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Queda de rendimento de Saka: chegou a hora de Arteta mudar as coisas?

A pausa internacional pode ter chegado na hora certa para o Arsenal.

A derrota para o Manchester City na final da Copa da Liga tirou parte do brilho de uma temporada que segue muito promissora e, embora o time de Mikel Arteta ainda lidere a Premier League com seis pontos de vantagem — assumindo que o City vença seu jogo a menos —, há a sensação de que este é um momento para parar, se reorganizar e voltar a focar.

Porque, para o Arsenal, a prioridade é clara: a disputa pelo título é tudo.

Esse contexto torna as próximas semanas particularmente intrigantes, sobretudo porque Arteta parece ter um problema — e possivelmente uma solução — na mesma zona do campo.

Com Eberechi Eze lesionado justamente quando começava a ganhar ritmo após a chegada no verão, Martin Odegaard ainda lidando com problemas físicos recorrentes, Mikel Merino também fora e Ethan Nwaneri emprestado ao Marseille, o Arsenal de repente ficou sem opções para a função de camisa 10. Em um momento crucial da temporada, isso deixa uma lacuna criativa que precisa ser resolvida.

Uma possível solução para Arteta pode já estar à sua frente: Bukayo Saka.

Saka é o principal ponto de referência do ataque do Arsenal há várias temporadas, mas há sinais de que tanto ele quanto o sistema à sua volta podem se beneficiar de um pequeno reajuste. Colocá-lo por dentro, mesmo que temporariamente, não só ajudaria a preencher a lacuna atual, como também daria uma nova dimensão ao jogo do Arsenal, especialmente contra equipes cada vez mais preparadas para travá-lo pelo lado direito.

Isso também pode ser exatamente o que ele precisa, física e mentalmente.

Aos 24 anos, Saka já soma mais de 300 jogos pelo clube e está entre os jogadores mais jovens da história da Premier League a alcançar 200 partidas como titular. Essa resistência tem sido um grande trunfo, mas tem um custo, e há sinais nesta temporada de que a carga de jogos pode estar começando a pesar.

Seu rendimento caiu. Ele marcou seis gols no campeonato em 27 partidas, com nove participações em gols no total — bem abaixo das 25 que registrou em cada uma das duas temporadas anteriores. Desde a virada do ano, balançou as redes apenas duas vezes e, embora os números subjacentes indiquem que tenha tido um pouco de azar, a tendência geral é difícil de ignorar.

Nas últimas quatro temporadas, a soma de gols e assistências dele caiu dos picos consecutivos de 25 para 16 na última temporada e apenas nove até aqui nesta campanha. Em números por 90 minutos, sua produção ofensiva também teve queda acentuada.

Participações em gols de Saka na Premier League

Há razões claras para isso. O lado direito do Arsenal, antes um dos seus maiores pontos fortes, ficou desorganizado durante boa parte da temporada. A disponibilidade limitada de Odegaard desfez uma parceria fundamental, enquanto as mudanças atrás de Saka afetaram o ritmo e a fluidez que antes lhe davam mais liberdade.

Os adversários também se ajustaram, muitas vezes colocando dois ou até três jogadores para marcá-lo, o que obriga o Arsenal a buscar alternativas em outros setores.

Ainda assim, a importância de Saka continua evidente. O Arsenal vence cerca de 60% dos jogos da liga quando ele começa como titular, contra menos de 50% quando isso não acontece, além de marcar mais gols e somar mais pontos por partida com ele em campo.

Ele continua central, mas talvez de uma forma diferente.

Deslocar Saka para zonas interiores pode permitir que ele influencie os jogos com mais regularidade, recebendo a bola entre espaços em vez de ficar preso à linha lateral sob pressão constante. Isso também abriria espaço para outras opções pela direita, com Noni Madueke oferecendo uma alternativa mais direta e Max Dowman como apoio.

Não é uma solução perfeita, mas pode ser necessária diante das circunstâncias atuais.

Nada disso deve esconder o panorama geral. O Arsenal continua em posição forte, e uma vantagem de seis pontos nesta fase da temporada é significativa, mesmo com a visita ao Etihad marcada para abril. No entanto, a derrota em Wembley serviu de lembrete de que as margens seguem mínimas e que pequenos ajustes podem fazer a diferença decisiva.

Para Arteta, o desafio agora é atravessar este período com confiança, convicção e ainda mais flexibilidade. Nenhuma equipe da Premier League sofreu mais com lesões do que o Arsenal nesta temporada, mesmo antes do mais recente revés com Eze, e ainda assim o time segue na liderança. Para Saka, a questão pode ser adaptar seu papel e recuperar sua agudeza em um momento crucial da campanha.

Para o Arsenal como um todo, a questão é garantir que uma temporada muito boa se transforme em algo maior.

A oportunidade ainda existe, mas a forma como responderem após a pausa internacional vai definir se conseguirão aproveitá-la.

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