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FIFA teme sediar jogos de playoff em cidade marcada pela violência de cartéis

Uma escalada de violência no estado mexicano de Jalisco neste fim de semana colocou em evidência a preparação de Guadalajara para receber partidas da Copa do Mundo da FIFA de 2026, enquanto autoridades lidam com preocupações de segurança ligadas à atuação do crime organizado.

A reação mortal ocorreu após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), durante uma operação das forças de segurança mexicanas no domingo, que desencadeou represálias generalizadas em toda a região.

Relatos indicam que membros do cartel reagiram à morte de El Mencho incendiando veículos, erguendo bloqueios em chamas em rodovias estratégicas e provocando distúrbios em grandes cidades, incluindo Guadalajara e a vizinha Puerto Vallarta.

Essas ações complicaram as viagens, resultaram no cancelamento de voos e levaram governos estrangeiros a emitir alertas recomendando cautela aos viajantes.

A onda de distúrbios, que incluiu incêndios criminosos e bloqueios com “veículos queimados ao longo da rodovia” nas imediações do Estádio Akron, repercutiu em um dos principais polos esportivos do México, evidenciando os desafios de segurança do país às vésperas de coorganizar o torneio global.

A FIFA não declarou publicamente que Guadalajara perderá o status de cidade-sede, mas fontes envolvidas no planejamento reconhecem uma preocupação elevada sobre se as condições locais podem garantir o nível de segurança esperado para um evento esportivo global dessa magnitude.

Os organizadores locais foram solicitados a demonstrar que conseguem garantir a segurança tanto dos jogos da Copa do Mundo quanto dos principais playoffs de qualificação marcados para o fim de março.

Pressões de segurança aumentam com a proximidade da Copa do Mundo

Os distúrbios deste fim de semana representaram um dos desafios de segurança mais visíveis para Guadalajara, a pouco mais de três meses do pontapé inicial da Copa do Mundo.

Várias partidas da Liga MX na cidade foram adiadas ou remarcadas em meio ao caos, incluindo o Clásico Nacional feminino entre Chivas Femenil e América Femenil, que os organizadores decidiram adiar devido a preocupações com rotas bloqueadas nas imediações do estádio.

Autoridades locais e federais acionaram protocolos de segurança reforçados, declarando o que foi descrito como um "alerta vermelho" em partes da região metropolitana, e pediram aos moradores que evitassem sair às ruas enquanto as forças de segurança retomavam o controle.

Embora essas medidas tenham ajudado a estabilizar a situação, o choque das represálias violentas levantou questões sobre a preparação mais ampla.

Guadalajara vai receber quatro jogos da fase de grupos da Copa do Mundo, com seleções como México, Espanha e Uruguai. A cidade também está programada para sediar dois jogos de repescagem em março, que servirão como última chance de classificação para outras seleções nacionais.

As seleções nacionais da Coreia do Sul e da Colômbia também escolheram Guadalajara como base, com os sul-coreanos instalados no centro de treinamento Chivas Verde Valle e os colombianos na Atlas FC Academia AGA.

Os organizadores enfatizaram que a segurança é a principal prioridade. Autoridades das forças de segurança locais prometeram destacamentos significativos para proteger locais como o Akron Stadium e a infraestrutura ao redor nos próximos meses.

As medidas devem incluir patrulhamento coordenado por autoridades estaduais e federais, vigilância avançada e planos de contingência durante eventos com grandes multidões.

Para torcedores e moradores, os acontecimentos do último fim de semana foram um lembrete contundente de que, em uma cidade celebrada por sua cultura e paixão fervorosa pelo futebol, persistem desafios de segurança.

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