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Bale: "Zidane não fazia muito... quando jogávamos contra o Barça ou o Bayern, tínhamos 15 minutos de tática"

Gareth Bale é uma das vozes mais autorizadas quando o assunto é o Real Madrid. Com cinco títulos da Liga dos Campeões, quatro Mundiais de Clubes, três Supertaças Europeias, três títulos de LaLiga, uma Copa do Rei e três Supertaças da Espanha, a lenda galesa conhece como poucos os bastidores de uma das melhores equipes da história do futebol.

Em participação no podcast Stick to Football Magazine, com Ian Wright, Gary Neville e Paul Scholes, o camisa 11 do Real Madrid deixou várias declarações para análise, abordando temas como Carlo Ancelotti, Zidane, Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos. Ele também revelou o quão perto esteve de se transferir para o Manchester United e explicou a prioridade do Real Madrid na Liga dos Campeões: “Assim que cheguei, percebi que a Champions é a prioridade. Na Espanha é difícil porque esses dois clubes (Barça e Madrid), talvez com o Atlético, sabem que vão ganhar mais da metade. Não é como a Premier League. Não é que se facilite, mas a Champions é priorizada. O ambiente no estádio é ainda maior, para os torcedores e para o presidente, que dão mais ênfase à Liga dos Campeões”.

Sabia‑se que, se jogasse contra o Barça ou o Bayern, haveria um pouco mais de trabalho tático; contra o resto seria o mínimo: jogo de posse, balizas pequenas, finalizações com remates...

Florentino Pérez: “Ele é o presidente e, só com a sua presença, sentia‑se que tudo ganhava outra dimensão. No fim, ele é o presidente e não se quer dececioná‑lo. Foi ele quem te contratou, quem confiou em ti, e existe uma relação que provavelmente não existe com donos de outros clubes. Ele é apaixonado pelo futebol. Gosta de estar presente, de ser visto. É como um cargo político, tal como o presidente do Barcelona ou até do Atlético. Querem deixar um legado. Obviamente há pessoas abaixo dele, como José Ángel, que funciona como CEO. Eles controlam todo o clube.”

A pressão e a imprensa: “Nos treinos antes dos jogos, há um corredor cheio de jornalistas. Existem jornais dedicados exclusivamente a cobrir o Real Madrid. Não é como na Inglaterra. Você sabe que não pode tirar o pé do acelerador, porque eles vão atrás de você. Sabe que precisa estar sempre alerta, porque podem vendê-lo e outro virá em seguida. Tive de amadurecer muito rapidamente”.

Marcar aquele gol numa final fez muita gente parar de me criticar. Eu tinha assinado por muito dinheiro, nunca me importei, mas...

O glamour de Madrid: «Muitos jogadores foram para lá e havia muito brilho e exposição, mas eu nunca fui assim. Só queria ir, jogar futebol e voltar para casa. Nunca quis o circo que vem com isso. Só queria jogar futebol e estar com a minha família. Se tivesse jogado um pouco menos, provavelmente a imprensa e os adeptos teriam-me atacado menos». Polémica por sair do estádio mais cedo: «Lembro-me de sair de um jogo. Se estivéssemos lesionados, podíamos sair 10 minutos antes do fim, essa era a regra. Saí aos 82 minutos para evitar o trânsito e fui fotografado. Achei que estava a fazer o mesmo que toda a gente. Sei que provavelmente recebi mais críticas do que devia, mas mantive-me fiel a mim próprio».

Jogava golfe uma vez a cada duas ou três semanas; a imprensa criou esse tipo de personagem

A faixa ‘Wales. Golf. Madrid’: “Isso não teve nada a ver comigo (risos). Havia uma bandeira… A imprensa espanhola criou isso. Eu jogava golfe uma vez a cada duas ou três semanas. A imprensa criou esse tipo de personagem. Nunca me importei. Eu tinha a regra de não jogar golfe nas 40 horas antes do jogo. Eu era profissional. Sai do controlo porque eles colocam os adeptos contra ti”. Jogar com Cristiano e Benzema: “Dávamo-nos muito bem no balneário. Nunca tivemos problemas. O Karim era muito tranquilo, eu dava-me muito bem com ele, ficava mais na dele. Nunca discutimos nem brigámos. Jogávamos bem juntos. O Cristiano e eu atuávamos pelas alas, com mais explosão, mas ele mantinha tudo unido. Eu entrei como a última peça do puzzle”. Trabalho tático: “Não fazíamos muito trabalho tático… Olhas para o plantel e eram todos os melhores nas suas posições. Também conhecias bem os teus colegas. O Cristiano, por exemplo, não vai recuar muito para defender, por isso talvez eu tivesse de me sacrificar um pouco. O treinador dá-te obviamente algumas indicações, mas não é ciência espacial”.

Cristiano diria o contrário (risos). Mas sim, gosto de pensar que eu era.

O seu golo contra o Barcelona na final da Copa do Rei: "Foi a primeira época em que recebi críticas. Marcar aquele golo numa final fez com que muita gente parasse de me criticar. Tinha assinado por muito dinheiro, nunca me importei, mas...". Cristiano Ronaldo: "Quando comecei a vê-lo (em Inglaterra), era claramente mais um extremo. Quando cheguei a Madrid, senti que ele estava a fazer a transição para goleador. Estava muito motivado nos treinos e nos jogos apenas para marcar. É por isso que tem tantos recordes. Diria que o Ramos era o maior líder. O Cristiano tinha o seu ego e era líder à sua maneira, mas em termos de líder de equipa, era o Ramos."

Personalidade de Cristiano: "É preciso assumir que essa é a motivação dele (reclamar quando não recebe a bola). Ele só quer marcar. Está à caça de recordes e quer ultrapassar Messi."

Enfrentar o Barça: "Eles eram sempre os adversários mais difíceis. Sempre que jogávamos contra as equipas de Guardiola, no Barça ou no Bayern, sentia‑se que passávamos 80 minutos a correr atrás da bola e depois só restava contra‑atacar. Marquei alguns golos contra eles, não tantos como gostaria. Tínhamos a equipa perfeita para o contra‑ataque: bloco baixo, tranquilidade… Sabíamos disso e aceitávamos". Era o mais rápido da equipa? "O Cristiano diria o contrário (risos). Mas sim, gosto de pensar que era."

Zidane: "Ele também jogou no futebol italiano e entendia esse lado defensivo. Mas não fazia demasiada coisa... Sabias que, se jogasses contra o Barcelona ou o Bayern, haveria um pouco de tática; de resto, seria mínimo, apenas um treino normal, jogo de posse, balizas pequenas, finalizações e pronto. Nos grandes jogos, fazias 15 minutos de tática mais defensiva do que ofensiva e acabou. Ele participava nos treinos, sobretudo quando era adjunto do Carlo, com as pernas como esparguete ou gelatina, mas tinha aquele toque". Diferença em relação a Ancelotti: "O Carlo tinha a melhor gestão humana. Se não jogavas, fazia-te sentir como se fosses o melhor amigo dele. Tinha essa capacidade incrível de manter toda a gente unida e feliz."

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