Fracasso do Manchester City diante dos verdadeiros reis da Europa levanta grande questão sobre Pep Guardiola
Adeus ao Manchester City — e talvez para sempre ao Manchester City de Pep Guardiola na Liga dos Campeões. Se este foi o fim para um homem marcado tanto por esta competição quanto por seu passado no Barcelona, foi uma despedida tristemente apropriada. Pelo terceiro ano seguido, e pela quarta vez em cinco temporadas, o Real Madrid eliminou o City. Isso quase já virou parte da primavera do clube — algo de que Guardiola talvez não sinta falta.
Esta foi a brutalidade e o brilho das fases eliminatórias da Liga dos Campeões. O City fez um esforço épico, mas, no balanço final, nunca esteve perto de completar a maior das viradas. Foi um confronto envolvente até o fim, mas decidido em 23 minutos antes do intervalo, em Madri. O City perdeu nos 90 minutos, como já havia perdido nos 180, superado pelo hat-trick de Fede Valverde no Bernabéu e pelos dois gols de Vinicius Jr em Manchester.

Abrir imagem na galeria
Vinicius Jr (à esquerda) marcou dois gols pelo Real Madrid (AP)
Misturando inspiração e desespero, o City lançou uma pressão feroz, sem faltar coragem, energia ou personalidade. Mas havia dois problemas fundamentais: após a derrota por 3 a 0 no Bernabéu na semana passada, o time já estava com um jogador e um gol a menos ainda no primeiro quarto do jogo de volta.
O City fez de tudo para provar que o capitão estava errado. Bernardo Silva havia dito que, se o City sofresse um gol, o confronto estaria decidido. Quando o gol saiu, acabou para ele: expulso pela primeira vez desde que chegou ao Etihad Stadium. Vinicius Jr converteu o pênalti resultante. Ainda assim, o City não se entregou: Jérémy Doku foi imparável, Erling Haaland incansável mesmo em noite irregular, Rayan Cherki trouxe talento e refinamento. O veloz Abdudokir Khusanov foi magnífico, com uma capacidade de recuperação extraordinária.

abrir imagem na galeria
(Reuters)
Ao longo de duas semanas, os principais nomes do Real decidiram: hat-trick de Valverde no jogo de ida, defesas de Thibaut Courtois no primeiro tempo e bis de Vinicius na volta. Kylian Mbappé, já recuperado, fez uma breve aparição, quando o Real praticamente garantiu uma vaga nas quartas de final, muito provavelmente contra o Bayern de Munique.
Eles puderam agradecer a Valverde, que por pouco não ampliou seu hat-trick em Madri com um gol logo no primeiro minuto, e a Vinicius. Provocado pela torcida do City com o coro de “onde está a sua Bola de Ouro?” — talvez na prateleira de Rodri —, ele mostrou personalidade para reagir. Depois de perder um pênalti na semana passada, desta vez converteu, vingando-se de Gianluigi Donnarumma no duelo da marca da cal e deslocando o goleiro italiano.
Tudo começou com o brilho de Vinicius e teve um custo altíssimo para Silva, muitas vezes o carrasco do Real. O brasileiro arrancou com perigo, puxou da esquerda para o meio e acertou a trave com um chute colocado; a bola ainda bateu em Donnarumma antes de voltar para uma nova finalização de Vinicius, que atingiu o braço de Silva em cima da linha. O City foi inicialmente salvo pela marcação de impedimento, mas, após a confirmação de que Vinicius estava em posição legal, Silva acabou expulso. A decisão do árbitro Clément Turpin foi ao mesmo tempo dura e correta.

Abrir imagem na galeria
Bernardo Silva foi expulso por toque de mão (Martin Rickett/PA Wire)
Guardiola, irritado, foi advertido por reclamação, e o City já teve problemas com a arbitragem em eliminações anteriores da Liga dos Campeões; desta vez, porém, não foi um assalto de Turpin, mas um desmonte comandado por Vinicius.
Guardiola talvez já temesse isso. Antes, recorria a Kyle Walker para travar a velocidade fulminante de Vinicius; na semana passada, em Madrid, escolheu o seu defensor mais rápido, Khusanov, na lateral direita. Seis dias depois, o uzbeque foi deslocado para o centro da defesa para abrir espaço a Matheus Nunes, mais ofensivo, na lateral. O português não conseguiu conter Vinicius, que desperdiçou mais duas chances claríssimas antes de, por fim, marcar o seu segundo gol no fim.

Abrir imagem na galeria
Vinicius Jr marcou o primeiro gol em cobrança de pênalti (REUTERS)
O City trocou o controlo pelo caos desde o início. Começou em ritmo frenético e podia ter sofrido nos primeiros minutos, mas também podia estar em vantagem aos quatro: Courtois defendeu remates de Cherki e Rodri. Na reação imediata ao golo sofrido, criou mais duas oportunidades em sequência, mas Courtois voltou a salvar, travando Haaland nas duas vezes.
Mas ninguém diminuiu o ritmo. Depois de um cruzamento rasteiro de Doku desviado em Trent Alexander-Arnold, Haaland finalizou mal, mas marcou. Foi apenas o seu quinto gol em 19 jogos. Mesmo quando Courtois saiu no intervalo, aparentemente lesionado após ser tão exigido, seu substituto manteve o mesmo nível. Andriy Lunin defendeu uma finalização de Haaland.

Abrir imagem na galeria
(Getty Images)
Guardiola tentou de tudo: passou para uma linha de três na defesa no segundo tempo, fez duas substituições duplas e tirou Haaland. O fato de o norueguês, Rodri e Rúben Dias não terem jogado a partida completa pode tê-los preservado para a final da Copa da Liga, mas, no restante, o City atuou como um time que só pensava no Real.
Eles tiveram 22 finalizações. Poderiam ter vencido o jogo, se não o confronto, mas os gols de Doku e Rayan Ait-Nouri foram anulados por impedimento. Vinicius teve um gol invalidado nos acréscimos e depois marcou outro, completando de voleio o cruzamento de Aurélien Tchouaméni.
Assim, o Real, clube que Guardiola costuma descrever como o rei da Europa, garante mais uma vez seu lugar nas quartas de final. E, de novo, às custas do City.