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Erro de Guehi e falha de Donnarumma: foi esta a noite em que o City perdeu a corrida pelo título?

No apito final, os jogadores do Manchester City desabaram no gramado, abatidos diante da dimensão da noite. Talvez alguns já fizessem as contas: o City está nove pontos atrás do Arsenal, com um jogo a menos. Os dois se enfrentam no Etihad no mês que vem. Ainda não está perdido. Mas, no London Stadium, o time tinha a aparência de quem acabara de levar um duro golpe.

Entre os jogadores do Arsenal que influenciaram o rumo desta disputa pelo título, poucos imaginariam que um dos protagonistas seria um estudante de 16 anos que ainda nem fez os exames GCSE. Menos gente ainda apostaria em um gigante zagueiro grego, que disputou apenas oito partidas pelo Arsenal há muito tempo.

Cerca de uma hora depois de Max Dowman decidir contra o Everton e se tornar o mais jovem artilheiro da história da Premier League, a poucos quilômetros dali, o zagueiro do West Ham Konstantinos Mavropanos acertou uma cabeçada no travessão e para dentro do gol do City. O Arsenal marcou no fim para vencer; o City pressionou, mas saiu com um empate por 1 a 1 que pareceu quase fatal.

Claro que não. A temporada ainda está em aberto. Mas uma disputa pelo título não se resume a números frios: há um clima, uma oscilação, um embalo que vai e vem. E, nesta fria noite de março, toda a energia parecia estar no lado vermelho do norte de Londres.

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Foi apropriado que Mavropanos prejudicasse as aspirações do City. Também pareceu apropriado que o seu golo tivesse surgido de um canto, depois de tanta discussão nesta temporada sobre a importância das bolas paradas e a forma como o Arsenal as explora. O cruzamento de Jarrod Bowen viajou pelo ar e passou por cima do punho de Gianluigi Donnarumma, que deveria ter afastado a bola. Mavropanos atacou a bola com convicção.

O que se seguiu foi uma pressão avassaladora no segundo tempo. Pep Guardiola, que assistia das arquibancadas enquanto cumpria suspensão, lançou várias opções ofensivas. Rayan Cherki e Jeremy Doku deram novo impulso saindo do banco, assim como Phil Foden. As chances vieram e foram desperdiçadas. Cherki finalizou em cima de Hermansen. Reijnders acertou o travessão em uma cobrança de falta de ângulo aberto. Foden, com a ponta do pé esticada, passou por centímetros da bola com o gol escancarado.

O jogo terminou com mais uma bola parada decisiva. Reijnders cobrou um escanteio venenoso e, após a bola quicar pela pequena área do West Ham, ela sobrou nos pés de Marc Guehi. O estádio inteiro prendeu a respiração, esperando o gol, mas viu a finalização subir demais. Foi um desastre em câmera lenta, daqueles lances que parecem trilha sonora de Titanic.

Para o West Ham, foi um ponto que o deixa ao lado do Tottenham e um à frente do Nottingham Forest, fora da zona de rebaixamento pela primeira vez em muito tempo. A equipe não vai gostar da ideia de ajudar o Arsenal na corrida pelo título, mas, se este ponto contar na luta pela permanência — talvez às custas dos Spurs —, terá sido um ponto precioso.

Tem sido uma temporada estranha para o City, que começou em agosto com uma vitória por 4 a 0 sobre o Wolves, escalando nomes como Oscar Bobb, Nico Gonzalez e John Stones, jogadores que hoje até parecem de outro tempo. A formação daquele jogo contra o Wolves está quase irreconhecível, e apenas três voltaram a ser titulares sete meses depois, aqui contra o West Ham: Haaland, Bernardo Silva e Rayan Aït-Nouri. Pode-se até dizer que foram só dois, já que Haaland já não é o mesmo atacante do fim do verão — nem mesmo o Haaland do outono, que marcava gols a cada fim de semana.

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A equipe de Guardiola evoluiu em tempo real, mudando no meio da temporada entre diferentes jogadores, esquemas táticos e versões de Haaland. E, no fim das contas, pelo menos até agora, simplesmente não tem sido tão boa quanto o Arsenal. Nem nos aspectos mais duros do jogo — contra-ataques letais, defesa coletiva, bolas paradas, controle das partidas e provocação competitiva — nem no futebol mais vistoso, ao menos nos últimos três meses.

Guardiola admitiu isso após o jogo: “Somos bons em muitas coisas”, disse. “Mas já não somos tão bons como éramos.”

Este jogo resumiu grande parte dos problemas do City, especialmente contra equipes de bloco baixo. O West Ham montou uma enorme cortina grená diante do gol de Mads Hermansen, avançando em direção à bola e recuando de novo enquanto o City tentava desesperadamente encontrar uma brecha.

É isso que Nuno Espírito Santo traz, claro: linha de cinco na defesa e mais cinco no meio-campo sem a bola. Quando o City avançava para o terço final, a distância entre os zagueiros centrais do West Ham e Jarrod Bowen não devia passar de 20 jardas.

"Não havia outra forma", disse Nuno. "Foi heroico da parte dos nossos rapazes. Ainda temos um longo caminho pela frente e muito trabalho a fazer."

Ao menos no início, foi um espetáculo penosamente sem graça. A recusa de Nuno em ceder qualquer espaço, somada à aversão de Guardiola a passes com mais de 10 jardas, transformou o jogo em uma disputa travada, em espaços curtos e congestionados. Erling Haaland até fez algumas boas infiltrações pelos corredores, mas os meio-campistas do City o ignoraram repetidamente.

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O City finalmente abriu o placar quando Bernardo Silva errou o cruzamento, mas a bola encobriu Hermansen e entrou no canto oposto. Ele até poderia dizer que foi intencional, mas foi visto claramente dizendo “passe” ao banco do City, com um sorriso sem graça.

Mavropanos empatou pouco depois, em grande parte após um erro de cálculo de Donnarumma. O goleiro tem gosto por lances espetaculares e fez defesas chamativas em vários momentos desta temporada, mas os modelos de dados seguem apontando notas baixas em outros indicadores, como a distribuição de bola e, de forma reveladora, o domínio da pequena área.

O City não teve outra opção senão se lançar com tudo sobre o West Ham, assim como o Arsenal havia pressionado o Everton nos minutos finais no Emirates. Onde um teve sucesso, o outro falhou. E é nesses minutos decisivos, nesses pequenos detalhes, que um título pode ser conquistado ou perdido.

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