Destino do título do Man City fora de suas mãos após empate custoso com o Nottingham Forest
Uma noite em que o Manchester City desperdiçou duas vantagens pode ter custado muito mais. Dois pontos escaparam das suas mãos e o título pode estar a fugir. Pep Guardiola venceu a Premier League seis vezes, mas o sétimo troféu pode não chegar, com o equilíbrio de forças a deslocar-se para sul, na direção do seu antigo adjunto Mikel Arteta e do Arsenal. Guardiola é um treinador que fez história, mas agora o destino do City já não está sob o seu controlo.
Um clube que conquistou a Premier League em parte graças a um corte em cima da linha — de John Stones contra o Liverpool em 2019 — pode agora lamentar outro, de Murillo, ao travar Savinho no 99.º minuto. Assim, o Nottingham Forest redesenhou o cenário nas duas extremidades da tabela, combinando resiliência e brilhantismo.
Quando o City caminhava para a sétima vitória consecutiva e o oitavo triunfo seguido em casa, parecia haver uma sensação de inevitabilidade. O Forest não concordou e produziu empates diferentes, mas brilhantes. Houve consequências, e não apenas para os anfitriões. O Forest tinha caído na zona de rebaixamento até Elliot Anderson arriscar de fora, a 25 metros. O primeiro ponto de Vítor Pereira pelo Forest — e apenas o terceiro em 12 jogos de liga nesta temporada, somando duas equipes — teve um peso enorme.
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Por mais frustrado que o City estivesse, o Forest fez por merecer, sobretudo pela forma como marcou os golos. Têm subaproveitado de forma gritante ao ocuparem posição tão baixa na tabela, mas contam com dois médios de alto nível — dois, aliás, que o City admira.
Ambos marcaram, e com estilo. Morgan Gibbs-White esteve na lista de alvos do City no verão passado, quando o clube optou por Rayan Cherki como herdeiro de Kevin De Bruyne. O francês tem sido um sucesso, mas, ao improvisar o primeiro golo do empate, Gibbs-White levou-os a desejar que hoje vestisse o azul-celeste. Anderson pode ser um alvo neste verão, mas, se vier a chegar, reduziu as hipóteses de se juntar aos campeões.
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Quando trocou passes com Callum Hudson-Odoi, avançou com convicção e finalizou de fora da área, a cerca de 25 metros, o ambiente no Etihad mudou. Foi uma noite em que o Forest demonstrou caráter e qualidade, com destaque especial para o seu capitão.
Gibbs-White marcou um gol de genialidade e ousadia, com um calcanhar entre as pernas de Rúben Dias que surpreendeu Gianluigi Donnarumma. O capitão do Forest já vinha sendo o jogador mais perigoso da equipe, incisivo nos contra-ataques e à vontade em uma função livre, mas este lance foi especial.
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Poderia até ter havido um vencedor, com o suplente Ryan Yates a desviar de cabeça para fora já nos acréscimos. No fim, ficou o lembrete de que este não é o City de outros tempos, a equipa capaz de ser impecável na reta final.
Esta equipa tropeçou, apesar de ter aberto o marcador com golos de caras novas e antigas. Antoine Semenyo foi o primeiro a marcar, finalizando de voleio após cruzamento de Cherki. Foi o sétimo golo em 12 jogos do reforço de janeiro, um jogador que se integrou de imediato e que, ao desbloquear o marcador por quatro vezes, já mostrou capacidade para fazer a diferença.
Mas ele não foi o decisivo da partida. Tampouco Rodri, que parecia ter aumentado a sua lista de golos importantes pelo City. O jogador que os levou ao título europeu em 2023 não marcava na Premier League desde que ele e Phil Foden balançaram as redes contra o West Ham para garantir o título em 2024.
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Ele pareceu provar que a lesão no ligamento cruzado não lhe retirou a capacidade de decidir quando mais importava. O City era a equipa com a menor percentagem de golos de bolas paradas nesta temporada — e o golo veio de um canto. Ainda assim, embora Pep Guardiola seja um dos puristas mais famosos do futebol, sabe ser pragmático. Os fins justificam os meios. Há beleza em procurar o jogador mais alto na área.
Rayan Aït-Nouri conseguiu. O vencedor da Bola de Ouro encontrou o cruzamento do lateral-esquerdo e cabeceou entre as pernas de Matz Sels. Ainda assim, não foi tão simples matar o Forest. Pereira reconfigurou a equipa, atuando em 3-5-1-1 e congestionando o centro do campo. Gibbs-White foi uma ameaça nos contra-ataques. Os companheiros mostraram disciplina e determinação. O City contou com o regresso de Erling Haaland, ausente da deslocação a Leeds. Guardiola recorreu ao banco, a Jérémy Doku e a Savinho.
À medida que o relógio corria, com o City a reclamar pênaltis e escanteios, havia a sensação de que ainda surgiria uma última chance. Ela veio para Savinho, um ponta que marca poucos gols. Parecia que ele faria um gol sísmico. Mas Murillo apareceu, correndo para salvar o Forest — e ajudar o Arsenal.