slide-icon

Sem dúvida, o Arsenal tem em Max Dowman uma futura superestrela — e Mikel Arteta merece crédito por assumir um risco que poderia ter saído pela culatra, escreve Isaan Khan

O Arsenal manteve viva por pouco a sua luta pelo título da Premier League e acabou o fim de semana com a vantagem ampliada na liderança.

Os Gunners precisaram de 89 minutos para marcar o primeiro gol contra o Everton, e por um momento parecia até que poderiam perder a partida. Mas, na hora decisiva, apareceu o herói — ou melhor, o garoto.

A entrada de Max Dowman fez a diferença nesta partida. Com apenas 16 anos, ele se tornou o mais jovem artilheiro da história da Premier League ao arrancar por todo o campo para marcar o segundo gol já nos acréscimos: 2 a 0.

Antes disso, ele teve papel decisivo no gol de abertura do também substituto Viktor Gyokeres e saltou nas costas do jogador de £64 milhões na comemoração, agora já integrado em definitivo ao time principal.

Só o tempo dirá o que ele ainda vai alcançar. Mas cresce a sensação de que este time do Arsenal pode conquistar algo especial nesta temporada, com seu primeiro título da Premier League desde 2004.

ISAAN KHAN, do Daily Mail Sport, esteve no Emirates para analisar a vitória do Arsenal por 2 a 0 sobre o Everton.

Max Dowman saiu do banco para o Arsenal e mudou o jogo contra o Everton a favor da equipa

doc-content image

Ele combinou com Viktor Gyokeres (à direita) no gol de abertura antes de fazer história com um gol seu nos minutos finais

doc-content image

Um jovem de 16 anos mantendo viva a briga pelo título da Premier League? Pode parecer loucura, mas tempos desesperadores exigem medidas desesperadas. E o Arsenal tem em mãos uma futura superestrela, sem qualquer dúvida.

Apesar dos £250 milhões gastos no verão, Mikel Arteta recorreu a Dowman aos 75 minutos — e ele correspondeu. Com o jogo empatado, colocá-lo no lugar de Martin Zubimendi pareceu um enorme risco, ao lançar um adolescente inexperiente em busca de algo, qualquer coisa.

Seu cruzamento fechado e em arco, batido com força e velocidade, foi mal afastado por Jordan Pickford. Na sequência, Piero Hincapié empurrou a bola pela frente do gol para Gyokeres, que só completou para as redes.

Dowman ainda não tinha acabado. Com Pickford na área adversária para um escanteio nos acréscimos, o adolescente driblou dois defensores com habilidade antes de arrancar por todo o campo para marcar. Aos 16 anos e 73 dias, tornou-se o jogador mais jovem a marcar na história da Premier League, superando o recorde de James Vaughan, do Everton (16 anos e 270 dias), estabelecido em 2005.

Arteta correu pela linha lateral socando o ar; a torcida foi ao delírio, com o jovem de Essex salvando a equipe em um jogo que caminhava para um empate sem gols. Ele merece crédito por assumir um risco que poderia ter dado errado ao lançar um garoto tão jovem em uma partida decisiva na corrida pelo título.

O momento de Dowman pareceu decisivo, daqueles que serão lembrados no fim da temporada ao se avaliar quando a liga pode ter sido ganha. A forma como o banco do Arsenal cercou sua joia na comemoração e a reação de Arteta disseram muito mais do que apenas três pontos. Tudo reforçou a sensação de que o título deve acabar em Londres em maio — ainda mais agora, com o empate do Manchester City diante do West Ham.

"É algo enorme porque você coloca tanta paixão, esforço e tantas horas nisso, que é a nossa paixão", disse Arteta. "Quando você se vira e vê o banco e aqueles olhares cheios de felicidade, daquela alegria, quase sem acreditar no que acabou de acontecer."

'Isso faz todo o sentido pelo que fazemos e pelos momentos difíceis que atravessamos. E também pela reação do banco. Quando vejo todos tão comprometidos e tão felizes com a forma como a equipe venceu, isso é muito especial.'

Os sinais são positivos para a luta do Arsenal pelo título — e para o futuro de Dowman.

Everton teve suas chances no jogo, mas Riccardo Calafiori foi um dos responsáveis por impedir que a equipe balançasse as redes

doc-content image

Eles nunca facilitam, não é? O Everton teve as suas chances, talvez até melhores do que as do Arsenal no primeiro tempo.

Dwight McNeil acertou a trave pouco depois de Riccardo Calafiori afastar acrobaticamente a bola em cima da linha com o pé.

Mais tarde no primeiro tempo, David Raya espalmou a finalização de Kiernan Dewsbury-Hall. Os Toffees entraram dispostos a lutar, acreditando que poderiam sair com os três pontos.

A impressionante sequência fora de casa, sem perder desde dezembro, não pode ser ignorada. Mas, para um time que busca seu primeiro título da liga em duas décadas, o Arsenal precisa parar de ceder chances — caso contrário, isso vai custar caro em breve.

Outro ponto que surgiu foi a forma como o clube do norte de Londres absorve a pressão em certos momentos da partida, entre uma ou duas defesas felinas de David Raya.

Aos 49 minutos, Raya negou o gol a Beto à queima-roupa após cobrança de escanteio. Foi uma defesaça. Sempre que exigido ao longo da partida, Raya apareceu como de costume.

Mas isso não é sustentável. Depender do goleiro para fazer defesas milagrosas acabará prejudicando o Arsenal, por mais talentoso que seja Raya.

Kai Havertz foi derrubado por Michael Keane no primeiro tempo e, possivelmente, deveria ter sofrido um pênalti

doc-content image

Uma palavra sobre a polêmica do pênalti de Kai Havertz.

Jamie Redknapp classificou como uma 'vergonha absoluta' o lance em que Michael Keane pisou no calcanhar do alemão e não houve qualquer infração assinalada.

Redknapp tem razão. Como Keane escapou disso, ninguém sabe.

Isso faz você pensar para que serve o VAR…

Viktor GyokeresLate WinnerInjury UpdatePremier LeagueArsenalEvertonManchester CityMax Dowman