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O teste de Carrick contra o Aston Villa: recuperar o brilho ou arriscar a queda

Michael Carrick teve 11 longos dias para digerir sua primeira derrota como técnico interino do Manchester United. Sem distrações da FA Cup. Sem compromissos europeus no meio da semana. Apenas tempo a sós com seus pensamentos.

O United parecia a caminho de completar oito jogos de invencibilidade sob o comando da lenda do clube quando Casemiro empatou de cabeça contra o Newcastle United. Mas um golaço de William Osula aos 90 minutos garantiu a vitória dos donos da casa e provocou uma reflexão há muito necessária.

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William Osula, autor do gol da vitória do Newcastle, venceu a final mundial de habilidades da Soccer School do Manchester United em 2014. Imagem: @premierleague/instagram

A derrota era uma questão de tempo. Este time nunca terminaria o restante da temporada invicto. A atuação em St James’ Park foi apagada — e isso também já vinha se desenhando.

Desde a vitória avassaladora, de muita troca de passes, sobre o Manchester City e o emocionante triunfo contra o Arsenal nos dois primeiros jogos de Carrick, a fluidez da equipe foi desaparecendo gradualmente.

O empate por 1 a 1 com o West Ham — salvo pelo gol de empate de Benjamin Šeško aos 90+6 — foi sofrido.

Contra Crystal Palace e Everton, os passes saíram cada vez mais errados e faltou criatividade, embora os resultados tenham se mantido.

Ainda há muitos motivos para otimismo. O United perdeu apenas uma vez sob o comando de Carrick e ocupa o terceiro lugar na Premier League, firme na zona de classificação para a Liga dos Campeões. Mas esta pausa de 11 dias chegou na hora certa.

Afinal, o que está a afetar o United de Carrick?

As lesões também tiveram o seu peso. Patrick Dorgu brilhou pela esquerda nas vitórias marcantes sobre City e Arsenal, antes de uma lesão no tendão da coxa o afastar até pelo menos abril.

Lisandro Martínez formou uma parceria sólida com Harry Maguire, mas o campeão do mundo desfalcou a equipe nos últimos três jogos por causa de um problema na panturrilha.

Mason Mount e Matthijs de Ligt também estão fora, mas a ausência de canhotos de origem como Martínez e Dorgu criou um desequilíbrio evidente na equipe.

Leny Yoro entrou ao lado de Maguire, mas pareceu inseguro. A mudança empurrou Maguire para a esquerda da zaga. Ele conduz mais a bola do que atua como um passador vertical, capaz de acelerar o jogo para o terço final como Martínez.

Somado a isso, o substituto de Dorgu, Matheus Cunha, prefere recuar e cair por dentro em vez de dar amplitude, e o lado esquerdo do United perdeu força. O ataque ficou mais estreito. A imprevisibilidade desapareceu.

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Mapa de calor de Cunha (à esquerda) contra o Newcastle, ao lado de Diallo e Mbeumo, ambos atuando pela direita. Imagem: XGstat.com

A profundidade do elenco é outra preocupação. As opções de Carrick durante o jogo são limitadas. No meio-campo, não há substitutos naturais nem alternativas para Bruno Fernandes, Casemiro ou Kobbie Mainoo.

No ataque, ele terá de escolher três entre quatro: Bryan Mbeumo, Šeško, Cunha e Amad Diallo.

Com De Ligt lesionado, não há uma alternativa real a Maguire. O mesmo vale para Luke Shaw na lateral esquerda.

Então, o que Carrick pode fazer antes do confronto decisivo de domingo pelo top 4 contra o Aston Villa?

Uma opção é voltar a usar Mbeumo como atacante central — uma estratégia que funcionou muito bem contra City e Arsenal. Seria duro para o Šeško, em grande fase e recém-firmado como titular, mas a mobilidade de Mbeumo pode explorar a linha defensiva alta do Villa.

Diante do desequilíbrio pelo lado esquerdo, cresce a pressão por um retorno do jovem zagueiro Ayden Heaven para dar uma opção canhota natural à defesa central — no lugar de Yoro — e recuperar qualidade na saída de bola.

Uma decisão mais ousada seria recolocar Mount no meio-campo após seu retorno aos treinos. Fernandes, Mainoo e Casemiro tiveram queda de rendimento contra o Newcastle. Mas tirar um deles seria uma medida arrojada — será este realmente o momento para isso?

O jogo de domingo parece ser mais do que apenas mais uma partida na reta final. É um teste decisivo tanto para a capacidade de adaptação de Carrick quanto para a resistência do United.

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