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Polêmica na Copa do Mundo de 2026: endurecimento de vistos por Trump pode resultar em taxas de entrada de US$ 15 mil

A empolgação da Copa do Mundo pode vir com um custo inesperado para alguns torcedores e jogadores. Em uma reviravolta incomum antes do que promete ser a edição com maior público da história, viajantes de vários países participantes podem ser obrigados a pagar altos depósitos de garantia para obter o visto e entrar nos Estados Unidos.

A medida, parte do Programa Piloto de Fiança para Vistos do presidente Donald Trump e implementada pelo Departamento de Estado dos EUA no início deste ano, atinge cidadãos de cerca de 50 países, incluindo várias seleções classificadas para o torneio do próximo verão.

Mas cidadãos de cinco países — Argélia, Cabo Verde, Senegal, Costa do Marfim e Tunísia — devem apresentar uma caução que varia de US$ 5.000 para crianças a US$ 15.000 para adultos ao solicitar um visto de turista para entrar nos Estados Unidos.

Atualmente, não há nenhuma isenção nacional para atletas ou participantes da Copa do Mundo. Isso significa que jogadores, treinadores, membros das comissões e torcedores desses países podem ter de desembolsar quantias elevadas apenas para garantir a entrada.

Mesmo o pagamento da caução não garante a concessão do visto. Os pedidos são analisados individualmente por agentes consulares, que às vezes podem dispensar taxas por "interesse nacional significativo ou interesse humanitário". Não está claro se a participação na Copa do Mundo se enquadra nesse critério.

Intervenção da FIFA está a caminho

Em reuniões recentes de preparação para a Copa do Mundo, em Atlanta, representantes de vários países afetados manifestaram à FIFA sua preocupação, destacando que barreiras financeiras podem esfriar o entusiasmo para assistir aos jogos nas sedes do torneio nos Estados Unidos.

Algumas federações pediram à FIFA que intervenha, de preferência garantindo isenções para membros das delegações, de jogadores e treinadores a profissionais da mídia e funcionários administrativos.

A FIFA estuda fornecer cartas-convite formais para jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes, na esperança de ajudar a dispensar a exigência de caução.

Para uma família de quatro pessoas vinda de um dos países afetados, o custo pode chegar a US$ 40 mil se todos forem adultos ou adolescentes.

Embora o depósito seja reembolsável em caso de saída dos EUA dentro do prazo, o custo inicial ainda representa uma barreira significativa, podendo afetar a presença de torcedores e até a participação de jogadores no período que antecede a Copa do Mundo.

A questão expõe a relação entre o esporte internacional e a política migratória, mostrando como regras administrativas podem impactar grandes eventos globais. Mesmo com a intervenção da FIFA, ainda há incerteza sobre quantos acabarão tendo de arcar com esses altos custos.

As negociações da FIFA com autoridades dos EUA serão acompanhadas de perto nas próximas semanas.

Torcedores e jogadores dos cinco países aguardam clareza sobre uma possível dispensa das cauções. Quem planeja viajar pode ter de se preparar para custos iniciais elevados até que a orientação oficial seja confirmada.

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