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Sem plano, sem reação e sem saída: o que vem a seguir para o Tottenham em crise após mais um colapso?

E agora? Enquanto a diretoria do Tottenham avalia se a demissão emergencial de Igor Tudor será necessária para evitar a ameaça muito real de um humilhante rebaixamento à Championship, os 58 mil torcedores que assistiram à mais recente — e talvez mais condenatória — derrota desastrosa do clube agora se veem em um dilema.

Eles já tentaram abandonar o estádio — tanto de forma organizada quanto por impulso, no intervalo de uma derrota particularmente desastrosa para o Crystal Palace há pouco mais de duas semanas. Ao longo de uma campanha desastrosa, manifestaram repetidamente e em voz alta a sua revolta. Agora, a última cartada não arrancou qualquer reação de jogadores apáticos.

Cerca de 10 mil torcedores do Tottenham fizeram uma recepção eufórica aos dois ônibus da equipe na chegada à Tottenham High Road, em uma cena normalmente reservada a desfiles de título. Torcedores subiram em pontos de ônibus, se penduraram em postes e tomaram as ruas com sinalizadores azuis e brancos em uma tentativa em vão de inspirar o time.

“Todos juntos, sempre”: essa foi a mensagem de união transmitida pelos torcedores do Tottenham após atuações animadoras contra Liverpool e Atlético de Madrid na última semana. A luta para evitar a queda para a segunda divisão foi considerada importante demais para que a revolta recente, ainda que plenamente justificada, atrapalhasse essa missão.

Para uma torcida já castigada, que viu apenas uma vitória do Spurs em casa na Premier League desde a rodada de abertura, a postura foi admirável. Cantou, apoiou e pediu uma reação que nunca veio. Em vez disso, teve de suportar uma atuação sem alma contra um rival direto na luta contra o rebaixamento, resultado que torna mais provável do que nunca o fim da passagem do Spurs pela elite diante de uma sequência de 13 jogos sem vencer no campeonato. E agora, o que os torcedores fazem?

Essa foi uma pergunta que não pôde ser feita a Tudor, que não compareceu aos compromissos com a imprensa após a partida depois de ter sido informado, segundo relatos, sobre a morte de um familiar próximo. Em sua ausência, o auxiliar técnico Bruno Saltor disse: “Os torcedores foram extraordinários desde o primeiro minuto, quando estávamos chegando, até o último.”

"Eles ficaram, mostraram seu apoio. Foi um momento bastante emocionante para todos no ônibus [antes da partida]. É disso que precisamos porque, agora, todos nós temos o mesmo objetivo: lutar até o fim da temporada e permanecer na Premier League, como este clube merece."

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O estádio esvaziou rapidamente enquanto o Spurs era condenado a mais uma derrota (Getty Images)

Ao fim de uma vitória tão importante para a luta do Nottingham Forest contra o rebaixamento quanto potencialmente devastadora para o Tottenham, havia mais assentos vazios do que ocupados no estádio. O mais recente êxodo em massa veio após o terceiro gol dos visitantes, marcado por Taiwo Awoniyi a três minutos do fim do tempo regulamentar, depois dos gols de Igor Jesus e Morgan Gibbs-White. Em seguida, vieram as habituais vaias no apito final.

Foi um resultado à altura de uma atuação verdadeiramente apática no segundo tempo, mas não de quem pagou para assistir. Em grande parte das últimas duas temporadas, o som predominante no Tottenham Hotspur Stadium tem oscilado entre um silêncio ensurdecedor e vaias indignadas — e nenhum deles sem motivo. Na maior parte desta partida, mesmo depois de ficar dois gols atrás, os torcedores deixaram a frustração de lado e cantaram sem parar, sem qualquer efeito.

As críticas vão recair sobre um treinador que supostamente prospera em situações difíceis, mas que agora somou apenas um ponto em cinco jogos na Premier League.

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Houve, no entanto, motivo para celebração para Vitor Pereira, com o Forest a afastar-se aos poucos da zona de despromoção (Bradley Collyer/PA Wire)

Diante da falta de criatividade do Spurs, evidente apesar do longo tempo passado no campo do Forest, surpreendeu que Xavi Simons só tenha saído do banco aos 67 minutos. O holandês havia sido um dos destaques na vitória no meio da semana sobre o Atlético de Madrid — insuficiente para evitar a eliminação na Liga dos Campeões —, mas Tudor optou por não escalá-lo desde o início. A atuação coletiva do Tottenham foi tão fraca que é difícil imaginar que um único jogador pudesse ter mudado muita coisa.

Qualquer sinal de um plano coeso parecia totalmente ausente; houve pouca organização e nenhum caminho claro para vencer a partida. O Forest não dominou nem de perto tanto quanto o placar pode sugerir, mas não precisou.

O gol de cabeça de Jesus, já nos acréscimos do primeiro tempo, saiu depois de um início em que o Spurs teve oito escanteios a favor. Os donos da casa ainda acertaram o travessão duas vezes antes do intervalo, em um desvio defensivo errado de cabeça de Jesus e em um chute de longa distância de Mathys Tel.

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O Forest estava no controle do jogo antes de Awoniyi confirmar os três pontos no fim (AFP via Getty Images)

Mas, se era esperada uma reação forte após o intervalo, aconteceu o contrário: a equipe de Tudor ficou cada vez mais desorganizada. Pouco depois da marca de uma hora, uma bola cruzada para a área do Tottenham encontrou Morgan Gibbs-White completamente sem marcação, e ele finalizou firme para o gol.

Quando Awoniyi marcou o terceiro de perto, qualquer esperança já havia acabado. O Forest conquistou com tranquilidade sua primeira vitória na Premier League desde janeiro, enquanto o Spurs segue sem vencer na liga neste ano.

"Foi uma boa semana para nós", disse o técnico do Nottingham Forest, Vitor Pereira, cuja equipe avançou às quartas de final da Liga Europa na quinta-feira e agora está três pontos acima da zona de rebaixamento. "Isso é bom para a confiança, porque precisamos acreditar em nós mesmos. Trata-se do que queremos ser como equipe. Estamos vivos, comprometidos e prontos para lutar."

Agora pairam sérias dúvidas sobre se Tudor terá a oportunidade de recuperar o ânimo de um Tottenham em crise após a pausa internacional. Saltor insistiu que a comissão técnica “sente o apoio de todos no clube”. Se isso já não incluir os torcedores, quem poderia culpá-los?

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