Contagem regressiva de 100 dias para a Copa do Mundo de 2026 começa com grandes problemas fora de campo em destaque
Faltam 100 dias para a maior Copa do Mundo da história do futebol. O torneio ampliado para 48 seleções — com início em 11 de junho — também promete ser o mais controverso, o mais caro e o mais extravagante já realizado.
Do ponto de vista futebolístico, as tendências táticas serão mais importantes do que nunca, enquanto o calor e as condições climáticas nos Estados Unidos, no México e no Canadá terão um papel determinante.
Se o Mundial de Clubes servir de referência, prepare-se para atrasos provocados por tempestades e caos nas viagens, enquanto os espectadores no Reino Unido, assistindo de casa, provavelmente perderão a noção da hora do dia.
Já crescem os apelos por boicotes, com o presidente dos EUA, Donald Trump, assumindo um papel tão central ao lado do presidente da FIFA, Gianni Infantino.
É impossível imaginar, nas circunstâncias atuais, como o Irã poderia jogar em um país que está bombardeando o seu próprio povo. Isso deveria causar um profundo desconforto não apenas ao Irã, mas também a outras nações.
A Copa do Mundo é sempre apresentada como uma celebração, mas o mundo está à beira do colapso. É simplista e leviano demais dizer que o futebol vai resolver tudo e que basta seguir em frente.
É um torneio como nenhum outro. Já houve receios no passado — a segurança na África do Sul, a controvérsia do Qatar e até o facto de a Rússia ter recebido a Copa do Mundo de 2018 —, mas sediar o evento em três países levanta todo o tipo de debate sobre o impacto ambiental.
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Quando a bola finalmente rolar, as mudanças nas regras serão evidentes: escanteios e cartões amarelos passarão a fazer parte do escopo do VAR.
Veremos o uso de cronómetros de contagem decrescente para reduzir a perda de tempo em pontapés de baliza, lançamentos laterais e substituições. Não consigo perceber como é que alguém pode considerar isso algo negativo. A medida tem sido alvo de alguma ridicularização, já que a FIFA está, na prática, a "testá-la" no Mundial.
Quem se lembra do que aconteceu em 2018? Foi a primeira Copa do Mundo a utilizar o VAR. A implementação ocorreu sem grandes problemas, e desde então o árbitro de vídeo tem funcionado bem nos principais torneios.
Acredite se quiser: a Premier League levou mais um ano para implementar o VAR no futebol inglês na temporada 2019/20 — um atraso que refletiu claramente as diferenças entre o seu funcionamento nas Copas do Mundo e na elite nacional.
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A Copa do Mundo conta com os melhores árbitros em campo e nas centrais de vídeo. São os escolhidos de cada país — e isso fica evidente.
É por isso que, afinal, as mudanças farão bem ao futebol. Chega de cera e erros: a FIFA age rápido, ao contrário do ritmo de caracol da Premier League.
O que seria realmente negativo seria impor uma mudança na lei do impedimento à última hora. A proposta de Arsène Wenger de aplicar a nova "regra da luz do dia" será testada no Canadá.
Mais uma vez, por que não abraçar algo que torna o jogo mais atrativo e um espetáculo melhor, com mais gols? Especialmente num momento em que há tanta preocupação com a Premier League se tornar menos interessante. Ainda não está pronta. Mas é uma boa ideia.
Uma coisa é certa: o selecionador da Inglaterra, Thomas Tuchel, seguirá a tendência de apostar nas bolas paradas.
No calor dos Estados Unidos, isso será vital. Bola levantada na área, explorando as jogadas de bola parada. Declan Rice, Bukayo Saka e Reece James cobrando os escanteios. E então Dan Burn, grande presença na área, marcando de bola parada aos 97 minutos.
Não há dúvida de que as bolas paradas terão um papel decisivo. Mas quem acompanhou de perto o Mundial de Clubes — mesmo sob o calor de Nova Jersey nas semifinais e na final — viu um Chelsea atuando em ritmo extremamente alto e atropelando o Paris Saint-Germain, que foi pego de surpresa. Também acredito que veremos menos pressão alta e mais equipes atuando com dois atacantes.
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O que mais me dói é o impacto dos custos para os adeptos. São os adeptos que fazem qualquer torneio: a cor, o barulho e as memórias. Mas muitos estão a ser afastados pelos preços.
É fácil culpar os preços altíssimos dos ingressos. Mas, na realidade, concertos e eventos esportivos nos Estados Unidos custam mesmo tudo isso. De fato custam. Sem contar viagens e hotéis. Será uma Copa do Mundo cara.
A FIFA tentou enfrentar o problema com ingressos de entrada mais baratos. Com o passar do tempo e a aproximação do evento, seria excelente ver mais iniciativas, incluindo maior apoio para viagens e hospedagem. Se os torcedores ficarem longe em massa, o torneio estará morto.
Gosto do novo formato de sorteio e cabeças de chave ao estilo do ténis. Dá para ver claramente o caminho das seleções e traçar a rota da Inglaterra rumo ao título.
Eles vão chegar lá? Acho improvável. Mas Tuchel lhes dá uma chance. Assim como as bolas paradas. Escanteios e faltas podem ser palavras malditas no momento — mas podem ser aliadas da Inglaterra no verão.
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