Igor Tudor está a conduzir o Spurs para uma espiral de colapso. O grupo desorganizado que dirige o clube foi imprudente e ingénuo ao entregar-lhe o cargo — e tem de o despedir já, escreve OLIVER HOLT
Na descida aos infernos do Tottenham, cada vez mais determinada, esta temporada foi pontilhada por marcos de ignomínia.
Um dos primeiros momentos ocorreu após a derrota em casa para o Chelsea, no início de novembro, quando Micky van de Ven e Djed Spence passaram diretamente por Thomas Frank enquanto ele tentava fazê-los reconhecer os torcedores do Tottenham.
Foi aí que todos tiveram a certeza de que, além da onda de lesões no Spurs, havia algo muito errado no balneário e que Frank estava condenado.
Outro momento marcante foi a expulsão do capitão do Spurs, Cristian Romero, meia hora após o início do jogo contra o Manchester United no mês passado. O capitão, cujo cartão vermelho lhe valeu uma suspensão de quatro partidas, parecia um homem a abandonar um navio à deriva.
Depois veio a decisão absurda e imprudente de confiar a luta contra o rebaixamento a Igor Tudor, um treinador que passa por cargos como se estivesse pisando em brasas.
Tudor teve 12 empregos nos últimos 11 anos e mantém um estilo autoritário à moda antiga que faz a velha guarda dos treinadores britânicos parecer bastiões do Iluminismo.
A decisão da diretoria do Tottenham de confiar a luta contra o rebaixamento a Igor Tudor foi absurda e imprudente

A substituição do goleiro novato Antonin Kinsky após 17 minutos no Atlético de Madrid seguirá o Spurs de volta à Inglaterra e assombrará o que resta desta temporada de pesadelo

Talvez isso devesse ter alertado a cúpula que dirige o Spurs de que ele poderia não ser a pessoa certa para assumir o comando num momento tão crucial para o futuro do clube.
A ideia de que poderiam simplesmente atravessar o resto da temporada sem sobressaltos para entregar o cargo a Mauricio Pochettino no verão foi extremamente ingénua e irresponsável.
E depois, tão prejudicial, tão feia e tão humilhante quanto qualquer outro desses marcos, houve a noite de terça-feira no Estádio Metropolitano, em Madri.
Não havia pontos da Premier League em jogo no confronto de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Atlético de Madrid, mas a derrota catastrófica e desorganizada por 5 a 2 os empurrou para mais perto da zona de rebaixamento.
Foi uma noite terrível para o Tottenham, agravada pela cena do jovem goleiro Antonin Kinsky sendo substituído aos 17 minutos de jogo.
Kinsky cometeu dois erros graves que ofereceram gols precoces ao Atleti, permitindo que a equipe abrisse 3 a 0 antes dos primeiros 15 minutos de jogo.
Mas a sua substituição por Tudor — e a forma como ela foi feita — é algo que acompanhará o Spurs de volta à Inglaterra e assombrará o que resta desta temporada de pesadelo.
Tudor, que agora soma quatro derrotas em quatro jogos no comando, pode ter a aura de um durão do futebol, mas parece um coelho paralisado pelos faróis quando as coisas dão errado.
A direção do Tottenham e o diretor-executivo Vinai Venkatesham precisam admitir o erro e demitir Tudor agora, numa última chance de salvar a situação

Quem estiver no comando do Tottenham precisa perceber que é necessário agir com decisão e colocar um novo treinador à frente da equipa antes do jogo contra o Liverpool no domingo

Desde que assumiu o lugar de Frank, o saldo é de cinco gols marcados e 14 sofridos. Um verdadeiro desastre.
O técnico interino do Spurs não ofereceu qualquer apoio ao jovem goleiro, que caminhou atordoado até a linha lateral para ser substituído por Guglielmo Vicario.
Coube a outros tentar tranquilizá-lo enquanto ele atravessava o pior momento de sua carreira profissional.
Àquela altura, quem estava no estádio disse que parecia estar diante da cena de um acidente. Foi um trauma — ao menos em termos futebolísticos.
O Tottenham perdia por 4 a 0 nos primeiros 23 minutos no Metropolitano. Pode ter sido o pior início de primeiro tempo que o clube já viveu.
Levas de torcedores do Spurs deixaram o estádio após o quarto gol. Clientes de restaurantes no centro de Madri presenciaram torcedores do Spurs, refugiados da humilhação, vagando pelas ruas antes mesmo de o jogo chegar ao intervalo.
Os torcedores do Spurs não precisam ser avisados de que o maior problema agora é uma hierarquia do clube que não sabe o que está fazendo.
Sem o antigo presidente Daniel Levy, o clube parece agora ser dirigido por membros da família de Joe Lewis, sobretudo a sua filha Vivienne e o genro Nick Beucher, ambos sem experiência prévia no futebol.
Eles e o diretor-executivo Vinai Venkatesham precisam admitir agora que cometeram um erro grave ao nomear Tudor e que não podem perder mais tempo.
Eles cometeram erro após erro ao longo desta temporada e agora têm uma última oportunidade para tentar salvar a situação.
A ideia de que o clube poderia esperar por Mauricio Pochettino — que esteve presente na terça-feira — até o verão foi extremamente ingênua e imprudente

Se o Spurs quiser ter alguma hipótese de evitar o rebaixamento para a Championship, a diretoria desorganizada que comanda o clube precisa transformar o cargo de Tudor em seu 13º trabalho em 11 anos e demiti-lo imediatamente.
Com West Ham e Nottingham Forest, também em dificuldades, a darem sinais de recuperação, cada ponto passa a ser crucial para o Tottenham.
Quem quer que esteja no comando do Spurs precisa reconhecer isso e agir de forma decisiva. O Spurs joga em Liverpool no domingo, e Lewis, Beucher ou Venkatesham precisam entender que um novo nome tem de estar no cargo até lá.
O Liverpool não é o time da temporada passada — está muito longe disso. Acaba de viver uma noite dura na Liga dos Campeões, com derrota para o Galatasaray.
Assim, o domingo é uma oportunidade para o Tottenham — mas apenas se Tudor sair. Porque já está claro que a única coisa para a qual ele os está a conduzir é uma espiral descendente.
Talvez seja pedir demais que a família Lewis tenha um plano de sucessão. Não parecia haver um quando decidiram demitir Frank.
Pochettino esteve no Metropolitano na noite de terça-feira, mas é o selecionador dos Estados Unidos, e a ideia de deixar o cargo antes da Copa do Mundo no verão é impensável.
Há dúvidas sobre se ele estaria disposto a assumir o comando de uma equipe da Championship na próxima temporada. Também há indicações de que ele figura na lista restrita do Real Madrid para o cargo de próximo treinador.
Talvez o Spurs possa recorrer a Sean Dyche, recentemente dispensado pelo Forest. Talvez possa apostar numa lenda do clube como Glenn Hoddle. Talvez ele os conduza à salvação embalado por uma onda de nostalgia.
Neil Warnock, agora com 77 anos e no comando interino do Torquay United, brincou no fim de semana que o Spurs deveria tê-lo procurado quando demitiu Frank.
No fim das contas, a piada é com o Spurs, como tantas vezes pareceu acontecer nesta temporada. Porque Warnock teria sido muito melhor do que Igor Tudor.
É hora de pôr fim a esse experimento maldito, de Tudor sair e de o Spurs fazer sua última aposta.