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Por que Eddie Howe precisa continuar no Newcastle — e Alexander Isak é o responsável por seus problemas

A defesa do título da Copa da Liga pelo Newcastle United durou mais do que a do Crystal Palace na Copa da Inglaterra. As campanhas terminaram a cerca de 20 milhas de distância, mas em cenários bem distintos: uma diante do Manchester City, a outra em Macclesfield. Uma eliminação era previsível; a outra entrou para a história como uma das maiores surpresas da competição. Ainda assim, se as duas copas domésticas terão campeões diferentes nesta temporada, a dupla anterior já era formada por vencedores diferentes.

O caráter histórico do triunfo do Newcastle — o primeiro grande troféu desde 1969 e o primeiro no futebol doméstico desde 1955 — levantou a questão sobre se este é um passo rumo a voos mais altos. O novo diretor-executivo, David Hopkinson, falou da ambição de tornar o clube o melhor do mundo até 2030.

O Newcastle iniciou fevereiro de 2026 lutando em quatro frentes. Já está fora da Copa da Liga. Com um jogo fora de casa contra o Aston Villa pela FA Cup, corre o risco de ser eliminado 10 dias depois. A viagem para enfrentar o Qarabag na Liga dos Campeões é desgastante, embora ainda ofereça uma chance de avançar. Os dois jogos contra o clube do Azerbaijão acontecem antes e depois da próxima visita ao Etihad Stadium, onde o placar agregado nos últimos 12 confrontos é de 40 a 2. Para uma equipe que já está na metade de baixo da tabela, as tênues esperanças de um rápido retorno à Liga dos Campeões podem desaparecer.

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A saída de Alexander Isak gerou um efeito em cadeia que deixou Eddie Howe sob pressão (Getty)

Tudo isso pode condenar a temporada ao fracasso. A tentação é questionar se o projeto de Eddie Howe chegou ao fim; talvez ele tenha esgotado suas soluções enquanto o Newcastle segue sofrendo fora de casa.

Há quem diga que Howe é tratado com complacência, mas o apoio audível dos torcedores no Etihad, na quarta-feira, mostrou que ele ainda conta com uma base relevante de apoio. Seus feitos — como levar o time duas vezes à Liga dos Campeões e conseguir o que Sir Bobby Robson e Kevin Keegan não conseguiram, ao fazer o Newcastle finalmente voltar a conquistar um troféu — lhe garantem um lugar de destaque e devem lhe render mais margem.

Houve também o apoio público de seus dirigentes, poucas horas antes do pontapé inicial. “Eddie é o nosso treinador e é um treinador extraordinário”, disse Hopkinson. “Acabamos de falar sobre o quanto ele é cobiçado por outros clubes e pelo programa nacional.”

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Howe começa a sofrer pressão no Newcastle (Mike Egerton/PA)

É uma simplificação excessiva, mas, se os problemas do Newcastle puderem ser atribuídos a um único homem, esse homem é Alexander Isak, e não Howe. E, embora o atacante possa servir como bode expiatório conveniente, o Newcastle ainda luta para se recuperar de sua saída, do momento em que ela ocorreu e da sucessão mal conduzida.

O Newcastle teve um início em falso na temporada enquanto ele fazia greve e, desde então, corre atrás do prejuízo. A tentativa de resistência do clube rendeu mais £15 milhões, mas saiu pela culatra no restante. Em retrospecto, deveria tê-lo vendido quando, ou logo após, o Liverpool ofereceu £110 milhões, e não no último dia da janela.

Talvez isso tenha mostrado a posição do Newcastle na hierarquia: uma sequência de outros atacantes recusou o clube, embora ao menos alguns — Liam Delap e talvez Benjamin Sesko — pudessem ter se saído melhor em St James’ Park. Em vez disso, a verba de Isak foi consumida pelos valores inflacionados e marcados pelo pânico pagos por Nick Woltemade e Yoane Wissa; agora, pode não ser fácil vender qualquer um deles por mais da metade do preço de compra.

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A saída frustrada de Isak do Newcastle deixou danos duradouros (John Walton/PA Wire)

Com uma dupla de avançados cara, Howe entende que os resultados recentes refletem as chances desperdiçadas. Isak, claro, era decisivo na finalização. O Newcastle tem apenas três vitórias fora de casa em todas as competições nesta temporada. No ano passado, ele marcou 12 golos como visitante, além de um célebre no campo neutro de Wembley. A sua velocidade tornava o Newcastle letal no contra-ataque; Woltemade não tem essa característica, e o clube parece cada vez mais sem saber como jogar com o peculiar alemão.

Howe pode parecer às voltas com um dilema. O Newcastle não é o único a enfrentar complicações causadas, em parte, pelos gastos do verão. Ainda assim, chama a atenção o fato de o clube ter operado sem um diretor esportivo naquele período. Foram 256 milhões de libras gastos e, até agora, só há uma contratação realmente bem-sucedida: Malick Thiaw. Wissa, Woltemade, Aaron Ramsdale, Jacob Ramsey e Anthony Elanga ainda não podem ser considerados fracassos, mas é discutível se algum deles tem lugar no time mais forte.

No entanto, o excelente retrospecto de Howe no mercado de transferências deve trazer otimismo. Também é significativo que alguns, como Lewis Hall, Anthony Gordon e Sandro Tonali, não tenham brilhado de imediato, mas todos se tornaram peças fundamentais.

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Sandro Tonali demorou um pouco para se adaptar no Newcastle (AFP via Getty)

O fato de agentes italianos parecerem ter iniciado um processo ao estilo de Isak para tirar Tonali de Tyneside pode desanimar o Newcastle e indicar que o clube ainda não é o destino mais atraente, mas também mostra que alguns dos problemas permaneceriam, independentemente de quem fosse o treinador.

Uma das razões para a longevidade de Howe primeiro no Bournemouth e depois no Newcastle é que ele faz parte de um seleto grupo de treinadores em quem se pode confiar para ajudar a gerir um clube com responsabilidade e traçar um caminho para sair de momentos difíceis.

Com o Newcastle afetado por lesões, Gordon sentindo a coxa após se machucar na quarta-feira, outros jogadores sobrecarregados, uma sequência pesada de jogos e quatro das próximas cinco partidas fora de casa, há o risco de a situação piorar antes de melhorar. Mas a trajetória de Eddie Howe, e seu período em Tyneside, indica que provavelmente vai melhorar.

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