Bournemouth 2 x 2 Manchester United: Harry Maguire vai de herói a vilão no dia de seu retorno à seleção da Inglaterra, enquanto os Cherries frustram Michael Carrick e companhia no sul da costa inglesa
Se algo resume a carreira irregular de Harry Maguire, é o fato de que sua recuperação no cenário internacional pode ser seguida, em questão de horas, por um cartão vermelho que muda o jogo. Coitado: mesmo nos bons momentos, ele não consegue escapar do drama.
É preciso explicar como foi esse lance e o efeito dramático que teve na partida: aos 77 minutos, o Manchester United vencia; instantes depois, estava com 10 jogadores e os três pontos viraram um.
A expulsão de Maguire por uma carga desajeitada sobre Evanilson foi justificada, e o pênalti convertido por Junior Kroupi acabou sendo decisivo. Ainda assim, era difícil não sentir alguma simpatia pelo defensor no dia em que Thomas Tuchel lhe deu nova oportunidade. A torcida do Bournemouth, porém, ou quem apenas aprecia o caos, certamente não se importou.
Como de costume, vimos a cena mais familiar de todas: um empate do Bournemouth.
Esta foi a quinta vitória seguida e a sétima em uma sequência de 11 jogos de invencibilidade, por isso nenhum triunfo pode ser dado como certo quando Andoni Iraola leva sua equipe a campo.
Mas o United terá sentido que deixou escapar dois pontos no litoral sul. Pelo que foi o equilíbrio de um jogo eletrizante, teria motivos para pensar assim.
Harry Maguire recebeu cartão vermelho direto poucas horas depois de ser convocado novamente para a seleção da Inglaterra

Minutos antes, o defensor havia saído comemorando após colocar o Manchester United na frente

Primeiro, eles abriram o placar com um pênalti de Bruno Fernandes aos 60 minutos, reforçando ainda mais a boa fase que pode levá-lo a ser eleito o jogador da temporada. Depois, após Ryan Christie empatar, voltaram a ficar na frente com um gol contra de James Hill. Fernandes fez o cruzamento, e naquele momento falava-se da resiliência do United e da sua capacidade de encontrar soluções sob o comando de Michael Carrick.
No fim, não aconteceu: Maguire, mesmo em meio à sua impressionante recuperação, voltou a alternar bons e maus momentos. O United segue firme no terceiro lugar, mas fica a sensação de que a vantagem poderia ter sido maior.
Nesse contexto, também se pode dizer que Carrick não fez muita coisa errada. Em linha com o momento da equipe, ele optou por manter a mesma formação que venceu o Aston Villa. A decisão fazia sentido, mas fica a dúvida sobre se, ou quando, Benjamin Sesko perderá a paciência com seu atual papel no banco — seu gol contra o Villa foi o oitavo em 10 jogos e ainda assim não bastou para lhe garantir uma vaga entre os titulares.
A eficiência sempre faz a diferença e, contra o Bournemouth, ela vale ainda mais. A solidez defensiva do time de Iraola virou sua principal marca desde a saída de Antoine Semenyo, especialmente nas últimas partidas, mas o United encontrou espaços com surpreendente facilidade. O problema foi aproveitar as chances.
No primeiro tempo, a equipa criou 11 chances. Não foram oportunidades claras, daquelas que normalmente terminam em golo, mas houve boas chegadas: Amad Diallo obrigou Dorde Petrovic à primeira de várias defesas antes dos três minutos e, nos 42 seguintes, Bruno Fernandes finalizou três vezes, Matheus Cunha teve duas tentativas e Diogo Dalot acertou tão alto que a bola atingiu o teto da bancada Steve Fletcher.
Apesar da boa construção das jogadas, faltou eficiência no momento decisivo. Na maioria das vezes, isso resultou em chutes apressados da entrada da área, agravados pela pouca movimentação de Bryan Mbeumo para oferecer melhores opções. Marcos Senesi o anulou durante boa parte do primeiro tempo.
Junior Kroupi é, com folga, o adolescente com mais gols na Premier League nesta temporada

Se isso foi frustrante para Carrick e Sesko, o técnico do United terá ficado satisfeito com a base mais ampla, personificada no duelo envolvente de Cunha com Alex Jimenez — a equipe foi agressiva e, algo difícil de imaginar após os meses de Ruben Amorim nesta temporada, também foi divertida de ver.
Ainda assim, havia fragilidades, sobretudo nos contra-ataques. A chance inicial de Diallo foi prova disso: Rayan arrancou em grande velocidade, mas finalizou mal. Foi um aviso do que ainda estava por vir, embora, naquele momento, o jogo estivesse nas mãos do United.
O gol que abriu o placar saiu pouco antes da marca de uma hora, em cobrança de pênalti sofrido após mais uma arrancada de Cunha sobre Jimenez. Desta vez, ele passou pelo marcador, e o espanhol puxou sua camisa, em lance corretamente assinalado. Fernandes cadenciou a corrida, enganou Petrovic e bateu no canto oposto.
Carrick cerrou os punhos e voltou a fazê-lo quando um segundo pênalti não foi assinalado, desta vez após Adrien Truffert derrubar Diallo. A reclamação pareceu leve, mas o castigo foi duro: o Bournemouth saiu rápido no contra-ataque e Christie serviu o gol de empate.
Seguiram-se 20 minutos finais de loucura, algo raro neste estádio nos últimos tempos. Primeiro, Hill desviou de cabeça um escanteio de Fernandes para a própria rede; depois, Alex Scott acertou a trave na resposta; e, por fim, vieram a expulsão de Maguire e o pênalti de Kroupi.