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Brasil 'conspira' contra Ancelotti em seu impasse com Neymar sobre a Copa do Mundo

No Brasil, o futebol é assunto de Estado — e a presença de Neymar na próxima Copa do Mundo também. Quase todo o debate atual sobre a Seleção gira em torno da decisão delicada que Ancelotti terá de tomar em breve, como se a presença do maior ídolo das últimas gerações fosse a fórmula mágica para resolver todos os problemas de uma equipe que está há 24 anos sem bordar a sexta estrela na camisa.

A pressão aumenta à medida que a hora da verdade se aproxima, impulsionada pelo próprio jogador em uma tentativa desesperada de estar pronto a tempo. A expressão do técnico italiano fica cada vez mais tensa sempre que é questionado sobre o tema — o que acontece quase diariamente. A torcida, claro, está firmemente ao lado de Neymar e aproveita cada oportunidade para demonstrar isso ao ex-treinador do Real Madrid, com cânticos em apoio ao seu ídolo. O barulho certamente vai aumentar nos próximos dias, especialmente após a derrota para a França mesmo com vantagem numérica durante quase todo o segundo tempo. Essa é a trilha sonora com a qual Ancelotti terá de conviver por meses, sem demonstrar abalo.

"Devemos falar sobre aqueles que estiveram aqui, os que jogaram, os que deram tudo, os que assumiram a responsabilidade e trabalharam duro", disse Ancelotti ao ser questionado sobre os cânticos.

O problema é que o vestiário da seleção brasileira concorda em grande parte com os torcedores — e os jogadores dizem isso abertamente quando são colocados diante dos microfones. Essa antiga lealdade não escrita entre os futebolistas, de respeitar as lendas, tornou-se a arma mais forte na campanha de Neymar para estar na convocação. Ninguém aponta quem deveria ceder lugar, mas há a sensação de que alguns estariam até dispostos a abrir mão da própria vaga. Neymar precisa estar lá, seja por uma razão futebolística, emocional ou até mística.

Esse é exatamente o ponto levantado por Dunga, ex-capitão do Brasil e ex-técnico da seleção, uma voz respeitada quando se trata de entender como funcionam as estrelas. "Para ir a uma Copa do Mundo, é preciso estar pelo menos 80%. Tecnicamente, ele é espetacular. Ele não vai aceitar ficar no banco. É competitivo, gosta de vencer e quer jogar. Se Neymar for à Copa do Mundo, ele tem que jogar. É muito difícil deixar um jogador desse calibre no banco", afirmou.

Agora o dilema é de Ancelotti, que sonhava entrar para a história como o técnico que levou o Brasil ao sexto título mundial e agora luta para não ser lembrado como o treinador que deixou Neymar fora do que teria sido sua última Copa do Mundo. Se as coisas derem errado neste verão, a ausência do astro em declínio será o maior peso contra o italiano na hora de justificar o fracasso.

Porque, para o Brasil, só vencer é aceitável. Foi por isso que contratou o técnico com mais títulos da Liga dos Campeões na história do futebol. O que não lhe disseram é que isso teria de ser feito com Neymar.

Não importa o que aconteça.

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