Irã ameaça boicotar os EUA, mas mantém preparação para a Copa do Mundo em meio à incerteza
Irã promete boicotar os Estados Unidos, mas segue se preparando para disputar a Copa do Mundo da FIFA de 2026, deixando sua participação no maior torneio do futebol mundial sob tensão política e declarações oficiais conflitantes.
Mehdi Taj, presidente da Federação de Futebol do Irã, reiterou a posição dura do país em relação a um dos coanfitriões do torneio e confirmou a continuidade da preparação da seleção nacional.
"Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não vamos boicotar a Copa do Mundo", disse Taj em um vídeo divulgado na quarta-feira pela agência iraniana Fars, segundo a Reuters.
A declaração ocorre após a escalada das tensões geopolíticas, na sequência dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro, que provocaram debate no país sobre uma possível retirada total da seleção do torneio.
O Irã não apresentou à FIFA nenhum pedido formal de desistência, mantendo indefinida sua situação na Copa do Mundo.
Mensagens políticas contraditórias ampliam a incerteza
Os apelos por um boicote se intensificaram depois que o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, afirmou em 11 de março que a seleção nacional não poderia participar da Copa do Mundo "em nenhuma circunstância" após a morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei em um dos ataques aéreos.
Taj já havia alertado que não se poderia esperar que o Irã encarasse o torneio "com esperança", aumentando a incerteza sobre as intenções da equipe.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, questionou publicamente se a participação do Irã seria apropriada, citando preocupações com a segurança.
Apesar do discurso, Taj confirmou que os preparativos seguem em andamento, com o Irã em treinamento na Turquia e planejando dois amistosos internacionais.
A ausência de qualquer ação oficial do Irã ou da FIFA levou a um impasse diplomático, descrito por uma fonte ao The Guardian como um "jogo de risco", com cada lado aparentemente tentando evitar a responsabilidade por uma possível retirada.
FIFA resiste a mudanças no calendário à medida que surgem alternativas
As três partidas do Irã na fase de grupos estão marcadas para os Estados Unidos: contra Nova Zelândia e Bélgica no SoFi Stadium, em Inglewood, Califórnia, seguidas por um duelo com o Egito no Lumen Field, em Seattle.
O México, coanfitrião ao lado dos Estados Unidos e do Canadá, surgiu como uma possível sede alternativa. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum Pardo, indicou recentemente que o país estaria disposto a receber os jogos do Irã, se necessário, destacando as relações diplomáticas do México com todas as nações.
A FIFA, porém, não deu sinais de que pretende alterar o calendário do torneio e afirmou esperar que todas as seleções classificadas disputem a competição de acordo com a tabela anunciada em 6 de dezembro de 2025.
Sem que nenhuma parte tome uma decisão definitiva, a incerteza segue em torno da participação do Irã. Caso a equipe acabe competindo, as tensões políticas podem acompanhá-la durante todo o torneio, incluindo a possibilidade de um confronto de alto risco nas oitavas de final contra os Estados Unidos, em Dallas, se ambas as seleções terminarem em segundo lugar em seus respectivos grupos.