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Newcastle 2-1 Manchester United: equipe supera clara injustiça e impõe a primeira derrota ao time em má fase de Michael Carrick, em jogo que mostrou como o futebol segue maravilhosamente imprevisível: Ian Ladyman

Um gol para revitalizar uma equipe e talvez dar o pontapé inicial na temporada. Um gol para lembrar aos céticos que ainda há beleza a ser encontrada na Premier League.

O Newcastle não era suposto vencer este jogo. Não depois de ter um jogador — Jacob Ramsey — expulso injustamente por uma simulação que nunca existiu, momentos antes do intervalo. Quando o médio do Manchester United, Casemiro, empatou ao converter a penalidade cobrada por Anthony Gordon, marcada logo após o cartão vermelho, parecia inevitável que a equipa de Eddie Howe — em má fase recente — acabasse por ceder.

Apesar de todo o discurso exagerado sobre a queda do nível e do entretenimento, o futebol de elite continua maravilhosamente imprevisível. O Newcastle não só manteve a vantagem contra um United fraco e sem ideias, como marcou o gol da vitória no fim do segundo tempo, jogando com coragem e, de algum lugar, energia.

Foi quando um ataque do United se desfez aos 90 minutos que o Newcastle escreveu a linha final desta história de 98 minutos cheia de altos e baixos.

Kieran Trippier lançou o jovem suplente Will Osula pela direita e, depois de quase cair e conseguir manter a bola em jogo por muito pouco, o jogador de 22 anos cortou para dentro e, com o peito do pé esquerdo, colocou um remate magnífico no canto mais distante, de fora da área. O guarda-redes do United, Senne Lammens, nem chegou a mergulhar — e era difícil culpá-lo. O remate foi simplesmente bom demais. Na verdade, foi perfeito.

O caos instalou-se em St James’ Park, e não é surpresa. A decisão de expulsar Ramsey depois de ele cair após uma entrada de Lammens, no primeiro minuto do tempo de compensação da primeira parte, foi simplesmente errada.

Gol impressionante de William Osula nos acréscimos garantiu a vitória do Newcastle sobre o Manchester United

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Jacob Ramsey recebeu o segundo cartão amarelo por simulação em um lance controverso

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Derrota em St James' Park é a primeira de Michael Carrick desde que substituiu Ruben Amorim no United

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A partir do verão, com uma mudança nas regras, o VAR poderá rever cartões amarelos atribuídos por erro. Por agora, porém, o Newcastle teve de conviver com esta decisão e mostrou grande força mental para reagir e vencer um United que voltou a evidenciar as suas limitações, precisamente quando parecia que a porta da qualificação para a Liga dos Campeões estava escancarada.

O pênalti convertido por Gordon — assinalado após falta de Bruno Fernandes — veio quase imediatamente após a expulsão de Ramsey. Pouco depois, porém, Casemiro marcou de cabeça em uma cobrança de falta no primeiro pau, e o Newcastle parecia muito distante de um resultado positivo, com um longo segundo tempo ainda pela frente. A verdade é que a equipe continuou sendo superior. O United foi bastante fraco e, justamente quando começava a ameaçar adversários já cansados, o Newcastle saiu em contra-ataque para desferir o golpe fatal.

O Newcastle começou de forma intensa e objetiva, sem dar sinais da falta de confiança que parece ter afetado a equipa recentemente. Com Nick Woltemade totalmente ausente, alegadamente por doença, Gordon voltou a atuar pelo centro e foi uma ameaça constante. Ao seu redor, Harvey Barnes e, em alguns momentos, Anthony Elanga deram apoio, enquanto o brasileiro Joelinton teve uma presença física forte, arrancando desde trás. O United teve dificuldades para acompanhar o ritmo, mostrou-se desorganizado e talvez tenha tido sorte por o adversário não ter marcado mais cedo.

Trippier acertou a trave com um cruzamento para o segundo poste e Lewis Hall mandou o rebote de voleio por cima. Elanga finalizou de voleio no segundo poste para fora, enquanto Barnes teve tempo e espaço a 18 jardas, mas não acertou o alvo, assim como Sandro Tonali, que também falhou com um chute rápido de distância semelhante.

O United, apesar da boa fase recente, mostrou-se apático e sem intensidade. Bryan Mbeumo desperdiçou uma boa oportunidade, enquanto Kobbie Mainoo foi travado de longe por uma defesa espetacular de Aaron Ramsdale. Só quando o jogo ganhou temperatura e ficou mais fragmentado é que a equipe de Carrick passou a se impor de verdade.

Não faltaram decisões polémicas. Dan Burn acertou Luke Shaw com o cotovelo e, noutro dia, poderia ter sido expulso. Depois, Joelinton recebeu cartão amarelo e respondeu com aplausos sarcásticos ao árbitro Bankes, com as duas mãos acima da cabeça. Se Bankes tivesse visto o gesto, ele também poderia ter-se complicado.

É preciso dizer que Bankes nunca deu a impressão de ter o jogo totalmente sob controle. Não parecia que Ramsey tivesse simulado, e os replays mostraram que ele simplesmente caiu. Foi uma decisão chocante.

A resposta do Newcastle a tudo o que aconteceu momentos antes do intervalo foi impressionante. Gordon continuou a ser uma ameaça pela objetividade do seu jogo, embora tenha desperdiçado uma boa chance aos 65 minutos, ao finalizar de voleio para fora depois de uma jogada ensaiada de escanteio o encontrar livre no segundo poste, em frente à Gallowgate.

Houve também alguns lances de bola parada promissores e uma checagem do VAR por possível mão de Mainoo, corretamente descartada rapidamente.

O gol decisivo e dramático de Osula provocou cenas de euforia e garantiu uma vitória merecida do Newcastle

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O United fez alterações, mas não conseguiu engrenar. Também houve sinais de frustração, sobretudo de Fernandes e Matheus Cunha. Nenhum dos dois se destacou pela paciência, independentemente da qualidade que possuem.

A principal esperança da equipe visitante, ao entrar nos 15 minutos finais do tempo regulamentar, era que o Newcastle, com apenas dez jogadores, acusasse o cansaço. De fato, quando Ramsdale se abaixou para defender a cabeçada de Leny Yoro naquele momento, foi a primeira intervenção do goleiro do Newcastle desde que havia ido buscar a bola no fundo das redes algum tempo antes.

Um gol do United parecia possível. É o tipo de coisa que eles passaram a fazer sob o comando de Carrick. Mas não desta vez. Não para eles. O melhor time venceu.

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