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‘Maldição’ de Endrick põe fim à sequência de vitórias do Real Madrid contra o Getafe

A chegada de Endrick ao Lyon provocou a saída de Martín Satriano para o Getafe. É assim que funciona o futebol moderno: quando chega um jogador de classe mundial, alguém faz as malas. O uruguaio encontrou concorrência mediática justamente quando Bordalás pedia reforços. Não hesitou e, enquanto o Bernabéu aplaudia à distância o brasileiro, Satriano silenciou o público merengue com um grande golo que garantiu a vitória por 0-1.

São caprichos do destino, que às vezes se diverte com o Real Madrid. Algo parecido com o ‘efeito borboleta’: um pequeno movimento em janeiro que muda o cenário em março. Endrick, sem minutos no Madrid, busca fôlego em Lyon. Satriano, intermitente com Paulo Fonseca, vai para o banco. Eles coincidiram em dois jogos; em ambos, ele entrou como reserva. Dali para Getafe; de Getafe para o Bernabéu; e, no seu gramado, a reviravolta inesperada.

Aos 39 minutos, ele arriscou um voleio pouco habitual. A bola caiu do céu após a disputa de outro uruguaio, Mauro Arambarri, que venceu Tchouaméni pelo alto e prolongou um corte de Rüdiger. Satriano não pensou duas vezes: um verdadeiro míssil no ângulo de Courtois, indefensável. Um daqueles gols que se ouvem mais do que se veem.

Foi a culminação de um plano perfeitamente executado por Bordalás. Seis defensores em campo, ajuda constante sobre Vinícius para proteger Juan Iglesias, a entrega incansável de Milla, o trabalho silencioso de Luis Vázquez e do próprio Satriano na frente, insistência em cada duelo e pressão sustentada. O Getafe não estava apenas resistindo: estava competindo. E ao intervalo, a superioridade era mais do que uma sensação.

Satriano roubou os holofotes, mas foi um esforço coletivo. Bordalás sorriu à beira do campo, longe do semblante tenso do início da temporada, quando pedia reforços com urgência.

A diretoria reagiu e trouxe cinco nomes: os argentinos Zaid Romero e Luis Vázquez; os uruguaios Sebastián Boselli e Martín Satriano; e o sérvio Veljko Birmancevic. Jogadores de personalidade, com forte cultura competitiva, exatamente no perfil desejado pelo treinador.

Há duas semanas, na véspera do duelo contra o Villarreal, Bordalás foi claro: a sua chegada coincidiu com uma melhoria evidente nos resultados e no ambiente da equipa. E destacou algo que voltou a ficar claro na noite passada: a competitividade uruguaia é inegociável.

O gol no Bernabéu foi o segundo de Satriano pelo Getafe. O primeiro, contra o Villarreal, também garantiu a vitória, com uma cabeçada potente. Mas o do Bernabéu foi diferente: um míssil terra-ar disparado no exato momento em que Endrick mal havia pousado em Lyon.

O sucesso de Satriano no Bernabéu confirmou outra coisa: no futebol, as hierarquias nem sempre determinam o resultado. Às vezes, o coadjuvante exige os holofotes. Às vezes, o jogador descartado vira manchete. É a ironia de um esporte que nunca perde a chance de ser irônico. Desta vez, o efeito borboleta falou com sotaque uruguaio.

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