Gianni Infantino não tem dúvidas sobre o México apesar dos problemas com cartéis e confirma que a Copa do Mundo não mudará de sedes
Apesar da onda de violência desencadeada após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", o presidente da FIFA, Gianni Infantino, garantiu que a Copa do Mundo marcada para este verão no México será mantida e que não há planos de mudança de sede.
Oseguera Cervantes, líder do Cartel de Jalisco – Nova Geração, morreu durante uma operação do Exército mexicano para capturá-lo. O episódio desencadeou vários dias de violência em diferentes regiões do país, especialmente no estado de Jalisco, onde, segundo dados oficiais, pelo menos 70 pessoas morreram em confrontos e distúrbios.
Infantino: "Ninguém precisa mudar nada"
O presidente da FIFA foi claro ao apoiar a realização do torneio em solo mexicano. Em declarações citadas pelo Miami Herald, o dirigente destacou que a FIFA mantém comunicação constante com o governo liderado por Claudia Sheinbaum.
Ninguém precisa mudar nada. Estamos em contacto permanente com a presidência do México e com as autoridades. Temos total confiança nas autoridades mexicanas.
O dirigente acrescentou que, embora a situação esteja a ser acompanhada de perto, o organismo máximo do futebol mundial está confiante de que tanto a Copa do Mundo como os jogos das eliminatórias decorrerão sem problemas. Entre eles estão partidas marcadas para o próximo mês no Estádio Akron, em Guadalajara, uma das cidades mais afetadas pelos recentes episódios de violência.
Infantino também apelou às raízes futebolísticas do país: "O México é um país do futebol. As autoridades e o povo farão tudo o que for possível para garantir que a Copa do Mundo seja uma celebração do futebol".
Guadalajara sob os holofotes
A cidade de Guadalajara, capital do estado de Jalisco, está programada para receber quatro partidas da Copa do Mundo neste verão, colocando-a sob os holofotes internacionais. No entanto, a recente onda de violência já afetou o calendário esportivo nacional: pelo menos quatro jogos locais de futebol foram adiados no último domingo por motivos de segurança.
Sheinbaum ofereceu "todas as garantias" para a realização da Copa do Mundo e assegurou que "não há risco" para os torcedores que pretendem comparecer.
Preocupação internacional
Nem todos compartilham o otimismo da FIFA. No Caribe, a Federação Jamaicana de Futebol expressou preocupação com a situação. A Jamaica está programada para disputar um jogo de repescagem em 26 de março, em solo mexicano, e seu presidente, Michael Ricketts, reconheceu estar apreensivo.
“Ainda temos um mês para ver o que acontece, mas, sinceramente, isso me deixa muito nervoso”
Ele afirmou, acrescentando que estarão atentos às decisões da CONCACAF e da FIFA, caso seja necessário buscar sedes alternativas.
Em nível local, também há vozes críticas. Hugo Alejandro Perez, morador de Guadalajara, manifestou sua discordância com a organização do evento em meio à crise: "Temos tantos problemas e eles querem investir na Copa do Mundo? Com tanta violência, não é uma boa ideia", disse à Associated Press.
Uma Copa do Mundo sob escrutínio
Enquanto a FIFA mantém uma posição de confiança e o governo mexicano reafirma que existem condições para garantir a segurança, o contexto atual coloca o México sob escrutínio internacional.
A bola ainda está prevista para rolar, mas a estabilidade nas próximas semanas será fundamental para garantir que a Copa do Mundo não apenas aconteça, mas cumpra a promessa de ser uma verdadeira festa do futebol.