harry Redknapp como salvador? Bem, dificilmente poderia ficar muito pior.

O Palace brincou com o Spurs no resto do primeiro tempo. Adam Wharton e Daichi Kamada dominaram o meio-campo. Os jogadores de branco atuaram como se estivessem petrificados — lembrando a Inglaterra contra a Islândia, paralisada pelo medo.

Mathys Tel, que havia começado bem a partida, errou um passe para Pape Matar Sarr, permitindo que Evan Guessand recuperasse a bola. Guessand acionou rapidamente Wharton, que enfiou para Jorgen Strang Larsen finalizar e marcar.

O Tottenham precisava do intervalo naquele momento, mas o Crystal Palace voltou a marcar quando oito minutos de acréscimos foram assinalados.

Mais uma vez, um golo de simplicidade desconcertante diante de uma linha defensiva a três composta por Pedro Porro, Ken Danso e João Palhinha.

Com assistência de Wharton, Sarr, do Palace, marcou o seu segundo gol. Ele teria completado um hat-trick ainda no primeiro tempo, não fosse uma marcação de impedimento milimétrica quando o jogo ainda estava sem gols.

Sarr arrancou para receber o passe de Guessand e, de ângulo fechado, finalizou rasteiro; a bola desviou em Porro na tentativa desesperada de bloqueio, encobriu o goleiro Guglielmo Vicario, que estava fora de posição, e morreu no poste mais distante.

Houve uma longa paralisação do VAR enquanto os torcedores do Palace cantavam “isso não é mais futebol”, e foi difícil discordar quando o árbitro Andy Madley anulou o gol e a imagem apareceu no telão.

Ambos os pés de Sarr estavam atrás da bola, mas ele se inclinou para a frente e a testa ultrapassou a linha animada do impedimento.

Parecia uma saída quando Gray e Solanke, dois dos poucos a saírem com algum crédito, combinaram para marcar, mas o cartão vermelho de Van de Ven — semelhante ao mostrado a Maxence Lacroix, do Palace, em Old Trafford no domingo — foi o catalisador do colapso.

Quando soou o apito do intervalo, restavam poucos torcedores do Spurs em seus lugares. Alguns não voltaram. Os que permaneceram vaiaram os jogadores na saída para o túnel. Parte da West Stand direcionou sua ira ao diretor-executivo Vinai Venkatesham, no camarote.

Tudor voltou a mexer no time antes do jogo. Foram quatro alterações na equipe que ele havia acusado de ‘faltar em todos os aspectos’ diante do Fulham, no domingo.

Houve mais uma mudança tática, com o abandono do 4-4-2 e o retorno à linha de três defensores utilizada em sua estreia, com a defesa posicionada extremamente recuada.

A ansiedade do momento, com a vitória do West Ham fora de casa sobre o Fulham e o ponto inesperado do Nottingham Forest no Etihad contra o Manchester City, empurrou o Spurs para perto da zona de rebaixamento. Isso refletiu-se em campo. A primeira meia hora foi muito desconexa, embora o Palace tenha sido superior. Wharton testou Vicario logo no primeiro minuto.

Souza, que fazia sua primeira partida como titular desde que chegou do Santos em janeiro, teve um início desastroso de 10 minutos até que uma entrada dura e atrasada deixou Daniel Muñoz caído no gramado.

Muñoz tentou continuar, mas lesionou o ombro na queda e saiu com dificuldade pelo túnel quando ainda não tinham sido jogados 15 minutos. A sua saída deu algum alívio a Souza, até este ser substituído antes do intervalo, com Tudor a reorganizar a equipa após o cartão vermelho a Van de Ven.

O Spurs voltou mais competitivo. Tudor parecia ter conseguido passar a mensagem. A equipa lutou, ganhou escanteios e colocou os visitantes sob pressão.

A linha defensiva desfalcada e inexperiente do Palace resistiu onde o Spurs falhou. Quando foi superada, Henderson manteve-se firme. O guarda-redes da Inglaterra fez uma grande defesa a remate de Solanke num momento em que um golo teria reanimado o público da casa.

No fim, só a torcida visitante se divertiu, provocando o Spurs com cantos sobre rebaixamento e a perspectiva de uma visita a Millwall — se o Millwall não subir, claro.

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