Liverpool combina passado glorioso e futuro promissor em vitória catártica sobre o Wolves na FA Cup
Duas vezes em quatro dias, o Molineux teve provas diretas do declínio de Mohamed Salah. Mas também duas vezes ficou claro que, mesmo em fim de carreira, Salah continua movido pelos golos: quando as pernas já gastas o colocam na posição certa, ele continua a marcar. O Liverpool teve uma semana irregular em Wolverhampton, mas Salah — autor de um golo numa derrota na Premier League e agora numa vitória na FA Cup — teve uma semana produtiva.
A realidade inconveniente é que ele pouco produziu no restante do jogo, mas o seu 254º gol pelo Liverpool deixou a equipe um passo mais perto de Wembley. Para um jogador cuja única final da FA Cup foi interrompida por lesão, pode haver contas a acertar nesta competição.

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A fome de gols de Mohamed Salah continua intacta
E se o Liverpool chegou às quartas de final impulsionado por um veterano canhoto que pode estar vivendo seus últimos meses em Anfield, não foi Salah, mas Andy Robertson. Da mesma forma, o grande destaque pelas pontas na noite não foi o jogador de 33 anos, e sim um garoto com pouco mais da metade de sua idade: Rio Ngumoha.
Robertson reagiu melhor à sua perda de estatuto nesta temporada do que Salah no outono. Um ídolo de Anfield ficou limitado a apenas cinco jogos como titular na liga. Lançado na FA Cup, mostrou por que foi considerado um dos melhores laterais-esquerdos ofensivos da sua geração, ao marcar um golo e dar uma assistência em dois minutos. Quando o Liverpool precisou de alguém para desmontar a defesa resistente do Wolves, Robertson respondeu.

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Mohamed Salah (ao centro) marcou o segundo gol do Liverpool (PA Wire)
Ele fez parte de uma dupla pelo lado esquerdo que pode ser descrita como o passado e o futuro. Ele e Ngumoha combinaram na jogada que resultou no gol de Salah. O adolescente foi excelente, um turbilhão de dribles, na maior titularidade de sua ainda curta carreira. Foi um indício de que estará à altura de palcos ainda maiores.
Arne Slot percebeu que as mudanças surtiram efeito. Ele promoveu quatro jogadores ao time titular. Enquanto Ngumoha foi o destaque, outros dois também marcaram. Curtis Jones, que havia balançado as redes na quarta rodada contra o Brighton, acertou um chute colocado de fora da área para fazer o terceiro gol do Liverpool. Assim como Robertson, terminou a partida com um gol e uma assistência.
Houve um elemento catártico na vitória na revanche contra o lanterna da Premier League. O Liverpool mostrou mais iniciativa, mas o placar do primeiro tempo foi o mesmo de terça-feira: 0 a 0, apesar de a contagem de finalizações indicar 11 a 0 a seu favor.

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Rio Ngumoha brilhou em alguns momentos pelo Liverpool (Liverpool FC via Getty Images)
Começaram sem reforços ofensivos de verão avaliados em £300 milhões, com Alexander Isak ainda lesionado, Hugo Ekitike sem sair do banco e Florian Wirtz a regressar como suplente. Se procuravam inspiração individual, ela surgiu de uma pechincha de £8 milhões.
Robertson disparou um remate de cerca de 20 metros depois de Jones lhe deixar a bola. O escocês pouco se apercebeu do seu único outro golo da época, frente ao Atlético de Madrid em setembro, mas este foi o mais saboroso dos tentos.
A qualidade do seu pé esquerdo também ficou evidente num cruzamento baixo e tenso que Salah finalizou ao segundo poste. O lance foi anulado por fora de jogo, para sua clara frustração, embora o VAR só entre em ação a partir da quinta ronda da competição. As repetições mostraram que ele estava atrás da linha da bola quando Robertson cruzou. Depois de apenas dois golos em 15 jogos pelo Liverpool, agora soma dois em dois. Salah vinha sendo pouco convincente até então, mas, tal como na terça-feira, algo despertou quando a oportunidade surgiu.

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Hwang Hee Chang marcou um golo de consolação tardio para o Wolves (Martin Rickett/PA Wire)
Jones tornou a vitória tão tranquila que Slot pôde fazer algo raro e substituir Virgil van Dijk; o seu substituto, Ibrahima Konaté, desperdiçou de forma incrível a chance de marcar o quarto gol. A única preocupação do Liverpool foi Alexis Mac Allister sair mancando após uma entrada dura de Hee-Chan Hwang.
A frustração para os adeptos que pediam a inclusão de Ngumoha foi o facto de a sua atuação encorajadora não ter sido coroada com um golo. Teve um remate defendido após deixar Jackson Tchatchoua para trás com um drible. Outro passou muito perto do poste depois de uma arrancada em velocidade. Ainda assim, a sua disposição para enfrentar os defesas acrescentou uma nova dimensão. Como seria de esperar, mostrou-se destemido.
O Wolves começou de forma mais cautelosa, recuado e a defender em bloco. Ainda assim, a estratégia tinha funcionado quando conquistaram apenas a terceira vitória na Premier League nesta temporada. Os adeptos fizeram questão de lembrar o Liverpool disso, com o cântico provocatório “2-1 para o Championship”.
Rob Edwards, que promoveu seis mudanças, iniciou com uma equipe teoricamente mais forte do que na terça-feira, mas foi desfeita pelo rápido gol duplo do Liverpool no início do segundo tempo. Em seguida, a cavadinha de Mateus Mane passou por cima do gol dos visitantes. Aos 91 minutos, Hwang diminuiu a desvantagem em um contra-ataque, com assistência do goleiro Sam Johnstone. Desta vez, porém, o Liverpool não precisou lamentar um gol nos acréscimos em Molineux.
O Liverpool avançou. Esta é a melhor chance de conquistar um troféu nesta temporada e pode ser o último ano de Salah e Robertson em Merseyside. Para cada um, pode haver um lado positivo.