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Clubes da Premier League alertados para impacto financeiro com endurecimento iminente contra patrocínios de apostas

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Clubes da Premier League são pressionados a abandonar patrocínios de apostas após anúncio de repressão do governo. As equipas já terão de retirar casas de apostas da frente das camisolas antes do início da próxima temporada, e agora essa via lucrativa pode ser encerrada por completo.

Em abril de 2023, os clubes da Premier League concordaram em retirar patrocinadores de apostas da parte frontal das camisas até o início da temporada 2026/27. No entanto, a prática ainda não foi gradualmente eliminada, com 11 dos 20 clubes atualmente exibindo marcas de apostas na frente de seus uniformes.

A indústria do jogo está profundamente ligada ao futebol de elite: uma investigação da Investigate Europe revelou no ano passado que 296 dos 442 clubes das principais ligas europeias tinham pelo menos um parceiro de apostas na última temporada, enquanto um estudo de 2023 concluiu que logótipos de casas de apostas podem aparecer até 3.500 vezes durante jogos transmitidos na televisão.

As próximas mudanças nas regras de patrocínio na frente da camisa levantaram receios de que os clubes explorem brechas para continuar a maximizar receitas.

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Casas de apostas pouco conhecidas, focadas exclusivamente no mercado asiático, tornaram-se comuns na Premier League. Muitas não possuem licença de jogo no Reino Unido, mas conseguem contornar a regulamentação por meio de acordos de “white label” com empresas sediadas na Ilha de Man.

A empresa TGP Europe foi obrigada a entregar a sua licença britânica no ano passado após uma investigação da Gambling Commission. Na altura, Bournemouth, Fulham, Newcastle, Wolves e Burnley eram todos patrocinados por sites de apostas operados pela empresa e receberam um aviso.

Agora, o governo do Reino Unido anunciou uma repressão ao setor, que ainda canaliza milhões de libras para clubes da Premier League. “Não é correto que operadores de jogos de azar não licenciados possam patrocinar alguns dos nossos maiores clubes de futebol, aumentando a sua visibilidade e potencialmente atraindo adeptos para sites que não cumprem os nossos padrões regulatórios”, afirmou a secretária da Cultura, Lisa Nandy.

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O governo planeja impedir que empresas sem licença fechem acordos de patrocínio com clubes esportivos, o que pode inviabilizar contratos de substituição quando o patrocínio na parte frontal da camisa terminar neste verão. A medida representa um golpe potencialmente sério para os clubes da Premier League de médio e baixo escalão, que passaram a depender de casas de apostas pouco conhecidas, dispostas a pagar valores elevados para ganhar visibilidade nos mercados asiáticos.

“Se um patrocinador se torna politicamente ou legalmente insustentável, os clubes podem sofrer um impacto duplo, já que os acordos de substituição tendem a ter menor valor quando fechados às pressas e a mesma lacuna de receitas precisa ser dividida entre vários parceiros menores”, afirmou ao Mirror Football Andrew Smith, especialista em finanças esportivas e fundador da Sporta. “Os clubes mais expostos costumam ser os que não estão no topo absoluto, porque têm menos marcas globais na fila.”

Arsenal – Emirates (companhia aérea)

Aston Villa – Betano (apostas)

Bournemouth – bj88 (Apostas)

Brentford – Hollywood Bets (apostas/jogos de azar)

Brighton – American Express (banco)

Burnley – 96.com (Apostas)

Chelsea – IFS (IA)

Crystal Palace – NET88 (Apostas)

Everton – Stake.com (Apostas)

Fulham – SBOTOP (Apostas)

Leeds – Red Bull (marca de bebidas)

Liverpool – Standard Chartered (banco)

Manchester United – Snapdragon (Tecnologia)

Manchester City – Etihad Airways (companhia aérea)

Newcastle – Sela (Entretenimento)

Nottingham Forest – Bally’s (Apostas)

Sunderland – W88 (Apostas)

Tottenham – AIA (Seguro)

West Ham – Boyle Sports (Apostas)

Wolves – DEBET (apostas)

Smith acredita que alguns clubes se tornaram excessivamente dependentes do patrocínio de casas de apostas e agora terão de trabalhar mais para encontrar alternativas. Segundo ele, pode ser necessário recorrer a duas ou três marcas nacionais de médio porte, um patrocinador na manga da camisa, novos parceiros para a equipe feminina e a academia, acordos regionais, maior receita de hospitalidade em dias de jogo e aumento no número de sócios apenas para compensar os £20 milhões por temporada que alguns clubes vinham recebendo de um patrocinador ligado ao jogo.

“A lição para os clubes de futebol é que, quando grande parte da receita está concentrada em uma única fonte ou em poucas fontes, isso representa um risco caso elas saiam ou sejam obrigadas a se retirar por força de legislação”, explica.

“As marcas de apostas dominaram porque pagam valores elevados por espaços premium. Se esse fluxo diminuir, os clubes sem poder de atração global sentirão o impacto primeiro. Os clubes mais inteligentes vão aproveitar este momento para diversificar: mais parceiros, categorias mais limpas e mais receitas sob seu próprio controlo.”

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