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Manchester United mostram uma nova cara sob o comando de Michael Carrick, e Benjamin Sesko confirma a transformação

Quando o Manchester United procurava um salvador nesta temporada, optou por não recorrer ao seu maior super‑sub. Pode não ter Ole Gunnar Solskjaer no banco, mas parece ter em campo um sucessor em espírito. Benjamin Sesko ainda não foi titular sob o comando de Michael Carrick, mas saiu do banco para marcar três vezes — todos gols decisivos — garantindo cinco pontos extras.

Primeiro, o golo da vitória contra o Fulham; depois, o empate em West Ham; agora, o golo decisivo em Everton. Foi cedo pelos padrões de Sesko — aos 71 minutos, e não nos descontos, quando Jordan Pickford lhe negou o segundo —, mas pareceu mais uma prova da perspicácia de Carrick. O United mostrava-se previsível antes da sua chegada, sem inspiração nem uma referência no ataque. Sesko é o único verdadeiro número 9 do plantel e, mais uma vez, evidenciou o valor de uma presença na área.

Num jogo de poucos momentos emocionantes, o golo surgiu de uma jogada bem construída. O Everton, mais positivo na segunda parte, pode vir a lamentar ter avançado com demasiados jogadores, ficando exposto ao contra-ataque — a arma mais eficaz do United, tanto sob Carrick como sob Solskjaer.

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Sesko participou duas vezes da jogada. Ele fez o pivô para Matheus Cunha, que lançou um passe diagonal para acionar Bryan Mbeumo. Diante apenas de Michael Keane, Mbeumo cruzou rasteiro para Sesko, que havia percorrido 70 jardas para completar de carrinho. Foi o oitavo gol do esloveno pelo United. Ele tinha apenas dois quando Ruben Amorim foi demitido.

O United transformou-se desde então. Sob o comando de Carrick, somou 16 pontos em 18 possíveis, uma sequência que o coloca no caminho da Liga dos Campeões. Mesmo num jogo claramente morno, o resultado foi excelente para o United.

De certa forma, corrigiram parte dos estragos de uma das noites mais humilhantes de Amorim. Em novembro, o seu United foi inoperante diante do Everton com dez jogadores e perdeu em Old Trafford. O reencontro foi diferente, e não apenas porque Idrissa Gueye terminou a partida sem agredir um companheiro. O United foi pouco inspirado na maior parte do tempo, mas Carrick encontrou uma solução. As substituições bem-sucedidas têm sido uma marca de sua gestão — e não apenas as que envolvem Sesko.

Para um dos seus antecessores, foi um reencontro frustrante. David Moyes já viu o Everton chegar a sete jogos sem vencer no Hill Dickinson Stadium. A equipa ainda não bateu adversários de elite no seu estádio de luxo e, quando parecia mais ambiciosa do que o United, acabou por sofrer o golo.

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Raramente tinham levado perigo na hora anterior. Quase marcaram cedo, quando James Tarkowski salvou em cima da linha o remate de Amad Diallo aos quatro minutos, ainda que Pickford tenha amortecido o lance. Depois, Diogo Dalot acertou um meio-voleio de longa distância nas placas publicitárias e, após o intervalo, Mbeumo atirou por cima de ângulo apertado.

O United ofereceu pouca ameaça pelos flancos. O Everton não alinhou laterais de origem, utilizando um defesa-central que o United tentou contratar no passado, Jarrad Branthwaite, e um médio formado na academia de Old Trafford, James Garner, em cada lado da linha defensiva. O United não soube explorar a falta de rotinas dos dois nas respetivas posições. Perante isso, Carrick interveio, retirando Amad e lançando Sesko.

Moyes, naturalmente, não tinha um avançado de £73 milhões no banco — nem sequer na equipa. De facto, quando os adeptos do United entoaram o nome de Wayne Rooney, que assistia ao jogo, surgiu a sensação de que ambas as suas antigas equipas beneficiariam da sua presença em campo.

Thierno Barry quase marcou nos primeiros 10 segundos, sem sequer perceber, quando Senne Lammens acertou-lhe com um alívio. Depois disso, o belga segurou uma cobrança de falta de Garner, bem batida, mas de pelo menos 30 metros.

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Ainda assim, o primeiro tempo foi péssimo. Embora o United tenha tido mais posse de bola, ambas as equipes perderam a bola no meio-campo com uma frequência impressionante, como se fosse uma disputa para ver quem entregava a posse mais rápido.

O segundo tempo foi melhor. Com menos de 30 segundos, Lammens fez uma defesa em finalização de Harrison Armstrong, após uma boa jogada do Everton que teve a participação de Iliman Ndiaye e Kiernan Dewsbury-Hall. Na busca pelo empate, o belga foi exigido por Keane, com um chute potente de longa distância, e, nos acréscimos, pelo suplente Tyrique George.

O Everton teve escanteios e pressão, mas sem efeito. A defesa do United, sem o lesionado Lisandro Martínez, resistiu. A linha de quatro, com Leny Yoro saindo do esquecimento, cumpriu a sua missão depois de o atacante que saiu do banco fazer a dele. Foi mais um capítulo do espetáculo de Sesko, e o United não se cansa do enredo.

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