Por dentro da reformulação do Arsenal na corrida pelo título, com a tensão a aumentar na reta final
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Mesmo nos raros momentos de descontração, os pensamentos acabavam por se voltar para o “outro lado”. Pep Guardiola esteve ausente no domingo, aproveitando uma visita surpresa ao seu antigo clube, o Brescia, da Serie C, mas, claro, manteve-se a par do que estava a acontecer com o Arsenal.
Logo após saborear o alívio e a euforia da vitória sobre o Spurs, Mikel Arteta foi questionado se seguiria a sugestão do treinador do Manchester City, numa raríssima semana sem jogos a meio da semana.
Guardiola brincou após a vitória por 2 a 1 sobre o Newcastle United, dizendo que queria que o elenco "tomasse muitas caipirinhas e daiquiris" durante os três dias de folga.
É difícil não pensar que aquilo tenha sido uma indireta, sobretudo porque um comentário recorrente sobre o Arsenal após o empate por 2 a 2 com o Wolves — feito com um certo grau de seriedade por figuras bastante influentes do futebol — era de que o elenco precisava mesmo de uma boa e velha "noite de farra". A ideia era que o time parecia precisar de um alívio, além de um tipo diferente de união coletiva que surge desse tipo de prática, reconhecidamente contrária à ciência do esporte.
Tal como acontece com o elenco do City e com a maioria dos jogadores modernos, muito poucos atletas do Arsenal consomem álcool de qualquer forma. Esse simplesmente não é o futebol em 2026. Muitos são bastante religiosos e demonstram interesse em ler a Bíblia.
Mérito de Arteta: ele terá lidado bem com as consequências do jogo frente ao Wolves. Ao perceber o abatimento do grupo — a ponto de haver discussões entre alguns jogadores — voltou a enfatizar os aspetos positivos para mudar o estado de espírito. Arteta lembrou ao plantel que, em qualquer momento dos últimos anos — ou mesmo nos sonhos de infância — teriam adorado estar numa posição como esta: cinco pontos de vantagem em fevereiro.
E, tal como após a derrota para o Manchester United, funcionou. No dérbi do norte de Londres, a equipa estava focada e determinada a compensar o revés frente aos Wolves.
As vitórias subsequentes dos dois primeiros colocados, assim como a rara pausa que se seguiu, encaixaram-se de forma quase perfeita na narrativa mais ampla da corrida pelo título.
Porque, a partir da próxima semana, tudo se torna muito real. A corrida entra na reta final. As duas equipes já têm compromissos difíceis neste fim de semana — com o City viajando para enfrentar o Leeds United no sábado, antes de o Arsenal receber o Chelsea — no que agora parece preparar o cenário para outra ocorrência muito rara na quarta-feira: ambos jogam ao mesmo tempo, com o Arsenal indo a Brighton e o City recebendo um resistente Nottingham Forest. Isso certamente deve criar uma dinâmica bastante à moda antiga, com um verdadeiro jogo de troca de golpes na noite.
Depois disso, restam apenas jogos em número de um dígito, e surge aquela dinâmica única de uma corrida pelo título, em que as ações de uma equipe inevitavelmente afetam a outra.
Essa dinâmica pode ser amplificada a níveis extremos pela possibilidade de Arsenal e City se enfrentarem em todas as competições nos últimos três meses: uma grande série que vale tudo, com um nível de tensão quase insustentável.
Essa possibilidade pode acabar sendo demais até para o famoso senso de narrativa da Premier League, diante de alguns sinais já emitidos por ambos os clubes nas últimas semanas…

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