Manchester United passa no primeiro verdadeiro teste de caráter, enquanto empate com o Bournemouth evidencia a reviravolta sob o comando de Carrick
Pode parecer estranho, mas este talvez fosse o tipo de jogo que Michael Carrick esperava. O Manchester United registou apenas o segundo empate da sua nova passagem no comando, ao ficar no 2 a 2 com o Bournemouth em um duelo cheio de emoção. Embora o técnico interino tenha somado apenas um ponto, a partida lhe trouxe lições importantes.
A segunda passagem interina de Carrick tem sido excelente até agora: o United somou 25 dos 30 pontos possíveis nos seus primeiros 10 jogos no comando. Houve uma vitória memorável sobre o Arsenal, uma grande atuação no triunfo sobre o Manchester City e um gol decisivo dramático no fim contra o Fulham. Também houve exibições mais batalhadas, com destaque para a vitória fora de casa sobre o Everton.
No entanto, o que ainda não se tinha visto até hoje era uma verdadeira demonstração de caráter sob pressão. Faltava um teste real para mostrar a ele — ou mesmo ao próximo técnico do United — em quem se pode confiar quando a equipe está contra a parede. Custou dois pontos, mas Carrick pode estar satisfeito por finalmente ter essa resposta.
O jogo do primeiro turno em Old Trafford, em dezembro, rendeu uma das partidas da temporada, com um brilhante empate por 4 a 4, e embora este não tenha sido um festival de gols como o de alguns meses atrás, foi um duelo igualmente envolvente no Vitality Stadium.
Embora o jogo tenha ido empatado para o intervalo, a segunda etapa ganhou intensidade rapidamente, com Matheus Cunha passando por dois defensores antes de ter a camisa puxada na área.

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O jogo impôs um teste diferente à equipe de Carrick, que viu Harry Maguire ser expulso aos 78 minutos (Getty Images)
Era a vez de Fernandes marcar, em vez de assistir, e ele não desperdiçou o convite ao converter o pênalti com tranquilidade diante de Djordje Petrovic para fazer 1 a 0. No entanto, a vantagem durou apenas seis minutos, até Ryan Christie completar com categoria para empatar. O United considerou que deveria ter tido outro pênalti instantes antes do gol, após Amad ser derrubado na área por Truffert, mas o VAR mandou seguir.
A decisão será controversa, com Carrick dizendo depois que foi "difícil de entender", mas o treinador do United estará mais preocupado com aquilo que pode controlar. Sua equipe reagiu bem no início para retomar a liderança, com mais um excelente escanteio de Fernandes causando confusão na área e Hill marcando contra a própria meta.

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Fernandes voltou a ser o protagonista ao marcar o primeiro do United e dar a assistência para o segundo (PA Wire)
No lance que acabou por definir o jogo, Harry Maguire vacilou na defesa e derrubou Evanilson quando o brasileiro seguia isolado. O internacional inglês recebeu cartão vermelho direto, e Eli Junior Kroupi converteu o pênalti com confiança.
Depois de abrir 2-1 e parecer confiante, o United viu o Bournemouth buscar o 2-2 e ainda teve de encarar cerca de 20 minutos diante de um adversário em alta. Os Cherries já vinham jogando bem quando as duas equipes ainda estavam com 11 em campo e, em vários momentos, igualaram as ações contra o United, dando a sensação de que poderiam aproveitar a oportunidade.
No entanto, não aconteceu. Os Cherries chegaram a empurrar os visitantes para trás em alguns momentos, mas não conseguiram manter uma pressão consistente, mesmo com nove minutos de acréscimos. Jogadores-chave do United apareceram para travar os ataques do Bournemouth e manter a posse de bola, e os visitantes talvez tenham criado as melhores chances à medida que a partida se aproximava do apito final.
Bem diferente dos tempos de Ruben Amorim, quando um United sob qualquer pressão acabava inevitavelmente por ceder. E, embora Carrick mereça parte do crédito, alguns de seus jogadores seguem aparecendo em momentos decisivos, com vários dos nomes de sempre voltando a fazê-lo no Vitality.

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Maguire recebeu cartão vermelho direto por derrubar Evanilson na área e impedir uma clara oportunidade de gol (PA)
Carrick já foi o ‘Sr. Confiável’ do United, e alguns de seus jogadores parecem assumir esse papel na equipe atual. Casemiro e Mainoo se tornaram dois dos atletas mais importantes do United, ambos praticamente indispensáveis, embora o segundo mal tenha sido utilizado no fim da passagem de Ruben Amorim.
Embora Casemiro tenha recebido os elogios recentemente por uma sequência de gols, Mainoo segue como uma opção sólida no meio-campo, quase sempre tomando a decisão certa com a bola. Com apenas 20 anos, ele ainda pode alcançar muito em nível de clube e de seleção, especialmente se tiver ao seu lado um jogador de perfil diferente caso Casemiro deixe o time nesta temporada.
O parceiro da dupla no meio-campo segue na disputa pelo prêmio de Jogador da Temporada da liga, com Bruno Fernandes contribuindo desta vez com um gol, embora tenha ficado sem a assistência oficial, já que seu escanteio acabou sendo desviado de cabeça para a rede por um jogador do Bournemouth.
Luke Shaw fez vários desarmes e interceptações decisivos ao longo da partida, enquanto Leny Yoro e Ayden Heaven mostraram segurança à medida que o jogo avançava, em um cenário claramente exigente para jogadores de apenas 20 e 19 anos, respectivamente.

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Vários jogadores do United se destacaram em uma atuação que trouxe lições valiosas para o futuro (Andrew Matthews/PA Wire)
No ataque, os reforços de verão vinham sendo elogiados pelas contribuições em gols, mas Cunha se destacou ao longo de toda a partida pela capacidade de dar continuidade às jogadas, manter a posse e seguir como ameaça constante, com o brasileiro sendo brilhante ao conquistar o primeiro pênalti. Do outro lado, Senne Lammens tem se mostrado uma contratação acertada e voltou a ser seguro ao lidar com as bolas levantadas na área enquanto os donos da casa pressionavam em busca do gol da vitória.
No fim, todos esses nomes tiveram papel importante em um jogo que pode acabar sendo visto como um bom resultado ao término da temporada. Para esta campanha, é um ponto que deixa o clube um pequeno passo mais perto da vaga na Liga dos Campeões; para Carrick e o clube como um todo, é uma mostra de quem deve ser a base do elenco na tentativa de brigar pelo título em 2027 e nos anos seguintes.