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Análise de Bournemouth 1 x 1 Aston Villa: os Cherries encontraram seu próximo grande talento, e isso já ficou claro após apenas dois jogos — mas os visitantes correm o risco de fracassar na briga por uma vaga na Champions League

Quem era mesmo o jogador que o Bournemouth vendeu recentemente ao Manchester City? Antoine... como é o nome? Ah, sim, Semenyo. E quem precisa dele por aqui quando há uma nova sensação adolescente brasileira para entusiasmar a torcida?

Rayan, titular pela primeira vez desde a transferência de £25 milhões do Vasco da Gama, marcou um golaço de empate e garantiu um ponto para o Bournemouth em um duelo eletrizante contra o Aston Villa — embora pudesse ter sido mais.

O jogador de 19 anos acertou o travessão de cabeça antes, e o goleiro do Villa, Emi Martínez, negou Ryan Christie duas vezes no fim para manter tudo igual, em duas das 20 finalizações que choveram sobre seu gol.

Ainda é cedo, claro, mas fica a sensação de que o Bournemouth conseguiu repetir a façanha. Depois de perder três quartos da sua defesa titular no verão, a equipa teve o melhor arranque de sua história em uma temporada da Premier League.

Quando venderam Dominic Solanke no ano anterior, Evanilson assumiu a responsabilidade. Agora, após negociarem Semenyo, principal fonte de gols da equipe, por mais de £60 milhões, surge o substituto: um adolescente desconhecido, contratado por menos da metade desse valor.

Uma assistência na estreia na semana passada e agora um gol aqui: ele partiu para cima de um apático Lucas Digne antes de fuzilar Martinez.

O Bournemouth parece ter descoberto outra joia em Rayan, de 19 anos, contratação de £24,7 milhões

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Ele deu uma assistência em sua primeira aparição e marcou na primeira vez como titular para mostrar que pode substituir Antoine Semenyo

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Em contraste, o Villa pouco produziu, tirando um bom momento no primeiro tempo, quando Morgan Rogers abriu o placar com um chute forte após boa tabela com Jadon Sancho.

A equipe de Unai Emery, afetada por uma crise de lesões no meio-campo, mostrou falta de ritmo e teve a cara de um time que venceu apenas um dos últimos cinco jogos da liga, com Manchester United e Chelsea se aproximando cada vez mais.

Apesar da combatividade de Douglas Luiz e Amadou Onana, este último com bloqueios decisivos, faltou a precisão de Youri Tielemans.

Ollie Watkins também mal teve chances ao começar no lugar de Tammy Abraham: somou apenas um toque na área e teve um gol de oportunismo anulado por impedimento claro após errar o tempo da corrida.

O Aston Villa produziu pouco, mas Morgan Rogers voltou a marcar e mostrou sua qualidade

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Repetidamente, o Bournemouth tentou explorar a linha alta do Villa com bolas nas costas da defesa e por cima, e ninguém esteve tão perto de aproveitar quanto outra promessa adolescente, Junior Kroupi, que brilhou mais uma vez.

Duas vezes ele disparou em velocidade e encobriu Martínez, mas na primeira Konsa salvou em cima da linha e depois foi assinalado um impedimento milimétrico; na segunda, a bola entrou, mas o gol foi anulado.

Com Rayan ao seu lado, o Bournemouth tem muito com que se entusiasmar — agora só precisa encontrar uma forma de transformar essas atuações em vitórias.

Após uma participação de 13 minutos contra o Brentford, Harvey Elliott desapareceu dos planos. Emery se recusa a utilizar o jogador emprestado pelo Liverpool por causa de uma cláusula que obriga o Aston Villa a contratá-lo por £35 milhões no verão caso ele complete 10 partidas.

Emery quer colocá-lo em campo, não quer contratá-lo em definitivo e agora quer que o Liverpool retire a obrigação de compra no verão.

Harvey Elliott não foi visto em lado nenhum (na foto, em janeiro) — o jogador de 22 anos está a ser usado como moeda de troca entre Aston Villa e Liverpool

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O Villa tinha concordado com o acordo desde o início. Agora, o Liverpool vê desvalorizar um jogador pelo qual não conseguirá £35 milhões se ele não voltar a atuar nesta temporada, mas que talvez também não queira ver em campo por um rival do top 4, que agora pretende voltar atrás em um acordo que assinou.

Assim, o impasse continua e todos saem a perder — especialmente um jovem de 22 anos, sem poder de reação, cuja carreira está sendo usada como moeda de troca em uma disputa de poder financeiro.

Quando se vê jogadores tratados dessa forma, dá para entender por que atletas como Alexander Isak endurecem nas negociações para definir o próprio futuro quando têm a oportunidade.

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