Johnny Cardoso, o melhor americano do momento, está encantado com o Atlético
Johnny Cardoso é o melhor jogador americano do momento. Os 11,45 km que percorreu no Tottenham Hotspur Stadium fizeram dele o atleta que mais correu na partida — também havia sido o que mais correu no jogo de ida, no Metropolitano, superando em ambas as ocasiões a marca dos 1.000 metros sobre os demais. As seis roubadas de bola, que o colocaram na liderança desse quesito no Atlético, a pressão sufocante sobre Sarr aos 80 minutos e a jogada para sair com a bola e iniciar o contra-ataque que terminou no gol de Julián confirmaram na última quarta-feira, em Londres, que Simeone não só tem o camisa 5 que tanto queria, como os Estados Unidos podem ter um dos melhores meio-campistas da Liga dos Campeões.
No entanto, não se trata apenas de passe. Às vésperas de outro grande teste, como o do Bernabéu, o bom trabalho de Johnny também dá frutos na LaLiga: após 783 minutos como rojiblanco, ele apresenta números ainda melhores do que os que levaram o Atlético a encontrar no Betis o camisa 5 de que precisava. Ele evoluiu no aproveitamento de passes (88,4% contra 86,2%), passes certos por jogo (41,8 contra 32,7), progressão de bola com passes (9,43 contra 6,11) e conduções/dribles (3,45 contra 2,36), recuperações (3,58 contra 3,18), desarmes (4,78 contra 2,72), duelos defensivos (10 contra 7,08), eficiência na área (2,35 contra 2,22) e chances criadas (0,46 contra 0,37). Números que o colocam como o jogador americano mais relevante do futebol atual, algo importante de olho em uma Copa do Mundo da qual ele pode participar, agora impulsionado por seu desempenho sob o comando de Simeone.
Não surpreende, portanto, que Simeone, apesar de Musso ter vestido a pele de Oblak para amargar o Tottenham e de Julián Álvarez voltar a brilhar como jogador de classe mundial, tenha demonstrado a predileção que sente pelo seu herói silencioso: Cardoso. Depois de mais uma atuação colossal, o treinador já sabe que finalmente tem um meio-campista confiável para as ‘finais’ que se aproximam, agora que superou o calvário das lesões que o impediram de assumir protagonismo na primeira parte da temporada. Antes de Londres, porém, ele já dava sinais do impacto que poderia ter no meio-campo do Atlético, especialmente na reta final da visita ao Camp Nou pela Copa do Rei, quando foi o pilar que deu equilíbrio e permitiu que os demais brilhassem.
Seu trabalho em silêncio e por conta própria foi a chave para a explosão
Além da evidente evolução de Johnny, há outros dois fatores que encantam Cholo: seu trabalho silencioso e paciente quando as lesões não lhe permitiam mostrar o futebol que tinha, e sua vontade de evoluir aliada a um alto profissionalismo. O brasileiro-americano busca a perfeição e o melhor rendimento com a ajuda de um analista pessoal, que estuda cada atuação, analisa os adversários e também o prepara mentalmente, nos aspectos tático e psicológico.