Como Bruno Fernandes calou os críticos no caminho para a redenção na Premier League
Mais uma semana, mais uma atuação de melhor em campo para Bruno Fernandes, referência do Manchester United. A revolução de Michael Carrick teve um pequeno tropeço no empate em 2 a 2 com o Bournemouth, mas foi o português quem roubou a cena mais uma vez, decisivo para sua equipe.
Fernandes marcou seu 106º gol pelo clube em cobrança de pênalti no segundo tempo e, depois, bateu o escanteio fechado que acabou na rede do Bournemouth após desvio de James Hill. Mas sua atuação rendeu apenas um ponto na noite, já que o cartão vermelho de Harry Maguire e o pênalti convertido por Eli Junior Kroupi definiram um jogo movimentado no Vitality. Para o capitão do United, foi mais um passo adiante em sua trajetória complexa.
Ele pode estar desapontado porque o lance do segundo gol do United não entrou na sua contagem de assistências na perseguição ao recorde de uma única temporada da Premier League, mas seus comentários sobre as decisões de pênalti mostram por que foi nomeado capitão do United desde o início: para o jogador de 31 anos, o resultado sempre é muito mais importante do que um novo recorde estatístico.
Os torcedores do United dirão que Fernandes já é uma lenda da Premier League e, embora isso ainda possa ser debatido, ele certamente garantiu seu lugar na história do clube em Old Trafford.
Fernandes deu sua 100ª assistência pelo United na vitória por 3 a 1 sobre o Aston Villa no último fim de semana e se tornou o terceiro jogador da era Premier League a alcançar 100 gols e 100 assistências pelo clube.
Ao mesmo tempo, ele quebrou o recorde do clube de assistências em uma temporada da Premier League, superando as 15 de David Beckham em 1999-2000. O gol marcado contra os Cherries nesta semana o levou a 106 pelo clube, deixando-o em 19º na lista histórica — à frente de nomes como Beckham e Eric Cantona, e cada vez mais perto de Andy Cole e Ole Gunnar Solskjaer.
No recorde histórico de assistências do United, Fernandes ainda persegue as 162 de Ryan Giggs e, embora esse número pareça fora de alcance, vale destacar que Giggs distribuiu suas assistências ao longo de 672 jogos e 24 anos no clube.
abrir imagem na galeria

Embora o status de Fernandes como lenda do clube já não esteja em debate, sua reputação em um cenário mais amplo é bem mais complexa.
Fernandes tem sido o melhor jogador de um United em dificuldades nas últimas temporadas, mas nem sempre brilhou: enfrentou problemas sob Ruben Amorim e também teve mais dificuldades com Erik ten Hag. Embora alguns atribuam a má fase do clube aos treinadores, e não a um jogador ou grupo específico, Fernandes passou a ser questionado depois da queda nos seus números, que no início eram excelentes.
Está claro que as dificuldades do United não foram culpa apenas de Fernandes, embora em alguns momentos ele também não tenha ajudado. Sobrecarregado com grande parte da criação ofensiva da equipe, o português frequentemente tentava encaixar passes de risco para iniciar ataques ou produzir algo fora do comum. Ele também não conseguiu influenciar partidas em várias ocasiões de grande destaque, como em duas finais da Liga Europa.
Abrir imagem na galeria

Mas março de 2026 está muito distante de maio de 2025, quando Fernandes e seus companheiros deixaram o gramado de San Mamés desolados após uma derrota constrangedora para o Tottenham Hotspur na final da Liga Europa.
Agora, o cenário no clube é bem mais positivo, com oito vitórias em 11 jogos sob o comando do técnico interino, deixando a equipe em boa posição para voltar à Liga dos Campeões.
Michael Carrick receberá muitos elogios por esta reviravolta, mas em campo foi Fernandes quem liderou a transformação do clube, que saiu de um 15º lugar para uma equipa com potencial para disputar títulos num futuro próximo.
Mesmo para além das métricas habituais, Fernandes apresentou melhorias claras em outras áreas do seu jogo, da capacidade de manter a bola em espaços curtos à tomada de decisão, muitas vezes um dos aspetos mais subestimados que distinguem os melhores jogadores.
Abrir imagem na galeria

Ainda assim, as “métricas habituais” já dão toda a prova necessária. O capitão do United soma três gols e oito assistências desde que Carrick assumiu em janeiro e agora lidera a tabela de assistências da liga com 16, o dobro do segundo colocado, Rayan Cherki. Talvez ainda mais impressionante seja o número de chances criadas nesta temporada: 101 em apenas 28 partidas.
Em termos simples, ele está muito à frente dos seus contemporâneos nos dois indicadores mais importantes para um meio-campista criativo. Fernandes pode muito bem terminar a temporada com o recorde de assistências da Premier League e também com o prêmio de Jogador do Ano.
É inegável que ele é hoje o melhor meio-campista criativo da liga, mas não pode fazer tudo sozinho. Até aqui, suas tentativas de conquistar a Premier League têm sido prejudicadas pela qualidade do treinador e da equipe ao seu redor.
No entanto, o português tem beneficiado da chegada e da afirmação de jogadores de maior qualidade, com Matheus Cunha, Casemiro, Kobbie Mainoo e Benjamin Sesko a mostrarem que podem ser companheiros de equipa à altura. Tudo aponta para uma empolgante temporada 2026-27 para o clube, sobretudo se acertar em decisões-chave e nas contratações.
Abrir imagem na galeria

Para Fernandes, os benefícios de ter companheiros de equipa melhores já ficaram claros após apenas 11 jogos. A nível individual, o seu caminho de redenção na Premier League pode ficar selado até ao fim de maio, e a sua qualidade como um dos melhores jogadores do mundo já não deixa dúvidas.
Ainda que entrar para a história das premiações individuais seja um bónus importante, o capitão do United não dará valor a distinções pessoais sem títulos. Na prática, ele sabe que a sua redenção acompanhará a do clube, e apenas um título da Premier League será suficiente para garantir, com justiça, o seu lugar nos livros de história.