slide-icon

Como Pep Guardiola criou novos problemas para Mikel Arteta que podem definir a corrida pelo título

Em meio às cenas já familiares do Manchester City a celebrar mais um troféu — dolorosas demais para o Arsenal —, houve algumas imagens diferentes em Wembley.

Uma delas foi Pep Guardiola trocando algumas palavras por mais tempo com Thomas Tuchel antes de o catalão subir para erguer a Copa da Liga. O treinador do City parecia visivelmente eufórico, como se fosse o primeiro troféu de sua trajetória repleta de títulos no clube.

Declan Rice segue, claro, à espera disso no Arsenal, e Tuchel falou de forma visível por mais tempo com o meio-campista antes de passar. Rice pareceu ser o mais afetado pela derrota, em meio ao clima geral de desânimo no Arsenal.

abrir imagem na galeria

doc-content image

Talvez diga muito o facto de nenhum deles parecer tão abatido como após o empate em 2 a 2 com o Wolves. Mikel Arteta, claro, falou de um “gosto amargo” por não conquistar aquela medalha, mas eles sabem qual é a que realmente querem. Enquanto isso, no City, já se falava em levar este embalo para a corrida pelo título e recomeçar. Guardiola parecia claramente revigorado. Esse também é o efeito que a atuação de um jovem da casa, como Nico O’Reilly, pode provocar.

Haverá essa nova confiança — pelo menos por enquanto.

Esse é, naturalmente, o contexto em que a Copa da Liga costuma ser colocada, embora ainda tenha valor por si só. O que importa é o que ela representa para o restante da temporada.

Abrir imagem na galeria

doc-content image

Abrir imagem na galeria

doc-content image

Embora haja naturalmente muita atenção à “psicologia” e ao “momento”, alguns treinadores de renome presentes no camarote real e em outros setores ficaram mais impressionados com as condições físicas. O consenso entre os técnicos era de que as duas equipes pareciam “exaustas”.

Arteta destacou que este foi o 50º jogo de sua equipe na temporada. Já o City ainda teve as complicações do Mundial de Clubes em meio a tudo isso.

Talvez isso explique, em parte, a escassez de chances claras, a falta de fluidez no jogo e os momentos em que os jogadores — especialmente os do Arsenal, de vermelho — pareciam incapazes de executar ações técnicas simples, como passes ou até o domínio da bola.

A sensação no elenco de Arteta era de que este foi simplesmente um daqueles jogos em que “nada deu certo”. Isso acontece e não é visto como algo tão decisivo quanto em outras partidas, porque o time tem objetivos maiores.

Abrir imagem na galeria

doc-content image

É também por isso que agora há ainda mais reconhecimento pelo inovador estágio da seleção da Inglaterra com elenco dividido criado por Tuchel, que dá descanso a jogadores experientes como Rice.

No entanto, isso não foi unânime.

A diferença quase pode ser resumida assim: Rodri fez sua melhor partida desde antes da lesão e dominou o meio-campo do Arsenal, enquanto Bernardo Silva e Rayan Cherki ofereceram a criatividade necessária nos momentos decisivos. Pode haver uma conclusão mais ampla nisso também.

Nenhuma das equipes pressionou no nível esperado, embora o City tenha feito isso claramente melhor. E, quando o Arsenal passou longos períodos tentando atraí-los, o time de Guardiola resistiu. Com a partida se transformando em duelos de marcação individual que não puderam ser levados ao limite, finalmente houve espaço para a criatividade de Cherki e Silva.

O Arsenal simplesmente não teve isso. Em termos diretos, sentiu as ausências de Martin Odegaard e Eberechi Eze. Fontes próximas ao segundo afirmam que se trata apenas de uma distensão na panturrilha, sem grande motivo de preocupação.

Apesar da decepção, parte do Arsenal avaliou o jogo da mesma forma. Destacou-se que a equipe de Arteta obrigou James Trafford a fazer quatro defesas e ainda acertou a trave e o travessão, enquanto o City teve apenas duas finalizações no alvo.

Abrir imagem na galeria

doc-content image

O que, claro, traz à tona a questão central do goleiro. Kepa Arrizabalaga não tem o melhor histórico em finais da Carabao Cup, considerando também o que aconteceu aqui com o Chelsea em 2019.

Se ele tivesse segurado o cruzamento relativamente inofensivo de Cherki, esta final poderia muito bem ter permanecido em 0 a 0 e ido para a prorrogação. Se David Raya tivesse jogado, outros no Arsenal diriam que eles poderiam ter vencido.

No entanto, quase não faz sentido especular, e não apenas porque isso já está decidido. Arteta nunca mudaria de goleiro, pois há uma convicção firme de que isso seria ruinoso para a “cultura” do elenco.

O contraponto é que a conquista de um título poderia ter mudado isso, mas a Copa da Liga, por si só, seria suficiente?

Abrir imagem na galeria

doc-content image

Muito mais relevante, sobretudo para a grande decisão do título em abril, é esta corrida armamentista de pressão entre as equipes; o jogo de xadrez entre os técnicos que sustenta o que acontece em campo.

Mais uma vez, nenhuma das duas equipas esteve no máximo, mas Guardiola apresentou novos gatilhos de pressão que criaram problemas inesperados para Arteta. O ponto mais evidente foi a forma como o time recuou sobre os zagueiros e Martin Zubimendi para fechar as linhas de passe e impedir o Arsenal de sair jogando desde trás.

Talvez a maior surpresa tenha sido o motivo de a equipa de Arteta não ter apostado no jogo direto, o que agravou ainda mais a sua ineficiência técnica no dia.

Isso apenas ampliou os espaços para Rodri, Silva, Cherki e O’Reilly influenciarem o jogo. Mais uma vez, poderia ter sido diferente se o Arsenal tivesse a qualidade de passe de Raya... mas não tinha. Agora, porém, a equipe tem novas questões táticas a resolver para esse grande jogo.

Abrir imagem na galeria

doc-content image

Em resumo, além da discussão sobre quem é o número um, o próprio Guardiola levou a melhor sobre Arteta. Foi mais um lembrete, naquele dia, de que o aprendiz — rótulo que ele certamente já detesta — ainda tem caminho a percorrer.

Para esse grande jogo de 19 de abril, Arteta terá de encontrar uma forma de superar a pressão do City. Vai precisar pensar bem.

No fim, Guardiola apresentou mais uma inovação inédita para garantir um cenário já conhecido.

Premier LeagueManchester CityArsenalPep GuardiolaThomas TuchelDeclan RiceRodriCarabao Cup