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Por que a comparação entre Lionel Messi e Pelé não faz sentido, mesmo após a pergunta viral de Trump

Uma pergunta que há muito divide os fãs — quem é melhor, Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo — ganhou um rumo inesperado. Desta vez, Donald Trump mudou o foco e perguntou aos jogadores do Inter Miami CF quem foi melhor: Pelé ou Messi. A mudança abriu um debate totalmente novo, colocando Messi no centro de uma conversa que atravessa gerações.

Vários companheiros defenderam rapidamente Messi, enquanto o astro argentino permanecia por perto, visivelmente desconfortável. Mas, para além do breve momento de constrangimento, a pergunta reabriu um debate muito maior — um que o futebol tenta responder há décadas: quem é, afinal, o verdadeiro GOAT?

Uma comparação separada por três décadas

Um dos principais desafios ao comparar Messi e Pelé está no fato simples de que suas carreiras pertencem a eras completamente diferentes do futebol.

Pelé passou a maior parte da sua carreira no Santos FC entre 1956 e 1974, antes de encerrar a trajetória profissional no New York Cosmos entre 1975 e 1977. Quando a lenda brasileira deixou o Santos, o cenário do futebol mundial era muito diferente daquele que se consolidaria no século XXI.

Messi, por sua vez, estreou profissionalmente pelo FC Barcelona em 2004 — cerca de 30 anos depois do fim da era de Pelé no Santos. Esse intervalo, por si só, já torna as comparações diretas complexas. O futebol mudou de forma profunda nesse período, desde os sistemas táticos e as estruturas defensivas até a ciência do esporte, a transmissão global e a dimensão comercial do jogo.

Enquanto Pelé dominou uma era em que os torneios internacionais e as ligas nacionais tinham uma estrutura diferente, Messi construiu a sua carreira num período de intensa atenção global, análises avançadas e confrontos semanais contra equipas de elite das principais ligas europeias.

Recordes que ligam duas eras distantes

Apesar das décadas que os separam, Messi e Pelé cruzaram-se ocasionalmente através de marcas estatísticas. Em dezembro de 2020, Messi igualou o recorde histórico de Pelé de mais golos marcados por um único clube, ao alcançar 643 golos pelo Barcelona — o mesmo número que Pelé marcou pelo Santos.

O momento ocorreu 46 anos após Pelé deixar o Santos, ilustrando o quão distantes são as linhas do tempo de suas carreiras, mas também destacando as conquistas extraordinárias de Pelé em uma época em que o futebol não era jogado como conhecemos hoje. Sem ciência esportiva moderna, exposição global ou sofisticação tática, o domínio de Pelé permanece notável.

A carreira de Messi já passou por um debate sobre o GOAT

Durante grande parte das últimas duas décadas, o legado de Messi foi moldado por comparações com outra lenda moderna, Cristiano Ronaldo. Ao contrário do debate em torno de Pelé, a discussão Messi-Ronaldo surgiu de forma natural. Os dois atuaram na mesma era, por equipas rivais e, muitas vezes, nas mesmas competições, quebrando recordes e conquistando títulos ao mesmo tempo em Espanha e no futebol europeu. Essa rivalidade direta tornou a comparação mais fácil para os adeptos.

O debate entre Messi e Pelé pertence mais à história do futebol do que a uma comparação direta. Pelé tornou-se o rosto global do esporte nas décadas de 1960 e 1970, conquistando três Copas do Mundo com o Brasil e transformando o apelo internacional do futebol. Messi, décadas depois, construiu sua reputação com o domínio em clubes pelo Barcelona e consolidou seu legado internacional ao vencer a Copa do Mundo de 2022 com a Argentina. Cada um definiu a sua própria geração.

Um debate que provavelmente nunca terá fim

Os torcedores muitas vezes se sentem obrigados a escolher um único "maior de todos os tempos", mesmo quando os jogadores atuaram em contextos radicalmente diferentes. Há inúmeros fatores a considerar, e comparar atletas de eras distintas torna-se ainda mais complexo. O futebol já não é jogado da mesma forma: o jogo está mais rápido, mais físico, e a ocupação dos espaços em campo mudou. As estruturas defensivas são mais sólidas, e o gol deixou de ser responsabilidade de apenas um jogador. Na era de Pelé, os sistemas ofensivos costumavam girar em torno de uma ou duas superestrelas, enquanto o futebol atual é mais equilibrado, tático e coletivo. Todos esses fatores tornam comparações diretas quase impossíveis, mas o debate continua.

A pergunta viral de Trump pode ter sido breve, mas voltou a lembrar aos fãs que o debate sobre o maior jogador da história do futebol dificilmente terá um fim. Pelé representou o auge de uma era. Messi representa o auge de outra. E, para muitos no futebol, isso talvez seja o mais próximo que o esporte chegará de uma resposta definitiva.

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