Javier Tebas: "Foi impossível dizer sim à contratação de Messi"
Javier Tebas discursou no evento do ISDE e abordou vários temas da atualidade. O presidente não se conteve e voltou a negar que o Barcelona tivesse o aval da LaLiga para contratar Messi, como afirmaram Xavi e confirmaram Mateu Alemany. Tebas também reforçou a sua mensagem de que a LaLiga continua a crescer e deixou claro que não aprecia a quinta vaga europeia. Além disso, atacou Florentino Pérez, depois de se pronunciar sobre a sua situação pessoal no TAD e o processo de inabilitação, atualmente paralisado.
A polêmica em torno do suposto aval da LaLiga a Messi
"A LaLiga não deu aval porque eles nunca nos pediram. Nem sequer estavam dentro da regra 1.1. Era impossível autorizar sem saber quanto Messi iria receber, sobretudo aplicando os regulamentos ao limite salarial proposto. Mesmo com um valor inferior no contrato, seria impossível, e além disso ninguém do Barcelona alguma vez procurou a LaLiga."
"Não é verdade, Mateu Alemany está errado. Seria impossível, mesmo que houvesse um acordo. A avaliação do contrato seria como a de João Félix."
Quinta vaga europeia e os espanhóis na Liga dos Campeões
A Espanha está bem posicionada para garantir uma vaga extra na Europa, embora ainda haja um longo caminho a percorrer. Para Javier Tebas, porém, essa possibilidade não é necessária e até parece incomodá-lo. "Não gosto muito da quinta vaga na Liga dos Campeões, mas estou com os clubes espanhóis", afirmou o presidente da LaLiga, que prefere evitar mais classificações. "É preciso lembrar que o produto que mais compete com a LaLiga é a própria Liga dos Campeões. As ligas nacionais são a verdadeira indústria do futebol", acrescentou.
As ligas nacionais são a verdadeira indústria do futebol
Tebas não parou por aí. Ainda teve tempo para ir além. Nesse sentido, quis mostrar qual é o seu papel — ou, pelo menos, os seus ideais — como presidente em relação à Europa. "Tenho a obrigação de defender a maioria dos jogadores, e a maioria não disputa competições europeias nem vai à Copa do Mundo", afirmou.
Sobre a partida em Miami
Levar o futebol espanhol além das fronteiras do país é um dos objetivos de médio prazo da LaLiga. Javier Tebas não desiste e considera o plano fundamental. “Há quem diga que não queremos jogar, mas vamos continuar tentando”, afirmou. Ele também fez uma crítica direta ao Real Madrid, a quem responsabiliza pela paralisação do projeto. “Havia uma política no Real Madrid para tentar impedir aquele jogo… e, por causa de uma partida, todo o problema que foi causado”, acrescentou.
Longe de encerrar o tema, o presidente voltou a insistir e apresentou um argumento até então inédito: os torcedores americanos. “É uma falta de respeito com os fãs americanos do futebol espanhol”, explicou. “Eles também pagam suas assinaturas”, acrescentou, defendendo que também merecem ver seus times de perto, e não apenas pela televisão.
O processo de desclassificação
Para além do aspeto estritamente desportivo, houve também espaço para falar do seu processo de desqualificação, não sem antes encará-lo com humor. "Ninguém sabe de nada, nem eu", disse. "Perguntem ao secretário de Estado ou ao Florentino, que em vez de desqualificar diz que vão aniquilar-me", acrescentou, para surpresa geral. Declarações duras que, segundo afirma, o presidente do Real Madrid faz no seu círculo próximo.
“Perguntem ao secretário de Estado ou ao Florentino, que, em vez de me desqualificar, diz que vai me aniquilar.”
Por outro lado, ele questionou a integridade do TAD devido à sua composição. “Num órgão formado por juristas de excelência, qual é a necessidade de contratar amigos? Por quê? Com que objetivo? Que cada um pense o que quiser”, afirmou. O caso ainda será acompanhado, mas, por enquanto, ele continuará no comando da LaLiga.