Como Álvaro Arbeloa melhorou o Real Madrid e ganhou prestígio no vestiário
O início de Álvaro Arbeloa como técnico do Real Madrid esteve longe de ser tranquilo. Promovido do Castilla em janeiro, sem experiência no comando de equipes profissionais, após a demissão de Xabi Alonso, ele perdeu seu primeiro jogo para o Albacete.
Além disso, o ex-zagueiro comandou uma queda de rendimento em La Liga que transformou uma vantagem de dois pontos sobre o Barcelona em uma desvantagem de quatro. Por isso, sua nomeação foi recebida com incerteza, e os primeiros resultados só aumentaram as especulações sobre seu futuro.
Nas últimas semanas, porém, a situação mudou. A classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões após duas vitórias sobre o Manchester City, somada à melhora no desempenho, fortaleceu sua posição.
O clima em torno de Arbeloa mudou significativamente, e muito disso se deve à forma como ele tem gerido o elenco, informa Mario Cortegana, do The Athletic.
Um dos principais problemas sob o comando de Alonso foi a falta de sintonia com jogadores-chave. Seus métodos, que incluíam muita análise de vídeo, aumento da intensidade dos treinos e disciplina mais rígida, não foram bem recebidos por uma parte significativa do elenco. Até alguns titulares estavam insatisfeitos.
Com Arbeloa, essa dinâmica mudou. A relação entre a comissão técnica e os jogadores está mais próxima, e sua abordagem é mais valorizada.
Ele é visto como mais acessível e mantém uma comunicação regular e direta. Os jogadores falam frequentemente com ele em seu escritório, e ele também toma a iniciativa de conversar. Isso teve efeitos visíveis em nível individual.
Por exemplo, Brahim Díaz, que antes estava à margem, conversou com Arbeloa e depois foi escalado como titular contra o Celta de Vigo. Desde então, manteve-se na equipe inicial, incluindo os dois jogos contra o Manchester City, com boas atuações.

Há um ambiente mais descontraído no vestiário. (Foto de Denis Doyle/Getty Images)
Outra diferença clara em relação ao período de Alonso é a redução das restrições e a flexibilização geral do ambiente interno.
Sob o comando de Alonso, o acesso aos treinos e aos espaços de dias de jogo era rigidamente controlado, restrito apenas aos jogadores e a um pequeno grupo de treinadores, criando um ambiente fechado, com menos interação e rotinas mais rígidas.
Arbeloa afastou-se desse modelo. O ambiente agora é mais aberto e dinâmico, com menos barreiras na rotina do centro de treinos e nos dias de jogo.
Embora a estrutura profissional central permaneça intacta, a redução da supervisão rígida tornou a experiência diária mais confortável para os jogadores.
Essa mudança ajudou a aliviar as tensões acumuladas sob o comando anterior. Mais importante, isso não levou à falta de disciplina, mas a um equilíbrio melhor entre estrutura e liberdade.
Embora Arbeloa tenha reduzido o volume de análise em vídeo em comparação com Alonso, a preparação continua minuciosa. Sua comissão técnica dedica grande atenção tanto aos adversários quanto à própria equipe, garantindo planos claros para cada partida. Isso tem ficado evidente em decisões táticas específicas.
No confronto recente contra o Manchester City, Federico Valverde deu apoio a Trent Alexander-Arnold na lateral direita para conter Jérémy Doku. As jogadas de bola parada também foram cuidadosamente planejadas.
Ao mesmo tempo, houve um equilíbrio entre organização e liberdade individual. Vinicius Jr., um dos jogadores mais renovados desde a saída de Alonso, tem produzido lances decisivos de brilho individual com mais regularidade nas últimas semanas.

Vinicius vive grande fase sob o comando de Arbeloa. (Foto: Aitor Alcalde/Getty Images)
A evolução de Arbeloa aconteceu em meio a uma grave crise de lesões. O Real Madrid ficou sem vários jogadores-chave, incluindo Jude Bellingham, Éder Militão, Kylian Mbappé e Rodrygo. Em alguns momentos, também perdeu outros nomes importantes, como Raúl Asencio e Eduardo Camavinga.
Apesar dessas ausências, os resultados melhoraram. Após as derrotas para Osasuna e Getafe em La Liga, o Real Madrid reagiu com quatro vitórias consecutivas, incluindo a classificação sobre o Manchester City na Liga dos Campeões.
A equipe manteve-se competitiva mesmo sem vários titulares habituais, refletindo a capacidade de Arbeloa de gerir a situação com eficácia.
Para lidar com as lesões, Arbeloa recorreu à base do Real Madrid, algo visto como um grande ponto a seu favor. O principal exemplo é Thiago Pitarch, de 18 anos, que assumiu um papel importante no meio-campo e foi titular em quatro jogos seguidos.
Outros jogadores, como Jorge Cestero, Manuel Ángel, César Palacios e Diego Aguado, também ganharam minutos. A aposta nos jovens ajudou a manter a profundidade do elenco e também reforçou a imagem de Arbeloa junto à torcida.