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Ninguém fala sobre a desconfortável verdade de Mo Salah: seu legado no Liverpool é vazio

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O "Rei Egípcio" está finalmente a abdicar. Após anos de gols marcados em série, Mohamed Salah vai deixar o Liverpool.

As homenagens deverão ser intensas, embaladas por planilhas, mapas de calor e dados frios que apontam para um legado de grandeza sem igual. Mas, passada a comoção com o anúncio bombástico de Salah, é hora de uma pequena heresia.

Mo Salah era uma máquina de gols, uma combinação explosiva entre um ponta de linha de fundo e um finalizador frio. Mas era um grande jogador no sentido mais profundo e transformador da palavra?

Comparado ao brilho genial de Thierry Henry, à alma combativa de Wayne Rooney, à arrogância cinematográfica de Cristiano Ronaldo e à explosão pura de Eden Hazard e Gareth Bale, Salah parece menos um mágico e mais um executor de altíssimo nível.

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Para ser um ícone de elite da Premier League, não basta apenas aparecer no terço final. É preciso dominar o ambiente, a geometria, os elementos do jogo. É preciso fazer a torcida se levantar mesmo a 50 jardas do gol, apenas pela forma como você muda o peso do corpo, deixa o ombro cair ou flutua para um espaço vazio.

Pense em Henry, deslizando pela lateral como uma fita de seda predatória. Pense em Rooney, uma bola de demolição selvagem e incansável, capaz de dominar todo o campo pela pura força de vontade. Pense em Hazard, um borrão baixo e veloz, capaz de transformar cada toque perfeito, cada finta e cada drible audacioso em uma experiência quase religiosa.

Se Salah não estava finalizando nem criando o espaço para chutar, o que exatamente oferecia? Em boa parte de sua passagem pelo Liverpool, quando os gols rareavam, ele não apenas perdia impacto — tornava-se uma presença pouco influente. Faltava-lhe aquele brilho criativo, aquela capacidade de receber a bola e mudar o jogo que os verdadeiros craques sempre têm. Era um finalizador, não um maestro.

Há ainda a questão incômoda dos grandes jogos. Para um jogador com tantos gols e troféus, o retrospecto de Salah nas partidas que realmente definem legados é surpreendentemente vazio.

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Ele disputou três finais da Liga dos Campeões. Em 2018, saiu lesionado; em 2019, marcou um pênalti logo no início e depois passou o resto do jogo como figura periférica; em 2022, parou na atuação brilhante de Thibaut Courtois, sem nunca realmente dar a sensação de que controlava a partida.

Da mesma forma, a lista de atuações em branco em finais nacionais e internacionais — FA Cup, Copa da Liga, Supercopas, Mundial de Clubes e frustrações na Copa Africana de Nações — se acumulou como contas por abrir, sugerindo um jogador que dominava os longos trechos mornos da temporada, mas que muitas vezes desaparecia justamente quando era mais necessário.

O Liverpool foi uma potência entre os dois melhores durante quase toda a sua passagem, um time montado especificamente para alimentar sua ambição. Sair daquele período com apenas dois títulos da Premier League soa como um leve desempenho abaixo do esperado — uma mancha relevante no currículo de um jogador frequentemente citado na discussão sobre os melhores de todos os tempos. Enquanto outros conduziram suas equipes à linha de chegada pela pura força da personalidade, Salah muitas vezes pareceu ser quem colocava a cereja no bolo, e não quem fazia o bolo.

Vimos isso na última temporada. Apenas dois dos seus 29 gols na liga foram decisivos sem ser de pênalti. Mesmo ampliando o recorte para gols sem pênalti que apenas empataram ou colocaram o Liverpool em vantagem, o total chega a modestos oito. Ele não era exatamente um jogador que só brilhasse contra adversários frágeis, mas lhe faltava a capacidade decisiva que outros ídolos tinham de sobra.

Num time inferior, sem a estrutura intensa que Jurgen Klopp lhe deu, Salah teria sido sequer metade tão dominante? Ele era a peça funcional perfeita numa máquina perfeita. Já nomes como Henry e Ronaldo eram a própria máquina.

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Há também a questão do temperamento — esse traço frágil e autocentrado que acaba por manchar o legado. Durante anos, Salah foi o protegido da era Klopp, mas, no momento em que Arne Slot impôs a fria lógica da meritocracia, o soberano transformou-se num insurgente amuado.

A apatia em campo, as farpas públicas e o espetáculo nada edificante de culpar o clube assim que as coisas ficaram difíceis expuseram uma personalidade sempre excessivamente fechada em si mesma. Os sinais já eram visíveis nos anos ao lado de Sadio Mané: em certa medida, marcada por uma recusa quase patológica em dividir os holofotes e, muitas vezes, a bola.

Claro, ninguém chega ao topo sem um pouco de ego. Mas, com Salah, sempre pareceu que o individual importava ligeiramente mais do que o coletivo.

Sem dúvida: Salah deixa o Liverpool como uma lenda da Premier League — com todo o mérito. Seus números são gigantescos, sua regularidade, impressionante. Era um mestre da área, um atleta de força excepcional e rara durabilidade, além de um jogador capaz de explorar com precisão implacável as fragilidades de uma linha defensiva de quatro.

Mas, no grande e brilhante panteão dos magos da Premier League — os homens capazes de fazer a bola cantar e o estádio chorar — Salah continua um nível abaixo. Seus números foram inegavelmente impressionantes: uma produção incessante, quase industrial, de estatísticas e eficiência recordista.

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