Clássico de cinco gols: Bayern supera o Dortmund com virada dramática no segundo tempo
O Der Klassiker fez jus à sua fama histórica, com Borussia Dortmund e FC Bayern Munique protagonizando um jogo eletrizante no Signal Iduna Park. De um primeiro tempo tenso e estratégico, em que o Dortmund abriu o placar com um cabeceio de Schlotterbeck, a uma segunda etapa repleta de gols, drama e heroísmo nos minutos finais, o triunfo por 3–2 teve de tudo: pênaltis, voleios, lances polêmicos e um gol da vitória no último minuto.
Aqui está o nosso relatório detalhado da partida:
Desde o apito inicial, o Bayern deixou claras as suas intenções. A equipa visitante exerceu pressão constante e, nos primeiros dez minutos, teve praticamente o controlo total da posse de bola. O Dortmund ficou encurralado no seu próprio meio-campo, com dificuldades para aliviar a pressão diante do pressing agressivo e da circulação rápida do Bayern.
Mas sempre que o Bayern errava um passe, o estádio explodia. A torcida da casa sentia a oportunidade, e o Dortmund buscava imediatamente sair em velocidade, impulsionado pela energia das arquibancadas.
Um detalhe tático chamou a atenção desde cedo: Yan Couto seguiu Luis Díaz por todo o campo. Com ou sem a bola, o colombiano esteve sempre bem marcado, com Couto reduzindo ao mínimo os espaços pelo lado.
O primeiro grande momento de tensão surgiu quando Nico Schlotterbeck, de volta após lesão para esta partida, atingiu Josip Stanišić com a sola aberta na canela. Os ânimos exaltaram-se e seguiu-se uma longa discussão. No final, o árbitro mostrou apenas o cartão amarelo — uma decisão que irritou os jogadores do Bayern, já que a entrada pareceu perigosamente próxima de um cartão vermelho.
Momentos depois, a ironia apareceu.
Aos 26 minutos, Schlotterbeck — recentemente ligado a uma possível transferência para o Bayern, embora a especulação tenha arrefecido — subiu mais alto após cobrança de falta e cabeceou com força para vencer Jonas Urbig. Foi a primeira oportunidade real do Dortmund na partida, aproveitada com frieza para abrir 1 a 0.
O capitão do Dortmund, Emre Can, teve um primeiro tempo fisicamente complicado. O meio-campista precisou de atendimento duas vezes por problemas no joelho esquerdo após escorregar e, depois de uma terceira interrupção pouco antes do intervalo, foi obrigado a deixar o campo. Ramy Bensebaini entrou em seu lugar.
Em destaque, Bensebaini e Serhou Guirassy começaram no banco, com o técnico do BVB, Niko Kovač, optando por gerir a carga física de ambos devido às exigências do Ramadã.
Apesar do domínio da posse de bola, o Bayern teve dificuldades para criar chances claras depois de sair atrás no placar. Joshua Kimmich testou Gregor Kobel uma vez de fora da área, mas o perigo real foi raro.
A atmosfera invulgar foi acentuada pela ausência dos ultras do Bayern em Dortmund, sem presença visível ou audível. Muitos não compareceram após relatos de confrontos com a polícia antes do jogo.
Ao intervalo, o cenário estava claro: o Bayern tinha a posse de bola, o Dortmund estava em vantagem — e o “Klassiker” seguia totalmente em aberto.
O reinício do segundo tempo sinalizou imediatamente uma mudança de ritmo. As duas equipes voltaram com energia renovada, alongando o jogo e levando mais jogadores ao ataque. Em poucos minutos, ficou claro que a partida não permaneceria truncada.
Um jogador que pouco havia aparecido perto do gol antes do intervalo foi Harry Kane. Isso mudou aos 54 minutos. A pressão ofensiva incessante do Bayern acabou rompendo a defesa do Dortmund, e Kane apareceu bem posicionado para empurrar para as redes de perto e deixar o placar em 1 a 1.
Na marca de uma hora, o segundo tempo já havia produzido mais finalizações no alvo do que todo o primeiro período. O Der Klassiker ganhava ritmo intenso. O Dortmund respondeu com ambição, com Maximilian Beier e Karim Adeyemi encontrando espaços promissores e colocando à prova a solidez defensiva do Bayern.
O ponto de virada veio aos 64 minutos.
Josip Stanišić foi derrubado na área por Nico Schlotterbeck, e o árbitro assinalou prontamente o pênalti. Em meio a vaias ensurdecedoras das arquibancadas, Kane foi para a cobrança. Gregor Kobel ainda tocou na bola, mas a finalização teve força demais. Bayern 2 a 1.
Foi o segundo gol de Kane na noite e o quarto jogo consecutivo em que marcou dois gols — uma atuação de peso no maior palco nacional.
Com o Bayern agora à frente, a tensão disparou. Cada dividida era saudada aos gritos, cada decisão contestada. O barulho dentro do Signal Iduna Park aumentava a cada minuto.
Durante grande parte do jogo, o momento parecia claramente a favor do Bayern — até os 83 minutos.
Um cruzamento de Marcel Sabitzer parecia destinado a Serhou Guirassy, mas passou por ele e encontrou Daniel Svensson. O defensor reagiu por instinto, pegou de primeira e mandou para o fundo da rede. 2 a 2! O estádio veio abaixo. Mais uma reviravolta em um Klassiker eletrizante.
Mas o drama ainda não tinha acabado.
Aos 87 minutos, o Bayern voltou a marcar. O rebote sobrou de forma perfeita para Joshua Kimmich na entrada da área. Com o seu pé esquerdo, o mais fraco, acertou um belo voleio e mandou a bola para o fundo da rede.
O Dortmund ainda tentou buscar o empate nos minutos finais, mas já era tarde demais: resultado final, BVB 2-3 Bayern de Munique.