Informantes no Chelsea não tiveram nada a ver com a humilhação na Liga dos Campeões — a escalação também foi enviada para mim… e eis por que isso não fez a menor diferença contra o PSG, escreve Kieran Gill
Como as informações internas do Chelsea vazaram pela segunda semana consecutiva antes do duelo com o Paris Saint-Germain, podemos começar com uma breve atualização sobre a equipe.
Quase cinco horas antes de Chelsea x Arsenal pela Carabao Cup em Stamford Bridge, há alguns meses, a escalação de Liam Rosenior chegou às minhas mãos. Uma hora depois, veio uma atualização informando uma mudança de última hora, e 'MG' passaria a estar entre os titulares.
Não transformei isso numa notícia por alguns motivos. Primeiro: se estiver errado, você corre o risco de parecer um idiota. Segundo: se estiver certo, acaba passando a imagem de traidor do clube que cobre. É uma situação em que se perde de qualquer jeito, e não vale o esforço só para antecipar a escalação oficial.
Além de a encaminhar a um par de colegas para verificar se estava correta, nenhuma ação foi tomada com a informação. Ainda bem, porque a suposição automática era de que 'MG' significava Malo Gusto e que ele substituiria Josh Acheampong no onze recebido. Na verdade, tratava-se de Marc Guiu, que entrou de última hora no lugar de Liam Delap, ausente por indisposição.
Com exceção do mal-entendido sobre “MG”, o onze inicial estava totalmente correto, e a informação veio de alguém sem ligação ao Chelsea. Por isso, notícias sobre a equipa circulam no dia dos jogos. Às vezes, Rosenior e os seus assistentes conseguem informações sobre os adversários.
Embora tenham sido prejudiciais, o Chelsea não vai atribuir à imprensa francesa os vazamentos como motivo para a derrota por margem tão ampla neste confronto de ida e volta. E nem deveria. É verdade que o PSG conhecia o XI de Rosenior para o jogo de ida e certamente tomou nota das notícias de que Wesley Fofana não começaria a partida de volta, já que Trevoh Chalobah e Jorrel Hato vinham treinando juntos como dupla de zaga.
Vazamento da escalação de Liam Rosenior não foi o motivo da humilhação do Chelsea diante do PSG

A diferença de qualidade entre as duas equipes — no elenco e na tática — foi o principal fator

Mas, no fim das contas, foi a diferença de qualidade — tanto entre os jogadores em campo quanto nas instruções dadas pelos treinadores — que pesou mais.
Ao analisar esta derrota humilhante em dois jogos para o PSG, Rosenior não pode escapar à sua parcela de culpa pelas decisões que se voltaram contra ele, por mais ousadas que tenham sido.
Duas escolhas na escalação, em particular, contribuíram para esta saída da Europa por 8 a 2.
Primeiro, a opção por Filip Jorgensen no jogo de ida no Parc des Princes custou caro: o substituto de 23 anos de Robert Sanchez mostrou, na derrota por 5 a 2, que ainda não está à altura de noites como essa. Ele participou diretamente do terceiro gol do PSG e falhou nos lances do quarto e do quinto.
Escalado de forma improvisada na lateral direita em Stamford Bridge, Mamadou Sarr falhou no lance que levou ao gol de abertura de Khvicha Kvaratskhelia aos seis minutos. Sob o comando do experiente Luis Enrique, o PSG pareceu explorar o lado de Sarr, que acabou substituído no intervalo.
Rosenior pode alegar que tinha poucas opções, com Reece James lesionado e Malo Gusto doente, o que o deixou sem laterais-direitos, mas havia outras alternativas além de Sarr. A noite do jogador de 20 anos ficou ainda pior ao saber que o resultado da final da Copa Africana de Nações foi anulado em uma decisão importante, declarando que seu Senegal perdeu a partida por W.O. para o Marrocos.
Pode-se dizer que Rosenior foi corajoso ao bancar as escolhas que fez nesses dois jogos, mas, infelizmente para o treinador do Chelsea, o PSG já sabia o que vinha pela frente e estava preparado para castigá-lo.
Enzo Fernández decepcionou o Chelsea ao insinuar, em suas declarações após a partida, que pode deixar o clube

Não caiu bem o facto de Enzo Fernández, capitão do Chelsea na noite, ter usado de imediato uma entrevista à ESPN Argentina para colocar em dúvida o seu futuro no clube.
Sim, ele estava apenas respondendo a uma pergunta direta sobre o que vai acontecer neste verão, mas optou por dizer ‘não sei’ e ‘vamos ver’. Poderia facilmente ter seguido por outro caminho, se quisesse, mesmo com as emoções ainda à flor da pele logo após uma dolorosa eliminação europeia.
Um colega em Stamford Bridge verificou que as declarações de Fernández que circulavam nas redes sociais eram de fato autênticas antes de serem usadas pela imprensa inglesa. É de se imaginar que o Chelsea tenha feito o mesmo.
Rosenior disse não ter conhecimento disso quando foi questionado em sua coletiva, mas fica a dúvida sobre o que ele e o Chelsea pensarão quando a poeira desta derrota baixar.