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A simetria devastadora de como País de Gales e Irlanda ficaram fora da Copa do Mundo de 2026

Parecia uma autêntica visão dupla: não só no fim do tempo regulamentar, mas também no drama das disputas por pênaltis. Estavam dentro, depois fora; voltavam a entrar, depois saíam de novo. As reviravoltas, de uma tela para outra, prenderam a atenção. No fim, porém, País de Gales e República da Irlanda não farão o confronto decisivo dos play-offs por uma cobiçada vaga nos Estados Unidos neste verão.

Foi um desfecho doloroso para as duas seleções. O País de Gales, diante da Bósnia e Herzegovina no caldeirão de Cardiff, parecia ter o jogo sob controle após o golaço de Dan James. A Irlanda ainda mais: vencia por 2 a 0 e dominava o primeiro tempo. No fim, porém, tudo desmoronou de uma forma com a qual os torcedores desta parte do mundo já estão acostumados.

Com a derrota da Irlanda do Norte por 2 a 0 para a Itália, as três seleções britânicas que disputavam os play-offs na noite de quinta-feira não conseguiram garantir a vaga decisiva para a terça-feira. Havia uma possibilidade real de que o torneio deste verão fosse a primeira Copa do Mundo em 40 anos com três nações britânicas em competição, desde Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte no México de 1986. No fim, serão apenas duas.

Para País de Gales e Irlanda, de forma quase inexplicável, a eliminação aconteceu em uma simetria devastadora. Ambos sustentavam com dificuldade uma vantagem de um gol nos minutos finais, e sofreram os gols de empate aos 86 minutos, com apenas 36 segundos de diferença.

A Irlanda, depois de recolocar a Chéquia no jogo com um puxão desnecessário na camisa de Ryan Manning dentro da área no primeiro tempo, voltou a vacilar numa cobrança de falta no primeiro poste, e o zagueiro do Wolves Ladislav Krejci apareceu com força para marcar.

Pressionado ferozmente pela Bósnia nos 20 minutos finais, o País de Gales permitiu de forma inexplicável que Edin Dzeko — capitão bósnio e ainda decisivo aos 40 anos — subisse livre no primeiro poste após um escanteio fechado. O goleiro Karl Darlow, que havia sido excelente durante a partida, passou longe da bola ao sair do gol nesse lance. No fim do tempo regulamentar, o empate aos 90 minutos já parecia satisfatório para os galeses.

Até mesmo os 30 minutos da prorrogação — embora os pênaltis parecessem quase inevitáveis — refletiram paralelos entre as duas seleções. Ambas terminaram por cima, prontas para levar qualquer embalo possível para a temida disputa por pênaltis diante da impossibilidade de um gol decisivo. E, na metade da série de cobranças, as duas estiveram em vantagem.

Karl Darlow e Caoimhin Kelleher fizeram grandes defesas na disputa por pênaltis: o número 1 do País de Gales logo no início e o número 1 da Irlanda no terceiro pênalti. Isso estava mesmo acontecendo? A paixão das nações da casa certamente estaria em alta, forte e orgulhosa, em Cardiff e Praga nesta noite, certo?

Azaz e Browne desperdiçaram para a Irlanda, e Jan Kliment classificou a República Tcheca para enfrentar a Dinamarca em casa dentro de cinco dias. País de Gales também falhou em seus dois últimos pênaltis, antes de Kerim Alajbegovic marcar e colocar a Bósnia diante da Itália, tetracampeã, sonhando com sua primeira Copa do Mundo desde 2014.

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Edin Dzeko empatou para a Bósnia aos 86 minutos (Getty Images)

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Ladislav Krejci marcou o gol de empate da República Tcheca e levou a decisão para a prorrogação e os pênaltis (Adam Davy/PA Wire)

"Com 20 minutos ainda por jogar, paramos de jogar e não podemos fazer isso, mesmo que fosse compreensível", disse depois Craig Bellamy, técnico do País de Gales, visivelmente abatido. "Foi uma grande lição para nós. Precisávamos controlar o fim do jogo com a bola."

O treinador da Irlanda, Heimir Hallgrimsson, também lamentou a forma como o jogo se desenrolou: "Só dor. É só isso que sentimos. Quando se chega tão longe, obviamente tudo depende da sorte ou do cara ou coroa. Por isso, o que sentimos é apenas dor, claro, por termos ficado tão perto. Não foi um bom jogo de futebol. A partida nunca esteve sob controlo."

Assim, o sonho de 2026 acabou para País de Gales e Irlanda. O golpe será mais duro para os irlandeses, depois da campanha heroica que os levou até esta fase com vitórias dramáticas sobre Portugal e Hungria. O atacante Troy Parrott, autor de dois pênaltis na noite passada, merecia mais e saiu inconsolável. Pelo lado galês, Harry Wilson também assumiu com brilho a responsabilidade por sua seleção ao longo do último ano.

Ainda assim, os dois países receberão na terça-feira o jogo que ninguém queria. Para garantir a preparação adequada dos estádios e a logística necessária, a Uefa determinou que os derrotados de cada confronto do grupo se enfrentassem de qualquer forma: o País de Gales receberá a Irlanda do Norte, e a Irlanda receberá a Macedônia do Norte em Dublin. Serão os amistosos internacionais mais penosos de todos.

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